Livro: Retratos da Alma - Memórias de uma Psicóloga
SUMÁRIO
Introdução
Minha pequena Grande Jornada … De onde vim? Para onde vou?
Vamos voltar ao começo
Experiência com um curandeiro
Algumas experiências paranormais
Meu primeiro emprego “oficial”
Finalmente, a Psicologia!
Psicologia e História
Trabalho realizado no 2º ano da Faculdade de Psicologia
Brevíssima síntese das abordagens psicológicas
Experiência com Ayahuasca
A Parábola da Caverna de Platão
Terminando a Faculdade
Sobre o atendimento Psicológico
O início da profissão como Psicóloga
Terapia Centrada na Pessoa - Carl Rogers
Sobre a Síndrome do Pânico
A Parábola Indiana do Elefante e os Cegos
Pós Graduação em Acupuntura
Relação entre Emoções e Órgãos na MTC
Pontos de acupuntura importantes para questões mentais e emocionais
Continuei meus atendimentos
Lá vem um “causo”
Lições a cada atendimento
Esquizofrenia
Nova Especialização em 2015
Psicologia Integrativa Transpessoal
“Causo”
Respiração Holotrópica
Minha Experiência com a Respiração Holotrópica
Sonhos “reais” - Viagem Astral?
Exercícios de relaxamento e meditação guiada
Outro “Causo”
“Saudades sim, tristeza não”
Meu primeiro atendimento domiciliar
“Passando a vida a limpo”
O Sábio e o Rio
Início dos Atendimentos online
Ampliando e Despertando a consciência
Psicologia Social
Especializações
Vivência em SAICA
Trabalhando com Mulheres vítimas de Violência Doméstica
Reflexões acerca da Vida
Agradecimentos
Bibliografia
PREFÁCIO
Existem pessoas que parecem ter nascido com uma sensibilidade diferente. Gente que não se contenta com respostas prontas, que enxerga além da superfície, que sente, percebe e se conecta com aquilo que a maioria não vê. Eliana Guedes é uma dessas pessoas.
Cresceu em uma família como tantas outras de seu tempo, uma daquelas que hoje costumamos chamar de “tradicional”. Mas, desde muito cedo, o que se revelava dentro dela era algo que não cabia nos limites do convencional. Uma inquietação, uma busca, uma sede por compreender os grandes mistérios da vida — e da própria existência.
A vida, generosa e, por vezes, desafiadora, colocou em seu caminho experiências que fugiam à lógica. Encontros com o inexplicável, vivências que tocavam o invisível, experiências paranormais que não só a surpreenderam, mas também a impulsionaram a buscar respostas além do que os olhos podem ver. E, num desses encontros que marcam a trajetória de qualquer ser humano, conheceu um curandeiro. Foi uma dessas experiências que deixa marcas profundas e acende ainda mais a chama da busca interior.
Talvez tenha sido inevitável que, em algum momento, a Psicologia cruzasse seu caminho. Mas, olhando em retrospecto, parece mais correto dizer que ela não apenas cruzou — ela a escolheu. Ou, quem sabe, foi um reencontro com uma missão que já a aguardava. Aos 28 anos, Eliana ingressou no curso de Psicologia na UNISA, e dali em diante, sua jornada ganhou contornos ainda mais profundos, mais conscientes e mais alinhados com sua essência.
O que você, leitor, tem em mãos agora, não é apenas um livro. É um convite. Um convite para olhar para dentro, para refletir, para questionar e, sobretudo, para se permitir tocar por temas que nem sempre são confortáveis, mas que são, sem dúvida, essenciais para quem busca entender a si mesmo e o mundo.
Ao longo destas páginas, você encontrará muito mais do que teoria. Encontrará uma trajetória de vida. Uma história de quem ousou atravessar o visível e o invisível, o racional e o intuitivo, o científico e o espiritual. E, sobretudo, encontrará a sensibilidade de quem faz da escuta, do acolhimento e do amor ao ser humano o seu verdadeiro ofício.
Prepare-se. Porque, assim como a vida da Eliana foi transformada por tudo o que ela viveu, aprendeu e se permitiu experienciar, é muito possível que você, ao fechar este livro, não seja mais exatamente a mesma pessoa que o abriu.
Fernando Sobrinho
INTRODUÇÃO
Tudo começou de forma quase despretensiosa. Um pequeno texto, uma lembrança solta que ganhou vida em palavras. Uma frase aqui, outra ali, e de repente, as linhas começaram a se multiplicar. O que era apenas um pensamento escrito foi tomando forma, e, foi sendo prazeroso escrever sobre minha profissão que tanto amo.
Foi então que alguém muito especial disse: “Por que você não escreve um livro?”.
Um livro? Eu? Como assim? A ideia me pegou de surpresa. Eu não sou escritora e confesso que admiro quem tem “o dom da escrita e da oratória”. Mas, de algum jeito, aquela sugestão encontrou um cantinho em meu coração. Uma pequena semente plantada. E essa ideia começou a crescer.
Com o passar dos dias, eu me perguntava: Por que não? Estou completando 25 anos de formação, 25 anos dedicados à Psicologia. Vinte e cinco anos de histórias, de desafios, de aprendizados e de transformações. Talvez seja hora de contar essa trajetória, de compartilhar o que vivi, o que senti, o que aprendi. Hora de celebrar! Agradecer! De compartilhar! Já disse e repito: não sou escritora, e talvez por isso este não seja exatamente um livro completo, mas sim um delicado esboço da minha história. Uma espécie de amostra, uma introdução sincera e despretensiosa aos caminhos que trilhei até aqui.
Gosto de compartilhar as experiências que vivi na minha busca por autoconhecimento, pois acredito que dividir vivências pode, muitas vezes, abrir espaço para reflexões. No entanto, faço questão de deixar claro que não tenho a intenção de convencer ou influenciar ninguém a seguir o mesmo caminho que escolhi. Cada pessoa tem sua própria trajetória, com suas escolhas, ritmos e motivações, e isso deve ser sempre respeitado. O que funcionou ou fez sentido para mim pode não fazer para outra pessoa, e está tudo bem assim. Minha intenção é apenas relatar o que vivi e como essas experiências me tocaram, me transformaram ou me fizeram pensar — sem querer apontar direções ou ditar verdades.
Não pretendo me aprofundar demais — pelo menos por enquanto. Quero apenas compartilhar alguns fragmentos da minha jornada, momentos que deixaram marcas, aprendizados, emoções. É como se eu estivesse abrindo, com cuidado, uma pequena janela para dentro de mim, permitindo que você, leitor, vislumbre parte do que vivi, do que senti, do que me transformou.
Escrevo com o coração, mesmo que as palavras às vezes me escapem ou não se organizem da maneira que eu gostaria. Ainda assim, acredito que há beleza na simplicidade e força na vulnerabilidade de quem se permite contar sua própria história, mesmo sem grandes pretensões literárias.
O que vocês terão aqui é um trabalho amador, mas sincero. Um passeio pelas minhas lembranças, guiado por momentos marcantes que me moldaram. Talvez não haja floreios literários, mas haverá verdade, emoção e o desejo genuíno de dividir um pouco da minha caminhada.
Espero que gostem. Espero que sintam comigo cada passo dessa jornada.
Minha pequena Grande Jornada ... De onde vim? Para onde vou?
Em uma jornada que começou na infância, sempre me vi intrigada pelos mistérios da existência. Quem somos nós? Qual o propósito de estarmos aqui? Essas indagações ecoavam em minha mente desde tenra idade, como sussurros de um chamado.
Na adolescência, um novo horizonte se abriu diante de mim quando tive meu primeiro contato com a Psicologia. Fui arrebatada por sua complexidade e beleza, mas naquela época, as circunstâncias não me permitiram seguir esse caminho. O dever de trabalhar cedo se fez presente, e mergulhei de cabeça na área administrativa, ascendendo desde auxiliar a sócia-gerente ao longo de quase duas décadas.
No entanto, o chamado da Psicologia persistia em meu coração. Aos 28 anos, decidi trilhar finalmente esse caminho e, cinco anos depois, me formei como psicóloga. Desde então, tenho desempenhado o papel de psicóloga clínica, mergulhando nas profundezas da mente humana para auxiliar aqueles que buscam compreensão e cura.
Paralelamente, em 2017, abracei também a missão de ser psicóloga social, utilizando meu conhecimento para promover mudanças positivas na sociedade. Nessa jornada, continuo a questionar a vida, mas agora, esses questionamentos estão entrelaçados com gratidão. A cada dia, percebo que o encanto pela vida só cresce, e compreendo que nossa presença neste mundo é uma dádiva.
Recentemente, recebi um vídeo de uma amiga. Estava escrevendo e dei uma pausa, assisti o vídeo e achei que tinha tudo a ver com o que estava escrevendo naquele momento. No vídeo, a voz serena e envolvente da filósofa Lúcia Helena Galvão pronunciava uma frase que, apesar de simples, carregava uma sabedoria imensa: “Certifica-te de que és um fator de soma na vida das pessoas de quem participa.”
Essas palavras não foram apenas ouvidas; foram sentidas. “Bateu, pega que é seu” (como dizem rsrs). Me fez refletir sobre minha própria existência e meu impacto na vida daqueles que cruzam meu caminho. O que significa, afinal, ser um fator de soma na vida de alguém?
Entendi que não se trata apenas de estar presente, mas de deixar uma marca, uma impressão que eleve, que inspire, que transforme. É como se a vida fosse um grande tecido, e cada encontro, cada interação, fosse um fio que entrelaça nossa história com a história do outro. E, ao entrelaçar-se, que sejamos capazes de enriquecer esse tecido, tornando-o mais belo e forte.
A frase me lembrou que cada pessoa que conhecemos nos oferece uma oportunidade — uma chance de aprender, de crescer e de oferecer o melhor de nós mesmos. Que privilégio é saber que alguém se tornou um pouquinho melhor como ser humano porque nos encontrou. E, ao mesmo tempo, que sorte a nossa podermos também crescer ao longo do caminho.
É um lembrete poderoso de que nossas vidas não devem passar em vão, de que podemos — e devemos — ser luz, mesmo nos dias nublados. Que nossas palavras sejam abrigo, nossos gestos sejam pontes e nossos corações estejam sempre dispostos a somar.
Lindo, não é?
A vida, compreendo agora, é uma oportunidade para evoluirmos e compartilharmos algo valioso com os outros. Assim, tenho encontrado sentido em estar aqui, em viver cada momento com plenitude, buscando não apenas o meu bem-estar, mas também contribuir para o bem de todos ao meu redor.
Vamos voltar ao começo…
Cresci em uma família daquelas que hoje chamamos de “tradicional”, como tantas outras do passado. Havia uma ordem silenciosa no cotidiano: minha mãe era o coração da casa — quem tinha que cuidar de tudo, sempre agitada, tinha que manter “a ordem” em meio “ao caos”; afinal, com quatro filhos pequenos, não é uma missão fácil ter que cuidar da casa e dos filhos; além disso, ela queria ter um dinheirinho e sempre que podia, comprava e vendia coisas (roupas, doces, etc). Já meu pai, com seu jeito mais sério e contido, era o provedor — saía cedo, ia trabalhar e voltava no fim do dia ou noite, sempre cansado e, na maioria das vezes, nervoso.
Ambos nasceram na década de 1940, pertencentes à chamada “Geração Silenciosa” — marcada por uma postura mais reservada, conformista, moldada por valores como respeito, dever e resiliência. Era uma época em que sentimentos raramente eram ditos em voz alta, principalmente sentimentos de amor e afeto; também não conhecíamos elogios. E aqui, faço a observação de que não estou criticando, apenas contando como era e, o comportamento deles era “normal” para a época. Atualmente os pais têm outra postura para com os filhos.
E então, em 1968, eu cheguei ao mundo. Filha da transição entre tempos distintos, fiz parte da chamada Geração X — ou, como gostamos de dizer aqui no Brasil, da “Geração Coca-Cola”. Cresci num tempo de mudanças e questionamentos, entre o velho e o novo, absorvendo o legado silencioso dos meus pais, mas também buscando minha própria voz em meio a uma sociedade em transformação.
Minha mãe sempre disse que meu nascimento foi o mais tranquilo entre os cinco filhos que ela teve. Um parto rápido, natural, sem grandes complicações. Ela conta que eu era um bebê calmo, que não dava muito trabalho… embora, curiosamente, eu me lembre de ser bastante chorona – e que continuo sendo até hoje! Emoção sempre foi algo muito presente em mim.
Uma das lembranças mais antigas – ou talvez seja apenas uma imagem moldada pelas histórias que ouvi – é de um episódio marcante que aconteceu quando eu tinha apenas dois anos. Estávamos em uma piscina pública, e, num momento de distração da minha mãe, que conversava com outra mulher, eu quase me afoguei. A cena me vem à mente como um filme antigo, borrado nas bordas, mas vívido: a água, o desespero, o barulho abafado. Será memória? Ou imaginação influenciada por tantas vezes que ouvi essa história? Não sei. Mas algo ficou registrado ali.
No geral, minha infância foi leve, recheada de brincadeiras que hoje são quase raridade: pega-pega, esconde-esconde, queimada. Tive a sorte de ter um irmão mais velho, o João, com quem aprendi as aventuras dos meninos: carrinho de rolimã, bolinha de gude, empinar pipa... Foi uma infância vivida na rua, com os joelhos ralados e o coração livre. Aproveito para deixar aqui registrado o meu afeto para com meus irmãos: Elaine (Lana), João e Sérgio.
Eu e meus irmãos - da esquerda para a direita: eu, Sérgio, Elaine (Lana) e João
Mas nem tudo eram cores vibrantes. Meu pai era um homem difícil (bravo), sempre com o semblante fechado, o nervosismo à flor da pele. Eu ansiava pela sua atenção, por um gesto de carinho... mas o que mais me lembro dele é a ausência emocional, o medo constante de suas reações. Ressalto que ele foi um bom pai no sentido de ter sido o provedor, ter dado o sustento e é isso que os pais faziam antigamente. Um homem trabalhador, nunca ficou desempregado e, lembro-me, já adulta, que ele me ajudava muito quando tinha problemas com carro (ele gostava de mexer com carros).
Mesmo sem frequentar igreja, me considerava católica; aliás, quando criança, achei uma santinha numa rua de terra, andava com ela para onde fosse, levava para escola quando tinha prova e cheguei a pedir para um padre para abençoá-la, mas ele não fez. Havia algo em mim que buscava o sagrado, o divino. Eu não sabia rezar, mas queria tanto aprender... Então, por conta própria, aprendi e comecei a rezar antes de dormir. E era nesse momento, todas as noites, que surgia uma sensação estranha: uma saudade sem nome, uma tristeza suave, como se eu quisesse voltar para algum lugar que nem sabia onde era. Houve uma época em que desejei ser freira. Lembro de ter contado isso à minha mãe, que, com simplicidade, disse que eu não tinha vocação. E eu acreditei.
Uma vez, tive uma experiência que jamais esqueci. Vi uma cruz no céu, se abrindo como uma porta... Uma imagem nítida, intensa. Até hoje não sei dizer se foi sonho ou visão, mas a sensação foi real demais para ser ignorada.
Santinha que achei quando criança.
Experiência com um curandeiro
Na minha infância, eu era frequentemente acometida por dores de cabeça intensas e constantes. Uma dor que surgia de repente, como uma nuvem pesada que se instalava sobre minha testa, sem explicação aparente. Minha mãe, preocupada, levou-me ao médico mais de uma vez. No consultório, depois de exames e questionamentos, sempre ouvíamos o mesmo diagnóstico: não havia nada de errado. Nenhum sinal de sinusite, bronquite, apenas uma leve rinite, mas que jamais justificaria a intensidade da dor que eu sentia.
Nossa mente e corpo são sábios, e mesmo quando a ciência não encontra respostas, eles encontram formas de nos avisar que algo não está bem. E a dor persistia, como um sussurro incômodo que não queria me abandonar.
Foi então que, em meio ao desespero de minha mãe em me ver sofrendo, surgiu a sugestão de um conhecido: por que não tentar algo diferente? Foi assim que ela decidiu me levar a um curandeiro. Um homem de quem muitos falavam com respeito e admiração. Diziam que ele realizava curas espirituais, quase milagrosas, e que fazia cirurgias espirituais no estilo do famoso Dr. Fritz. Não me recordo exatamente onde ficava aquele lugar, só sei que era longe, e que a sala estava sempre cheia de pessoas que o procuravam em busca de alívio.
Quando chegou a minha vez de ser atendida, senti meu coração bater mais rápido. Deitaram-me em uma maca fria, o ambiente estava tomado por uma aura de mistério e fé. O curandeiro, não me lembro como ele era, mas lembro que suas mãos eram firmes, aproximou-se. Senti algo tocar minha testa — não sei dizer o que era. Em seguida, ele pediu uma bacia. Com gestos lentos e concentrados, pareceu puxar algo da minha cabeça e jogá-lo na bacia. Eu não vi o que era, não compreendi o que havia acontecido, mas algo em mim pareceu se aliviar.
O tempo passou, e por muitos anos aquela lembrança permaneceu guardada, quase esquecida em minha memória. Até que, duas décadas depois, ao fazer uma regressão terapêutica, uma visão intensa surgiu diante de mim: o que aquele homem havia retirado da minha cabeça era uma bala, uma pequena bala de revólver (ressalto aqui que se trata de uma visão, percepção, algo que senti). A revelação me arrepiou. Como se, de alguma forma, aquela dor inexplicável tivesse sido uma lembrança física de algo muito além da minha infância.
Nos meus primeiros anos escolares, estudei em uma escola estadual considerada fraca. Só percebi o quanto isso me prejudicou quando mudei de escola, na 4ª série. Foi como cair num mundo desconhecido. Eu não conseguia acompanhar os colegas, e acabei repetindo o ano. Foi duro. Senti-me inferior, deslocada, como se carregasse um rótulo invisível.
E como se não bastasse, foi nesse mesmo ano que sofri um atropelamento. Como a nova escola era distante, minha mãe ia me buscar de carro, mas, num dia em que ela não pôde ir, tive que voltar sozinha. Um motorista bêbado, em alta velocidade, me atropelou e fui arremessada contra um muro. Eu tinha apenas 10 anos. No instante do impacto, algo surreal aconteceu: vi minha vida passar diante dos olhos, como um pequeno filme — um "curta-metragem", brinco hoje — e lembro com nitidez da calma estranha que senti naquele momento; depois fiquei extremamente preocupada com a reação de minha mãe, ela ficou muito abalada, passamos o dia entre hospital e delegacia e num determinado momento (não sei se estava na delegacia ou no hospital), tudo foi se apagando … E, de repente, escuridão total … Desmaiei! Me colocaram numa maca e logo recobrei os sentidos. A pancada tinha sido forte, mas felizmente, sem gravidade. O desmaio se deu por conta da pressão ter baixado ou da hipoglicemia.
Só que, ao chegar em casa, a tragédia teve que ser disfarçada. Meu pai, como sempre, chegava nervoso do trabalho, eu, com medo dele, não queria que ele soubesse do acidente. Então, mesmo com os joelhos feridos, especialmente o esquerdo, coloquei um vestido longo e fingi que estava tudo bem. Uma criança, machucada por fora e por dentro, tentando esconder a dor.
Em 1980, eu tinha de 11 para 12 anos, nos mudamos da zona leste (Vila Formosa) para a zona sul de São Paulo. A negociação da nova casa demorou, e acabamos perdendo o ano escolar. Como não estava estudando, comecei a trabalhar, informalmente, numa gráfica próxima de casa. Recebia por semana e entregava o dinheiro à minha mãe — eu não precisava dele. Fazia por sentir que estava ajudando.
No ano seguinte, de volta à escola, conheci um menino da 8ª série. Ele vinha todos os dias até a rua onde eu morava. Eu e mais duas amigas achávamos que ele estava interessado numa delas, “a que era mais bonita”. Mas, para minha surpresa, foi a mim que ele pediu em namoro. Aceitei. Era um namoro inocente, de mãos dadas e beijos tímidos. Nem sabia beijar direito, foi até meio constrangedor...
Mas durou pouco, coisa de um mês ou dois. O pior veio depois: parece que a mãe da “menina mais bonita” contou sobre o namoro aos meus pais. Meu pai, furioso, me deu um tapa no rosto daqueles … fui parar no outro lado da rua, e o pior: na frente do meu namoradinho. Eu quis desaparecer. A vergonha foi tamanha que, por muitos anos, não consegui olhar nos olhos desse namoradinho que morava na rua ao lado da minha. Só na vida adulta conversamos sobre o episódio. Ele ficou profundamente abalado, a ponto de pedir que o pai dele fosse falar com o meu — mas isso nunca aconteceu.
Depois disso, só fui namorar novamente aos 16 anos. Um namoro leve, carinhoso, cheio de risos. Íamos para casa um do outro, nossas famílias se conheceram. Foi uma fase boa. Mas também terminou com “dor”: ele me traiu com uma colega da escola. Mais uma ferida no coração.
Algumas experiências paranormais
Durante minha infância e adolescência, vivi algumas experiências marcantes que envolviam espíritos. Lembro-me de uma tarde que ficou gravada na minha memória como um misto de medo e proteção inexplicável.
Estávamos no carro: minha mãe ao volante, minha irmã no banco do passageiro e eu com meu irmão mais novo no banco de trás. Seguíamos pela movimentada Radial Leste, uma das principais avenidas da cidade. Não me recordo do destino, mas me lembro com clareza do que aconteceu em seguida.
Paramos em um farol. O som ambiente era o de sempre — motores roncando, buzinas, vozes ao longe. Mas, em questão de segundos, aquele cenário cotidiano se transformou em caos. Um caminhão desgovernado surgiu em alta velocidade, descendo descontrolado. Sem freio, ele começou a colidir com os carros parados no semáforo.
O pânico tomou conta de nós. Eu, meu irmão e minha irmã começamos a gritar, o medo estampado em nossos rostos. “Mãe, sai daqui! Anda, mãe!” E, em meio àquele grito desesperado, minha mãe reagiu. Ela acelerou o carro, desviando a tempo, quase como se uma força invisível a guiasse. Nosso carro foi praticamente o único que escapou ileso. Mais tarde, soubemos que o acidente foi tão grave que virou notícia na televisão.
Após o susto, minha mãe nos contou que, no dia anterior, havia tido um sonho estranho. Ela se via acordando assustada, repetindo o nome de Santa Bárbara. Esse sonho se tornou ainda mais intrigante quando um vizinho a convidou para ir a um terreiro de Umbanda, e eu fui com ela.
Lá, naquele ambiente desconhecido e místico, o medo tomou conta de mim. Eu era apenas uma criança, e ver aquelas pessoas em transe, dançando e cantando, era ao mesmo tempo fascinante e assustador. Descobrimos que minha mãe era médium de incorporação, uma capacidade que até então desconhecíamos. Ela começou a frequentar o centro, encantada com as mensagens e as energias que ali encontrava. Mas meu pai não aprovava, e para evitar conflitos, ela acabou deixando de ir.
Mesmo assim, em algumas ocasiões, em nossa própria casa, os espíritos se manifestavam através dela. Era estranho e, ao mesmo tempo, natural. Uma dessas experiências ficou marcada em mim. Certa vez, intrigada, pensei em silêncio, quase como um desafio: “Será que ela consegue ouvir meu pensamento?”. E pedi, em pensamento, que o espírito da criança (minha mãe, às vezes, “recebia” um espírito de uma menina) viesse até nós.
Naquela mesma noite, enquanto eu estava em casa, o espírito da criança apareceu e, de imediato, perguntou: “Por que você me chamou?”. Um arrepio percorreu meu corpo. Fiquei impressionada. Eu havia acabado de descobrir que os pensamentos podiam ser ouvidos de um jeito que eu jamais imaginara.
Aquela menina (espírito) não se manifestou apenas na minha mãe; ela apareceu para mim e para meu irmão mais novo, Sérgio. E, embora a experiência de cada um tenha sido diferente, o sentimento de algo inexplicável nos uniu de uma maneira que nunca esqueceríamos.
No meu caso, tudo aconteceu de forma surpreendentemente calma. Era fim de tarde, e eu estava no meu quarto, deitada na cama, calma e relaxada. O silêncio preenchia o ambiente, e a luz alaranjada do entardecer banhava o quarto com uma sensação morna e pacífica. Eu estava tranquila, quase em um estado de leveza, quando, por acaso, meus olhos se voltaram para a porta do guarda-roupas.
Foi então que eu a vi.
Ela estava ali, em pé, imóvel, apenas me olhando. Não disse nada, não fez qualquer movimento. Seus olhos, embora silenciosos, pareciam carregar uma história que eu não conseguia alcançar. Por um instante, meu coração acelerou, mas a calma daquele fim de tarde me envolveu como um abraço, e eu fechei os olhos. Talvez em uma tentativa de despertar de um sonho, talvez como uma fuga inconsciente. Quando os abri novamente, ela já não estava lá. Desaparecera tão repentinamente quanto surgira.
Para o meu irmão Sérgio, foi diferente. E, para ele, foi mais assustador.
Era de madrugada. Como tantas outras vezes, estávamos na sala assistindo TV até tarde. Era algo corriqueiro, assistir TV até que o sono chegasse. Às vezes, um de nós adormecia ali mesmo, no sofá. A sala era ampla, com um silêncio que crescia à medida que a noite avançava, e os sons da casa iam se apagando.
Naquela noite, Sérgio adormeceu no sofá. A TV já estava desligada, todos já haviam ido para seus quartos. O silêncio era absoluto, profundo. De repente, ele acordou — sem entender ao certo por quê. Talvez um arrepio, um incômodo no ar. E então viu.
No canto da sala, meio envolta pela penumbra e, ao mesmo tempo, com a iluminação da rua, que refletia exatamente naquele canto, uma menina estava agachada, concentrada, brincando com alguns bichos de pelúcia que ficavam ali. Parecia uma cena comum, não fosse o fato de que aquela criança… não era da nossa família. Não era conhecida. E, sobretudo, não deveria estar ali.
Sérgio ficou imóvel. Eles se entreolharam. O olhar dela não parecia ameaçador, mas havia algo naquela presença que gelava a espinha — um tipo de estranhamento que o corpo reconhece antes da mente entender. Em pânico, ele puxou o cobertor até a cabeça, como quem tenta se proteger de um pesadelo, e gritou chamando por nossa mãe.
Quando minha mãe chegou, a menina já havia desaparecido. Sumira sem deixar vestígios. Nada fora do lugar, nenhum som. Apenas o vazio onde antes havia uma presença tão marcante. A partir daquela noite, algo mudou dentro do Sérgio.
A partir daquele momento, tornou-se impossível ignorar. Ela estava na nossa casa. Uma presença que, embora silenciosa, era tão real para nós quanto qualquer outro membro da família. O que ela queria? Por que se manifestava de formas tão distintas para cada um de nós? Não tínhamos respostas, mas tínhamos a certeza de que aquela menina – aquele espírito – fazia parte de nossas vidas, de uma maneira que não podíamos explicar.
O Sérgio ficou profundamente abalado. As madrugadas se tornaram ameaçadoras. Dormir no escuro virou um desafio quase insuportável. O medo se instalou de maneira silenciosa, mas constante, como uma sombra que nunca se afastava completamente. Era como se aquele breve encontro tivesse deixado uma marca invisível.
O tempo passou, mas o medo persistia. Até que um dia, nossa mãe o chamou para o quarto dela. O clima estava mais calmo, havia uma sensação de acolhimento no ar. E então algo surpreendente aconteceu. Minha mãe incorporou a criança — sim, aquela mesma menina da sala — que agora queria conversar com meu irmão.
Através da mediunidade da minha mãe, a menina falou com uma doçura inesperada. Disse que estava apenas brincando naquela noite, que não tinha intenção de assustá-lo. Ela era apenas uma criança. Contou que tinha 9 anos e que havia morrido tragicamente, atropelada. Compartilhou detalhes da sua curta vida com uma inocência que tocou o coração de todos.
Eles conversaram bastante. Sérgio, inicialmente ainda tomado pelo medo, aos poucos foi se acalmando. A sinceridade da menina, a sua leveza, a maneira como ela se expressava, tudo isso foi dissolvendo, pouco a pouco, o trauma que ele carregava desde aquela madrugada.
Depois daquela conversa, algo se transformou. O medo perdeu força. O susto foi ressignificado. Meu irmão finalmente conseguiu dormir em paz, até mesmo no escuro. E aquele encontro, que antes o havia marcado com tanto pavor, passou a ser lembrado com mais ternura do que medo — como um momento de conexão entre dois mundos, que por um breve instante se tocaram.
Depois dessa conversa, ela não apareceu mais.
Outro episódio “meio fantasmagórico”: Quando estava no ensino médio e estudava à noite. Minha rotina era quase sempre a mesma: após as aulas, pegava o ônibus de volta para casa, descia em uma avenida que ficava a cerca de 900 metros da minha residência e seguia o restante do caminho a pé. Costumava evitar a rua do cemitério, preferindo uma rua paralela, mais iluminada e que me dava uma sensação maior de segurança.
Mas, naquela noite específica, por volta das 23h30, algo em mim decidiu pegar o caminho da rua do cemitério. Talvez fosse o cansaço ou apenas uma vontade de chegar mais rápido. A rua estava deserta e silenciosa, o tipo de silêncio que pesa no ar, onde até o som dos meus passos parecia alto demais. A fraca iluminação dos postes projetava sombras longas e distorcidas nas paredes antigas, estava frio, havia folhas secas pelo chão.
Ao subir a rua, vi uma mulher que vinha descendo em minha direção. De imediato, algo nela me incomodou. Usava um vestido branco, que mais parecia uma camisola antiga (lembrando que era uma noite fria), flutuando levemente ao redor do seu corpo. Mas o que mais me aterrorizou foi perceber que ela parecia não tocar o chão. Não consegui ver seus pés. Imagine meu medo … Com cada passo que ela dava em minha direção, meu medo crescia. Eu queria correr, mas minhas pernas pareciam presas, como se os meus pés tivessem mais peso. Tentei desviar o olhar, mas a curiosidade aterrorizada me fazia querer olhar de novo, esperando que fosse apenas uma mulher comum. Mas não era. Quando ela passou ao meu lado, eu simplesmente congelei. Não tive coragem de olhar diretamente para o rosto dela, apenas senti sua presença passando como uma sombra gelada. Permaneci ali, paralisada, tentando entender o que acabara de acontecer, meu coração ainda disparado e minhas mãos trêmulas. Foi bem tenso e até hoje não sei se vi um espírito ou se foi o medo que produziu tudo isso em mim.
Decidi compartilhar essas experiências porque acredito que elas foram marcos essenciais na minha jornada pessoal. Não são apenas lembranças soltas, mas fragmentos de vida que, pouco a pouco, me moldaram, me fortaleceram e me prepararam para os desafios que a existência inevitavelmente traz.
Sempre acreditei que o ser humano é um verdadeiro universo — vasto, complexo e cheio de mistérios. Cada encontro, cada situação vivida, é como uma estrela que se acende nesse céu interior, iluminando partes de mim que eu desconhecia. É por isso que escolho estar aberta a infinitas possibilidades, permitindo-me viver, sentir e refletir.
Aqui, meu desejo é me revelar, despida de máscaras ou perfeições ilusórias, como o ser humano que sou. Estes são relatos sinceros, nascidos de momentos que me tocaram profundamente. São pedaços de vida que me convidaram a questionar, a compreender e a me reconectar com a essência da alma.
Foram experiências que expandiram minha visão sobre o que significa ser humana, ensinando-me sobre a fragilidade, a força, a dor e a beleza que habitam em cada um de nós.
Esses episódios foram apenas o começo de uma jornada de descobertas que moldaram minha percepção do invisível, deixando marcas profundas em minha vida e despertando em mim uma curiosidade e respeito pelo mundo espiritual que me acompanham até hoje.
Meu primeiro emprego “oficial”
Aos 17 anos, comecei a trabalhar como auxiliar de escritório — meu primeiro emprego com carteira assinada. Fiquei um ano e troquei por outro, melhor remunerado e mais perto de casa. Foi lá, aos 18 anos, que conheci um homem com quem me relacionei por 10 anos. Foi um relacionamento intenso, marcado por traições dolorosas da parte dele. Quase me destruiu emocionalmente. Mas também foi um divisor de águas na minha jornada de autoconhecimento. A dor me levou a buscar respostas.
Fiz uma sessão de hipnose, aliás, era fascinada pela hipnose e sempre quis me submeter a uma sessão; naquele momento estava determinada a entender o que me prendia àquele ciclo de sofrimento. Tive uma experiência que me marcou profundamente: vi uma vida passada, em que eu era um homem chamado Antônio, português, rico, sedutor e... cruel com os sentimentos alheios. Traía as mulheres que me amavam e fui morto, com um tiro na cabeça, por uma delas, tomada pela dor. Assisti tudo, senti pena dela. E comecei a compreender.
Busquei também ajuda no espiritismo. Fui ao atendimento fraterno de um centro kardecista. Lá, no primeiro dia, eu não conseguia falar — só chorava. Mas saí com o coração mais leve.
Em 1988, num sábado, tinha trabalhado até a hora do almoço; cheguei em casa cansada, dormi e acordei no fim de tarde; lembrei que tinha que ir na casa da minha amiga, que além de vizinha, tinha estudado comigo, éramos muito próximas Naquele fim de tarde, fui até a casa dela e cumprimentei-a com beijos, abraço e 18 puxões de orelha pelo aniversário, tentei puxou o 19º, mas ela não deixou e disse que não queria estar fazendo 18 anos; brinquei com ela, disse que era uma idade tão esperada “18”, um marco nas nossas vidas, enfim, fiquei de voltar no dia seguinte, pois ela ia sair naquela noite.
Horas depois, a notícia chegou como um golpe seco e cruel: um acidente de automóvel havia tirado a vida dela. Inacreditável. Devastador. Uma parte de mim se recusava a aceitar, como se a realidade estivesse distorcida. Eu havia acabado de vê-la, acabara de desejar felicidades. Como poderia não estar mais aqui?
Os dias que se seguiram foram um borrão de tristeza, mas a dor não se limitava às lágrimas ou ao vazio do luto. Ela se infiltrou em meus sonhos. Sonhos lúcidos, quase tangíveis, nos quais eu a via, viva, interagindo comigo. Eu a abraçava com força, sentindo seu calor, e a emoção me tomava inteira. "Você está viva!", eu dizia, tomada por uma felicidade desesperada. Mas então eu acordava, e a confusão era avassaladora.
Sabia que ela tinha morrido, essa era a verdade que o mundo me mostrava. Mas, tinha certeza que ela estava viva... Eu tentava trazê-la de volta, acreditando, por alguns preciosos segundos, que o impossível era possível. E assim, fiquei presa entre a realidade cruel e aquele mundo onírico onde ela continuava existindo, onde eu podia abraçá-la e sentir, mesmo que por pouco tempo, que não a havia perdido completamente.
Em 1989, com 21 anos, me aprofundei no espiritismo (Kardecismo) fui estudar, entrei no curso de médiuns, que fiz por três anos. Foi um período de grande paz interior, como se algo dentro de mim finalmente tivesse encontrado repouso. Eu me sentia leve, serena, inteira.
Livros dos 3 anos do curso
Finalmente, a Psicologia!
A Psicologia entrou na minha vida quase como um desdobramento natural daquilo que sempre me fascinou: os grandes mistérios da existência. Desde muito jovem, eu me via mergulhada em questionamentos profundos sobre a vida e a morte, tentando compreender o enigma que é o ser humano — suas dores, seus desejos, seus medos, suas buscas. Havia em mim uma sede por entender o que há por trás do que é visível, uma curiosidade insaciável sobre temas que tocavam o invisível: os sonhos, os estados ampliados de consciência, a hipnose.
Naquela época, eu acreditava — e em partes ainda acredito — que por meio da hipnose poderíamos expandir nossa percepção, acessar camadas mais sutis da mente, talvez até despertar habilidades consideradas extraordinárias, como a telepatia, o controle da dor, quem sabe até a telecinese. Hoje vejo que essa busca se aproximava muito mais da Parapsicologia, aquele campo intrigante que estuda os fenômenos paranormais, tão marginalizado pela ciência tradicional, mas tão vivo na imaginação de quem ousa explorar os limites do real.
Quem viveu nos anos 80 e 90 deve se lembrar do icônico Padre Quevedo e sua frase que virou meme antes dos memes existirem: “Isto non ecxiste!” Eu, por outro lado, achava tudo aquilo fascinante. Também me encantava com o hipnólogo Fábio Puentes, famoso por seu comando repetido: “Dorme, dorme, dorme!” – um bordão que me fazia rir e, ao mesmo tempo, sonhar. Meu fascínio era tanto que fui pessoalmente conhecê-lo. Eu queria entender como tudo funcionava, queria ver de perto, sentir na pele.
Durante os dois primeiros anos da faculdade de Psicologia, mergulhei de cabeça em cursos livres que alimentavam essa minha busca interior: hipnose, programação neurolinguística, meditação, além de formações voltadas para temas místicos e esotéricos. Era como se cada nova descoberta fosse uma peça de um grande quebra-cabeça sobre a mente e a alma humana.
E não posso deixar de mencionar um dos meus grandes mestres do coração: Wagner Borges. Sou admiradora do trabalho dele desde antes mesmo de entrar na faculdade. Suas palavras, seus livros e programas me tocavam profundamente. No começo dos anos 2000, eu acompanhava o programa Dimensões, da jornalista Rosana Beni, e vibrava de alegria quando via que o entrevistado seria ele. Wagner falava sobre espiritualidade e experiências fora do corpo com tanta naturalidade e sensibilidade que eu me sentia acolhida, compreendida, conectada.
Hoje, olhando para trás, percebo que minha escolha pela Psicologia não foi apenas acadêmica ou profissional — foi existencial. Era, e ainda é, uma jornada de alma. A ciência me deu estrutura, mas foi a busca pelo invisível que me deu sentido.
Com Wagner Borges em dois momentos: em 2015 no IPPB e em 2023 no Neutra Apometria
“A coisa mais bela que o homem pode experimentar é o sentido do mistério. Ele é a força de toda a verdadeira ciência. Quem nunca experimentou essa sensação encontra-se como se estivesse morto: seus olhos estão fechados. Este perscrutar nos mistérios da vida, ainda que confuso ao medo, deu vida à religião. Saber o que para nós é impenetrável existe realmente e se manifesta com a mais alta sabedoria e a mais radiante beleza que os nossos pobres sentidos conseguem perceber, somente em suas formas mais primitivas, essa consciência, esse sentimento, é a essência da verdadeira religiosidade.”
Albert Einstein
Aos 28 anos, enfim, dei um passo que mudaria minha vida para sempre: entrei para o curso de Psicologia na UNISA. Parecia um sonho distante por muito tempo, mas finalmente estava se concretizando. No início, o desafio era enorme. Já se haviam passado nove anos desde que terminei o ensino médio — fiz o colegial técnico em Secretariado no Colégio Técnico Paralelo. Retomar os estudos após tanto tempo gerava um turbilhão de emoções: insegurança, medo de não dar conta, mas também uma esperança renovada, como se algo dentro de mim soubesse que esse era o caminho certo.
Psicologia e História
“Toda e qualquer produção humana - uma cadeira, uma religião, um computador, uma obra de arte, uma teoria científica - tem por trás de si a contribuição de inúmeros homens, que, numa dimensão de tempo anterior ao presente, fizeram indagações, realizaram descobertas, inventaram técnicas e desenvolveram idéias, isto é, por trás de qualquer produção material ou espiritual, existe a História.
Compreender, em profundidade, algo que compõe o nosso mundo significa recuperar sua história. O passado e o futuro estão no presente, enquanto base constitutiva e enquanto projeto. Por exemplo, todos nós temos uma história pessoal e nos tornamos pouco compreensíveis se não recorremos a ela, bem como à nossa perspectiva de futuro, para entendermos quem somos e por que somos de uma determinada forma.
Esta história pode ser mais ou menos longa para os diferentes aspectos da produção humana. No caso da Psicologia, a história tem por volta de dois milênios. Esse tempo refere-se à Psicologia no Ocidente, que começa entre os gregos, no período anterior à era cristã.”
A Psicologia entre os gregos: Os Primórdios
A história do pensamento humano tem um momento áureo na Antiguidade, entre os gregos, particularmente no período de 700 a.C até a dominação romana, às vésperas da era cristã.
Os gregos foram o povo mais evoluído nessa época. Uma produção minimamente planejada e bem-sucedida permitiu a construção das primeiras cidades-estados (pólis). A manutenção dessas cidades implicava a necessidade de mais riquezas, as quais alimentavam, também, o poderio dos cidadãos (membros da classe dominante na Grécia Antiga). Assim, iniciaram a conquista de novos territórios (Mediterraneo, Ásia Menor, chegando quase até a China), que geraram riquezas na forma de escravos para trabalhar nas cidades e na forma de tributos pagos pelos territórios conquistados.
As riquezas geraram crescimento, e este crescimento exigia soluções práticas para a arquitetura, para a agricultura e para a organização social. Isso explica os avanços na Física, na Geometria, na teoria política (inclusive com a criação do conceito de democracia).
Tais avanços permitiram que o cidadão se ocupasse das coisas do espírito, como a filosofia e a arte. Alguns homens, como Platão e Aristóteles, dedicaram-se a compreender esse espírito empreendedor do conquistador grego, ou seja, a filosofia começou a especular em torno do homem e sua interioridade.
É entre os filósofos gregos que surge a primeira tentativa de sistematizar uma Psicologia. O próprio termo psicologia vem do grego psyché, que significa alma, e de logos, que significa razão. Portanto, etimologicamente, psicologia significa “estudo da alma”. A alma ou espírito era concebida como a parte imaterial do ser humano e abarcaria o pensamento, os sentimentos de amor e ódio, a irracionalidade, o desejo, a sensação e a percepção.
Trecho do livro: PSICOLOGIAS - Uma Introdução ao Estudo de Psicologia (Ana M. Bahia Bock; Odair Furtado e Maria de Lourdes T. Teixeira)
1ª Aula de Filosofia do 1º Ano; como diria: “eu boiava” (gíria da minha época).
Estudava à noite e trabalhava durante o dia — uma rotina que já me acompanhava desde a adolescência. Sempre fui eu mesma quem financiou meus estudos. Carregava esse compromisso com coragem, mas não sem cansaço. O primeiro ano foi pesado. A readaptação ao ambiente acadêmico, o acúmulo de responsabilidades, e aquela sensação de estar recomeçando tarde demais me acompanharam por um tempo. Mas segui.
Matérias no 1º ano: Biologia Geral; Estatística; Filosofia; Psicologia Geral e Sociologia.
A partir do segundo ano, tudo começou a se encaixar. Estava completamente envolvida pela Psicologia — cada aula parecia me abrir um novo mundo, uma nova forma de enxergar a vida e o ser humano. Só não conseguia me conectar com a Psicologia Behaviorista. Tínhamos que trabalhar com ratinhos de laboratório, privando-os de água para observar e moldar seus comportamentos... aquilo me doía. Ia contra tudo o que eu acreditava. Era um tipo de prática que me causava angústia profunda.
Matérias no 2º ano: Fisiologia; Psicologia da Personalidade; Psicologia do Desenvolvimento; Psicologia Experimental I e Psicologia Social.
Trabalho realizado no 2º ano da Faculdade de Psicologia em 1997:
“Extraterrestre para além da Identidade Humana”
O tema deste trabalho não foi escolhido ao acaso. Desde muito antes da faculdade, algo dentro de mim já vibrava de curiosidade e fascínio por esse assunto. Talvez tenha sido o mistério, o desconhecido, ou quem sabe aquela sensação de que há mais no universo do que podemos ver ou explicar.
Tudo começou de forma quase mágica, numa noite inesquecível, cerca de dois anos antes de iniciar minha graduação. Eu e alguns amigos decidimos passar a virada do ano de uma maneira diferente, numa excursão para a Ilha do Mel, no Paraná. O lugar parecia um pedaço de paraíso intocado: praias de areia fina, o som constante das ondas, o céu que se abria em um manto de estrelas tão nítidas que era difícil não se perder nelas.
Naquele cenário, rapidamente formamos um grande grupo. Éramos jovens, cheios de sonhos e histórias para contar. As conversas fluíam com facilidade, acompanhadas de risadas sinceras que ecoavam na brisa do mar. Tudo parecia perfeito, uma espécie de refúgio onde a vida se desenrolava em sua forma mais autêntica.
Certa noite, eu e mais três pessoas, estávamos reunidos à beira do mar. Sentados na areia, sob o céu estrelado, conversávamos sem pressa. Ao nosso redor, outras pessoas também aproveitavam a noite, algumas delas visivelmente sob efeito de substâncias psicoativas. Mas nós estávamos ali, sóbrios e completamente presentes, entregues ao encanto daquela atmosfera.
Foi então que algo inexplicável aconteceu. No horizonte escuro, um ponto luminoso começou a se mover de maneira estranha. Não era como nada que eu já tivesse visto. Uma luz que piscava em cores diferentes, dançando no céu de maneira errática. Meu coração acelerou, uma mistura de medo e excitação tomou conta de mim. "É um OVNI!" – eu disse quase sem pensar. E naquele momento, não havia dúvida em meu coração.
Com uma lanterna que tínhamos em mãos, comecei a fazer sinais em direção ao objeto, tentando um contato, talvez ingênuo, mas cheio de coragem. No entanto, meus amigos começaram a se inquietar, o medo superando a curiosidade. Pediram para que eu parasse. E, embora meu coração também batesse acelerado de medo, uma euforia inexplicável me mantinha ali, desafiando o desconhecido.
Prometi que se a luz se aproximasse, correríamos. Mas ela não o fez. Continuou a sua "dança" misteriosa à distância, até que, sem aviso, desapareceu no vasto céu noturno. Ficamos ali, em silêncio por alguns instantes, cada um tentando entender o que havia acabado de presenciar. Eu sabia que aquela experiência ficaria marcada para sempre na minha memória.
Algum tempo depois, já de volta ao cotidiano, conheci um colega de trabalho chamado Robson, conhecido como Xixa. Para minha surpresa, ele era um verdadeiro estudioso do tema OVNIs e vida extraterrestre. Nossas conversas eram intensas, cheias de teorias e histórias que ele compartilhava com entusiasmo. Robson possuía uma coleção impressionante de materiais – revistas, livros, filmes – e, através dele, mergulhei profundamente nesse universo.
Foi essa imersão, somada à experiência inesquecível na Ilha do Mel, que me levou a escolher este tema para o meu trabalho. Porque, às vezes, são esses encontros inesperados – com o desconhecido e com pessoas que compartilham de nossas paixões – que nos guiam em direções que nunca imaginaríamos seguir.
Extraterrestre para além da Identidade Humana (Texto de 1997)
Sumário
A vida é algo precioso demais para passar despercebido. É necessário prover-nos de todas as informações a respeito da vida e assim faltam-nos explicações.
Na hora de escolher o tema do nosso trabalho, queríamos refletir, falar, escrever sobre algo profundo, que causasse impacto e gerasse polêmica. Afinal, somos seres complexos...
O tema além da identidade humana abrange tudo isso: esse questionamento sobre a nossa existência, essa busca de respostas no Universo.
Colhemos muitas informações em revistas, fitas e vídeos (coleção Planeta), na qual aparecem depoimentos de especialistas no assunto (Cientistas, Psicólogos, Biólogos, Físicos, etc.).
Fizemos debates e através do material e das discussões fluíram as ideias e conclusões; foi muito proveitoso para nós, houve uma ampliação de conhecimento e a sensação de que a vida é algo ainda maior.
O tema é para além da identidade humana; o objetivo do estudo é o Extraterrestre; mas por quê?
Porque se trata de um assunto envolvente e muito polêmico, ótimo tema para filosofar e debater.
Introdução
A busca do homem pela sua identidade... Incansavelmente nos perguntamos: Quem sou? De onde vim? Para onde vou? As respostas para essas perguntas são os espelhos da nossa identidade. Desde que nascemos (ou antes) nos circundam pontos de referência como nome, sexo, lugar, família a qual pertencemos, fatores culturais e outros.
Ao longo do nosso desenvolvimento aprendemos a utilizar muitas das nossas capacidades de modo consciente e, principalmente, inconsciente. Fôramos valores e crenças sobre o mundo de nós mesmos, definindo o modo como vivemos e interagimos com outras identidades. Plasmamos nossas reações, ações, direções, limites e capacidades, permissões e motivações, nossa missão e visão. Eu, profundo, superior, espiritual ou como você preferir chamá-lo. Enfim; nossa Essência.
Esta abordagem vai nos ajudar a explorar para melhor compreensão de nossa própria essência, nos proporcionando uma reflexão consciente dos nossos valores básicos e da necessidade desta busca incessante de nós mesmos.
Nesta análise estaremos abordando evoluções tecnológicas quando ao que diz respeito a evidências da existência de vidas inteligentes extraterrenas. Aprofundamos-nos apenas o suficiente para demonstrar a inevitável procura do ser humano pelo seu próprio ser. Estão acontecendo tantas coisas e tão rápido, como explicar isso? O homem já começa a se perceber dentro de um universo energético, vivo e sem fronteiras; nada é impossível. O homem se permite dar asas à sua imaginação...
Não seria o Extraterrestre o salvamento da humanidade? Ou quem sabe a revelação do nosso passado?Ou futuro? Um desdobramento de uma parte psíquica inconsciente para nos alertar a respeito do que há por vir? Será Deus?
De qualquer forma as pessoas estão mais preocupadas com o planeta, com o meio ambiente, ecologia, consigo mesmas. Parece que, enquanto não nos conhecemos perfeitamente, não seremos nada, um vácuo infinito.
O que é certo é que para continuarmos nosso crescimento interno precisamos dar passos externos. E cada passo que damos fora, tem que dar um dentro, rumo ao nosso interior. Não há como explorar vidas extraterrestres se ao mesmo tempo não nos explorarmos e nos tornarmos humanos mais integrados.
Parece ser além de uma necessidade, mas uma lei natural, que nos move rumo ao infinito e a cada descoberta, mudamos, querendo ou não. E a cada mudança de consciência, faremos perguntas que nunca pensamos antes fazer.
Enquanto não mudarmos a nossa maneira de pensar, o mundo não mudará.
Extraterrestre – O que de fato existe:
Diversas evidências se somam a cada dia, demonstrando a clara presença de entidades detentoras de uma tecnologia quase mágica.
Existem fotos e filmes que astronautas fizeram de OVNIS (objetos voadores não identificados) no espaço, que durante décadas permaneceram em absoluto segredo.
No vôo da Gemini 4, em 3 de junho de 1966, o astronauta James Mcdivitt tirou uma foto de um objeto no formato cilíndrico. Na Missão da Gemini 7, o astronauta Frank Borman viu objetos voando. Na Missão da Mercury 1, dia 20 de fevereiro de 1962, John Glenn tirou uma foto de dois objetos flutuantes. Na Missão Gemini 11, em 13 de setembro de 1966, Pete Conrad e Richard Gordon viram OVNIS junto à nave deles, eles a descreveram como sendo grandes e brilhantes. Na Missão Apolo11, julho de 1969, Neil Armstrong e Buzz Aldrin vira dois OVNIS em órbita da Lua. Os astronautas filmaram os objetos do Apolo 11 e avisaram o Centro Espacial de Houston, Texas, que OVNIS os acompanharam até a Lua. Muitos astronautas produziram filmes em suas Missões. Num dos filmes de James Mcdivitt, mostra a habilidade acrobática dos OVNIS.
Os astronautas viram tantos OVNIS que se tornaram parte do seu dia a dia. Mas devido a reservas, não puderam revelar isso ao público.
Um dos primeiros a quebrar o silêncio foi Bryan O’ Leary, que vem pela primeira vez falar da realidade das visitas extraterrestres; “O que sei através da minha experiência e de investigações científicas é que o efeito OVNI e muitos outros eventos são partes da realidade, por mais incríveis que pareçam” (1).
A maior ocorrência ufológica do século aconteceu próximo à cidade de Roswell no estado do Novo México, sul dos Estados Unidos. No início da noite de 2 de julho de 1947 durante uma tempestade, o fazendeiro e criador de ovelhas William W. Brazel, mais conhecido como Mac Brazel ouviu uma estranha explosão, diferente dos trovões convencionais,. O fato chamou sua atenção, mas somente no dia seguinte após amanhecer, é que foi verificar o ocorrido. Ficou assustado com o que viu; uma faixa de 50 metros de largura e 1 km de comprimento, cheia de pequenos pedaços de um estranho material. Também havia muitos bastões que lembravam madeira de bálsamo ou pau-de-balsa, com uma espécie de escrita desconhecida. Mac Brazel foi a cidade, 80 km da sua fazenda, avisar o xerife George Wilcox. Levou consigo uma caixa cheia do estranho material. Wilcox ligou imediatamente para a base aérea de Roswell (509° Grupo de Bombardeio de Força Aérea dos Estados Unidos).
Daí em diante começou uma operação grandiosa para levar os destroços para a Base Aérea de Wright Patterson.
Estava estabelecido o maior segredo de todos os tempos; os extraterrestres. No meio desses destroços havia 4 a 5 corpos de alienígenas mortos. Existem outros casos de quedas de OVNIS. Em 1948 no México, em 1952 em Aztec (Novo México), em 1953 em Arizona, mas nenhum repercutiu tanto como no caso Roswell, já que algumas pessoas envolvidas no caso falaram e confirmaram o acontecido.
Uma coisa é certa; o governo americano esconde provas irrefutáveis sobre o assunto: 86% dos norte americanos acreditam em extraterrestres e aqui no Brasil mais da metade da população acredita. Afinal, só na Via Láctea, no nosso sistema solar, há 50 milhões de estrelas.
No livro “Eram os Deuses Astronautas” por Erich Von Däniken, relata alguns mistérios no nosso planeta; mistérios que nos fazem refletir a respeito de civilizações antigas; como por exemplo, a alta tecnologia utilizada para construir as Pirâmides do Egito: Como? O homem conseguiria fazer aquilo naquela época? Embora os egípcios tenham sido muito cuidadosos registrando tudo o que fizeram, cada rei que tiveram cada guerra que lutaram e cada estrutura que ergueram, não há nada sobre eles construindo a Grande Pirâmide não só é a mais antiga estrutura da face da terra, como também a mais bem construída.
É toda feita de pedra e seu interior não foi preenchido com terra, como as da América Central. As Pirâmides de Gizé têm estimulado a imaginação humana. O ângulo de inclinação dos seus lados é de 54°54´. Sua base é um quadrado de 229 m de lado. Mas, apesar desse tamanho todo, é um quadrado quase perfeito – o maior erro entre o comprimento de cada lado não passa de 0,1% algo em torno de 2 cm,o que é incrivelmente pequeno. A estrutura consiste em mais de 2 milhões de blocos de pedra, cada um pesando de 2 a 20 toneladas. E quanto mais analisada, mais dúvidas temos, de como? A Estátua de Ramsés II, esculpida em uma só rocha com 1.200 toneladas e trazida 600 km para o Vale dos Reis, mas ninguém sabe como. Os Colossos de Menthon, 3500 anos atrás, 21 metros de altura, esculpidos em uma só rocha, cada um pesa 1.000 toneladas. Templos e imagens dessa grandeza às margens do Rio Nilo, também sem explicação.
No Museu Nacional do México está o enorme calendário Azteca; seu raio mede 3,5 metros, seu peso 24 toneladas, antigamente ficava no Templo do Sol em suas figuras mitológicas, eram os resultados de observações astronômicas, sem o uso de telescópios ou calculadoras, os astecas chegaram a combinar os períodos de rotação e translação atingido o mesmo número de dias do nosso calendário atual. Seria isto influência de uma sabedoria extraterrestre?
E o enigma da civilização Maia? Suas construções inteligentes: uma escultura gigante em forma de observatório, uma pirâmide com 4 escadas, cada uma com 365 degraus, na verdade é um calendário. E nas paredes das construções há desenhos de “Deuses Voadores”. Os Maias construíram cidades em homenagem a seus Deuses.
A Ilha de Páscoa, Ilha dos 1.000 enigmas, perdida no Oceano Pacífico a 4.000 km da Costa Chilena, ainda hoje os nativos a chamam de “Matequiterone”, ou seja, “olhos que olham para o céu”, a ilha anexa é a ilha dos homens pássaro, onde há esculturas gigantescas de homens com cabeças de pássaros. Hoje há 2.000 habitantes na ilha e nunca houve mais de 4.000, se isso for realmente verdade, não há explicação para o mistério da ilha, porque lá há várias estátuas gigantescas com mais de 20 metros de altura e mais ou menos 500 toneladas de peso cada sendo que para saber seu real tamanho é necessário cavar muito, pois só aparece o dorso delas, todas com a mesma fisionomia séria e carrancuda e todas exatamente iguais.
Os Moais, os Totens e tantos outros...
Em todo o mundo existem provas “literalmente” concretas de algo que ninguém explica. Tais mistérios indicam a presença de seres com extrema capacidade tecnológica.
Faz-se necessária uma reconstrução de idéias, um novo paradigma, transformações culturais dessa magnitude e profundidade não podem ser evitados. Não devem ser detidas, mas pelo contrário, bem recebidas, pois é a única saída para que se evite a angústia, um colapso e a mumificação.
“A consciência da humanidade cresce de acordo com o reinado da lei cósmica. Tudo evolui: a física, a química (Universo Evolucionário), tudo está envolvido nessa evolução e captamos, percebemos essa evolução através do pensamento, ou melhor da energia que envolve os pensamentos e as ações. A natureza não é estática, ao contrário,é dinâmica, é a chamada lei de “Ressonância Mórfica”.
Partindo do pressuposto que tudo é energia, poderemos dizer que o ser humano está sendo influenciado por pensamentos, que são ondas eletromagnéticas, de busca de algo que não sabemos o que é exatamente.
O amadurecimento da humanidade é visível, vai se tornando cada vez mais fácil de entender coisas difíceis, ao mesmo tempo vão surgindo mais dúvidas. A cada esclarecimento, novas possibilidades e novos questionamentos,
Método
Trabalho desenvolvido a partir de pesquisas; revistas, fitas de vídeo, depoimentos, jornais, entrevistas.
As entrevistas:
Diante das entrevistas que fizemos, observamos que o assunto extraterrestre abrange dois aspectos: o científico e o religioso.
O científico
É o que é concreto, palpável, o que na verdade existe, a verdade é que existe essa possibilidade da existência dos extraterrestres não só no universo (em outros planetas, galáxias, dimensões) como aqui na Terra, fato comprovado através de depoimentos, testemunhos, filmes, fotos, acontecimentos e monumentos inexplicáveis.
O religioso
É a sensação de mistério que tudo isto envolve; a própria Bíblia cita trechos que são estranhos na época. Como explicar certas passagens? Ou será que tudo o que se conhece sobre a história do Cristianismo é lenda?Mito? No nascimento de Jesus havia a estrela de Belém que aparecia logo acima do local de nascimento (inclusive os 3 reis magos a seguiram para encontrar Jesus). Como explicá-la se pelos astrônomos ela nunca existiu? É certo, que a Bíblia, há diversas interpretações, mas que dizer a respeito de “Há muitas moradas na casa do meu Pai”.
Temos através de revistas, muitas reportagens sobre a Bíblia e Ufologia, mas não nos aprofundamos por ser muito polêmico, complexo... Preferimos abordar essa busca de talvez, religiosamente falando, seria a “salvação”.
O Fato é que os religiosos aguardam a volta de Cristo para qualquer instante, os ufólogos também esperam ansioso um contato final com extraterrestres...
Realmente a Ufologia segue 2 linhas distintas; a científica e a mística, ambas válidas. O triste, o negativo é o fanatismo, explorar o que faz as pessoas procurarem esse assunto ou o que faz ignorarem tal. A busca é sempre de respostas.
Transcrição da entrevista com a professora Rita
(Sociologia/Antropologia) em 07/10/1997
Rita ““... Olha vocês têm que ver, lembra que a gente estudou Joseph Campbell, vocês lembram?...
Roberta, Eliana, Carla: Ih... , não sei, acho que não, não lembro...
Rita: Não sei, acho que a gente não viu... O Joseph Campbell é um estudioso de mitos, é americano, já falecido. Então, ele tem vários livros, um deles chama Poder dos Mitos, e tem umas fitas, mais legal para vocês, que fala (na PUC tem, vocês podem ir lá, reservar uma salinha que tem por lá, Chama o Poder e o Mito e vocês peguem a fita 2 que se chama O Mito e o Herói); aí ele irá dizer sobre Guerra nas Estrelas. O filme Guerra nas Estrelas foi feito a partir da orientação de Joseph Campbell, então ele fala toda a idéia de como que a gente necessita que os mitos precisam de um lugar desconhecido, um herói que vai a algum lugar, tem uma realização, além da capacidade de todo mundo e volta para redimir seu povo, esse lugar desconhecido na floresta, outras terras, o deserto, lugares... só que hoje não tem lugares desconhecidos, ele fala isso explicitamente, os lugares desconhecidos... É o espaço, então é no espaço que os mitos estão hoje acontecendo.
Eliana: E a Ufologia, ela realmente tem a ver com a Psicologia, ou nós estamos totalmente fora do tema?
Roberta: Você acha que a história, parte da Grécia, Egito, as pirâmides, que foram construídas, se tem, por exemplo, as mãos dele em alguma parte?
Rita: de extraterrestre? ... Acredita-se que sim, porém difícil é saber se realmente é fato ou se é imaginário nosso, temos ciência que existam fatos misteriosos ao homem, mas explicar tudo pela presença de um ser superior é meio incoerente, pode acontecer é que vivenciamos, podemos ter tido outras fases na história e não conseguimos explicar. Outro dia mesmo, eu estava vendo na televisão: no século passado desconhecíamos a presença dos dinossauros na pré-história, chamávamos essas criaturas de iguanodonte porque achavam que eram iguanas enormes, hoje através de estudos e pesquisas sabemos que habitaram a Terra a milhares de anos atrás... Só neste século que essas informações foram descobertas. Tem muita coisa ainda a ser desvendada pelo homem. Vamos pensar que você pode descobrir sobre civilização que desapareceu e idéias que desapareceram e...
Carla: Inclusive a gente pode perceber nessas explorações no fundo do mar, às vezes eles revelam imagens de peixes que a gente não acredita que existem...
Rita: ...que a gente não conhece então o conhecimento do homem é limitado. A gente não é o Deus ainda, né, pra conhecer tudo o que aconteceu e que vai acontecer, mas eu acho que é bem possível que tenha presença de extraterrestres, com certeza.
Eliana: É basicamente isso...
Rita: Vocês querem saber o que acho, se existe extraterrestre? Eu acredito claro!
Eliana: As questões fundamentais não são acreditar ou não, e sim entender o que as pessoas buscam.
Rita: Elas buscam isso, creio que também elas procuram uma ligação com coisas mais cósmicas, sabe, eu acho que a gente tá nesse momento, a inserção do homem numa coisa maior... Por que pensa bem no processo histórico: o homem num momento achava que a Terra era quadrada, achava que a Terra era o Centro do Universo, que o Universo todo tinha sido feito para o homem, não é isso? Todas as teorias pouco a pouco foram sendo eliminadas. A Terra não é quadrada, não é o centro do Universo, existem outras galáxias, então a gente acaba tendo a noção de que a existência do ser humano é infinita. A Terra é um ponto no Universo. É um planeta muito pequeno e “insignificante” diante do Universo. Então achar que só na Terra tem vida seria um etnocentrismo, é reeditar o etnocentrismo, achar que a sua..., nós é que somos importantes...
Carla: Mas você percebe que existe uma busca de um Salvador? Por exemplo: na visita do Papa recentemente, se reuniram 2 milhões de pessoas, foi emocionante, aquela ligação em torno do Papa, e pude perceber que ele estava exausto, cansado, não sei se tinha plena consciência do que estava acontecendo naquele momento. E as pessoas acreditam que ele está lúcido, que está entendo tudo que está acontecendo, que realmente é um representante de Deus e irá trazer a Paz, percebe que existe essa busca da pessoa incessante de que algo tem que acontecer de tão maravilhoso...
Eliana: Talvez até pela época em que estamos vivendo, a beira do místico ano 2.000 e aí por um lado muita esperança e por outro, dúvida. Dúvidas do que pode acontecer, será que o mundo irá acabar.
Rita: Tudo que veio da pós-modernidade, o desencantamento, a incerteza...
Eliana: Me lembro de uma aula que tivemos ano passado sobre imaginar o futuro: primeiro lindo, maravilhoso e depois negro, terrível.
Rita: Acho que tem a ver com isso. Mas essa busca de você, acho que é uma busca incessante do homem mesmo, é de buscar laços de solidariedade, de buscar algo que una as pessoas, sentimento de união, isso é uma busca.
Carla: Você acha que isso pode acontecer?
Rita: Acontece. Vários momentos. Com o Papa aconteceu, coisas que se une que fez com que as pessoas se sintam pertencentes a uma mesma sociedade. Vivemos numa sociedade muito fragmentada, é o esquema da pós-modernidade e isso gera angústia, porque diria lá o Durkheim: os laços de solidariedade são essenciais para a gente se sentir humano, fazendo parte de uma sociedade: então sempre buscamos isso e é reeditado através de tempos em tempos, numa sociedade indígena isso ocorre de outra forma, tem pajé, tem chefe, eles tem a verdade, eles dizem o que acontece, tem as épocas de festa, todo mundo participa das festas, como dançarino, não somente como expectador, mas como dançarino você participa você tem um papel, a sociedade é menor, então numa sociedade deste tamanho fragmentada, individualista, cada vez mais caminhando para o individualismo, as pessoas comem sozinhas, as pessoas falam na internet com gente que não conhecem. Então essa existência cada vez mais cerrada dentro da sala, ali, cada vez mais tem a necessidade de reeditar coisas que nos faça sentir solitários, crie aços de solidariedade, sem dúvida isso. Uma necessidade que temos.
Carla: Então você acha que tudo isso tem relação...
Rita: Então, por isso eu achei legal a visita do Papa, se você quer saber. Eu não gosto do Papa, acho ele conservador demais, reacionário. No entanto, acredito que a comoção do povo acaba por deixá-los mais unidos e isso é positivo. Se os católicos não “aparecerem” mais, a Igreja tende a perder espaço para outras crenças... Mas a Igreja hoje tem outra postura, tem uma instituição que está num outro nível, então, achei importante o católico resgatando seus valores, esse sentimento de bem, que não dá pra negar que são sentimentos bons. No Rio de Janeiro, 2 milhões de pessoas ali no aterro e sem problema algum de as pessoas irem, os idosos, as crianças e poder ir, poder participar e essa possibilidade de ver o Papa e não acontecer incidente nenhum, então apesar de toda a repressão da Polícia, aconteceu a visita sem incidentes algum e isso resgata o sentimento mais profundo das pessoas.
Roberta: Ontem eu estava assistindo no Jô Soares e a cantora Fafá de Belém chegou e deu um beijo nele dizendo que foi um sentimento enorme, ela adorou!
Rita: É, sabe por quê? Porque mesmo o Papa significa coisas para nós. São arquétipos. Coisas milenares que estão dentro da nossa cabeça, de um líder espiritual. Ele representa a igreja católica.
Carla: Eu acompanhei realmente, porque eu estava buscando alguma coisa, eu ficava preocupada se ele tinha consciência...
Rita: Eu acompanhei também.
Carla: E... Essa busca incrível, né, ela realmente existe, porque eu estava buscando alguma coisa, eu ficava preocupada se ele tinha consciência...
Rita: ele tem consciência, com certeza.
Carla: pra acreditar que aquilo tudo fosse real, entendeu? Que existia amor, que existia verdade, existia...
Rita: Ele é um líder mundial, por mais que ele esteja caquético...
Roberta: Ele é a pessoa que mais viajou pelo mundo inteiro.
Rita: Ele é um líder mundial e essa foi uma das maiores concentrações da história da igreja católica, foram um dos maiores públicos da igreja católica: foi agora no Rio de Janeiro. Então se você não ressalta essas atitudes boas, outras atitudes vão ser ressaltadas: a violência, o individualismo, a descrença, essa coisa de se “levar vantagem” aqui no Brasil, isso de querer burlar as regras, se você não resgatar as atitudes mais nobres, você dá espaço para atos negativos. Então certamente a visita do Papa resgatou sentimentos importantes: de solidariedade, de humanidade, mais transcendentais, coisas mais “cósmicas”, universais de ver o ser humano, não, Rita, eu lá na minha sala com meu computador última linha, com meu carro importado, telefone celular. Então saí desse nível material. Isso é legal, dá uma idéia do ser humano com uma ligação maior, então é legal. E a coisa de extraterrestres acho que vai no mesmo sentido. E qual a relação do ser humano com o Universo? Nós temos lá relação com o Universo. Então a minha vida se encerra com o telefone celular e carro importado...
Carla: Faz parte da nossa evolução.
Rita: É não que vamos chegar ao que eles são, mas acho que nós fazemos parte dessa história Universal. Nesse sentido o homem está deixando de pensar que ele é o único no Universo. É difícil você ver uma pessoa hoje que não acredite em vida em outro planeta. Já é certo que o homem não é o centro do Universo. Não somos deuses. Deus nos criou e muito mais.
Transcrição da Entrevista com o professor e psicólogo Sr. Miguel
Eliana: Gostaria de saber, em sua opinião, o que as pessoas buscam, sentem, pensam a respeito de extraterrestres, e, por exemplo, se faz diferença existir ou não. Ah, seria assim, qual o significado de se falar em extraterrestres para nossa subjetividade, o que representa para nós... O que mais ou menos o Senhor acha disso tudo?
Sr. Miguel: Bom, tem aí no mínimo dois aspectos: o primeiro é o científico que seria o ponto de vista seguinte: pelo número de galáxias, de estrelas que são milhões, bilhões podemos pensar em alguma galáxia em algum outro planeta existe vida inteligente parecida, semelhante a nossa. Então digamos que esteticamente, pensando em proporção do Universo, pode-se pensar que existiriam outras civilizações parecidas, diferentes, mas digamos com alguma característica viva. Existe, é um fato científico, em algum ponto do Universo, em algum planeta, deve ter vida nas mesmas condições que criaram aqui na Terra podem ter sido reproduzidas em algum outro ponto do Universo. Agora, o fato psicológico das pessoas acreditarem é uma questão que teria a ver com questões religiosas, estaria dentro do contexto das crenças, um salvador... Em outros mundos: são diferentes as pessoas que tem contato com os extraterrestres, aí eu separaria a crença, as civilizações, o extraterrestre de algum mundo, teoricamente, o fato de acreditar que aquilo existe e tomar contato como, por exemplo, este grupo que se suicidou na Califórnia pensando que entrariam para o outro mundo... Ou as pessoas que dizem que tem contato ou teve contato com extraterrestres, que tem relações sexuais com extraterrestre, que são raptados e voltam com conhecimentos estranhos. Tem um casal brasileiro que teve contato com um extraterrestre chamado “Karran” e estão dando cursos de algum tipo. Que aí teríamos que fazer outro tipo de interpretação porque ta falando que teve contato, que foi raptado, que recebeu aulas dos extraterrestres e ele ta reproduzindo esses cursos, então esse é um caso que deveria ser analisado muito criteriosamente, poderia ser um fato, poderia ser simplesmente um teste psicológico.
Eliana: Então no imaginário das pessoas seria como se fosse uma salvação para o planeta Terra, alguma coisa nesse sentido?
Sr. Miguel: Sim, tem a ver com uma questão religiosa, com outros níveis de consciência, com seres mais poderosos e essas são significações válidas para o ser humano.
Agora, o problema é quando você começa a ver os extraterrestres batendo na sua porta. Ai fica um pouco diferente, mas, por outro lado, estatisticamente eles podem existir no Universo, não como aquele ET que desceu no filme do Spielberg. Obviamente não necessariamente assim.
Eliana: Mas o senhor percebe uma crescente busca a respeito desse assunto, será pela época em que nós estamos vivendo ou uma preocupação maior.
Sr. Miguel: O Jung já falava dos discos voadores na década de 40, ele tem toda uma teoria a respeito disso, uma projeção de nosso inconsciente coletivo espécie de algum modo se manifestando como externo... É uma interpretação altamente psicológica, ele tem um trabalho especificamente sobre o significado dos discos voadores em termos de nossa consciência.
Eliana: O senhor então acha que a psicologia tem muito para colaborar nesse sentido, nesse assunto?
Sr. Miguel: Tanto para decifrar se essas pessoas que tem contato com extraterrestres são simplesmente psicopatas ou para ver o significado profundo desse desejo de transcendência Matices um pouco até dramáticas como no caso do suicídio em grupo agora na Califórnia ou aquele grupo que vão ao meio do mato milhares de seguidores esperar o descenso de uma nave, após não ocorrer, obviamente dizem que essa nossa energia não é o suficiente receptiva, que não estamos preparados.
Eliana: Ah, perfeito então!
Sr. Miguel: Tem aquele outro filme: Contatos Imediatos, é muita coisa para ver em termos destes filmes que eles um pouco tão refletindo, se vêem outro filme agora, Dia da Independência, é muito explorado, de fato ele tem muita força, mas essa força deriva da questão religiosa, mecanismos da transcendência, os arquétipos, o self como uma coisa superior e poderosa.
Eliana: Tá perfeito professor! Puxa!
Sr. Miguel: Ta perfeito Eliana? Eu vou tirar nota? Quanto?
Eliana: Muito importante sua opinião, acrescentou muito para nós.
Sr. Miguel: Perfeito, se precisar de mais alguma coisa me procura de novo.
Eliana: Muito obrigada.
Transcrição da entrevista com Robson “Xixa” (um apaixonado pelo assunto)
Eliana: Xixa sei que você tem muito para nos contar, mas gostaria que me desse apenas um resumo, uma ideia de qual sua opinião a respeito do que significa para a humanidade a existência dos extraterrestres, faz diferença, o que as pessoas buscam? Então Xixa, qual a sua opinião?
Xixa: É o seguinte, de tudo que li sobre a história antiga, a história egípcia, sumeriana, e até na Bíblia percebem a presença deles e como tudo foi feito, a genética, engenharia, se percebe, você lê numa Bíblia, aprofundando, pode-se notar a presença deles, e é isso que eu acho, tem que se resumir aí, eu não posso falar tudo.
Eliana: Mas aí é uma coisa ampla, você acha que envolve, até pelas conversas que a gente teve, envolve religião, envolve uma série de coisas. Agora, você resumiria, por exemplo, a busca, tem muitas pessoas que acreditam firmemente, essa busca é alguma coisa relacionada a uma falta que o ser humano tem de algo nesse sentido? Com religiosidade, esperança, o que você acha?
Xixa: eu acho o seguinte, o ser humano tem uma época de desenvolvimento, acredito que quando chegar, esse tempo de desenvolvimento acabar, a gente vai começar, a descobrir, muito, saber de tudo, a verdade, como tudo aconteceu, o projeto que foi criado na Terra, que eu acho, não vou dizer o Gênesis, O projeto Gênesis que foi criado aqui na Terra, por causa de todas as raças, se vê o negro, o branco, o amarelo, o vermelho, então você vê que foi um projeto criado, de várias raças, não podemos acreditar que fomos criados a imagem e semelhança a Deus. Porque nós temos 4 ou 5 raças no planeta, certo?
Eliana: Certo. E a quanto à psicologia, você acredita que está aqui para ajudar, colaborar nesse assunto importante?
Xixa: É lógico. E você vê, tudo é relacionado, todo fenômeno que acontece, é parapsicológico, tudo engloba Psicologia, porque você estuda um fenômeno que ocorre, qualquer coisa que acontece de mais “anormal” tendem a levar para o lado religioso. É difícil o ser humano aceitar que, por exemplo, uma criança possa subitamente colocar fogo em alguma coisa, levantar alguma coisa, tirar do lugar, sempre querem explicar através da religião, é difícil o ser humano aceitar, é porque não consegue desenvolver ainda.
Eliana: Certo, então isso faz parte da evolução do próprio homem, tudo isto que agente tá passando...
Xixa: Tem um estágio de evolução, vai demorar muito tempo ainda, vai começar a perceber, a pegar as coisas a fundo, a entender, entender um pouco o porquê das coisas.
Eliana: Então temos muito que conversar ainda, mas no momento, acho que seu depoimento foi muito importante, muito obrigada.
Transcrição da Entrevista com Roseli (psicóloga)
Carla: Você acredita em vida extraterrestre?
Roseli: Acredito.
Carla: O que te faz acreditar, qual a base que você tem para acreditar que eles existam? Quais as expectativas a respeito deles?
Roseli: Bom. Primeiro acho que o Universo é muito grande pra ter somente a Terra como um Planeta habitado. Segundo porque nós temos uma vida espiritual, e a Terra, no meu modo de ver, está em crescimento espiritual.
Certamente deve haver algum planeta ou outros planetas muito mais avançados do que a Terra: Inclusive estou lendo um livro do Rudolf Steiner, que é de antropologia, que fala do próprio desenvolvimento do ser, e que começou no Sol, na Lua, em Saturno... São várias formas, vários crescimentos, ele diz também da civilização de Atlântida e do desenvolvimento espiritual que eles tinham. Acreditam sim que exista! Hoje em dia de certa forma o próprio governo, não somente americano como o brasileiro e também de outros países encobrem determinados fatos sobre o assunto, pois eles têm muito mais contato e conhecimento do que a população.
Carla: Você acha que eles escondem isso?
Roseli: Sim, justamente para evitar pânico.
Inclusive eu fui numa palestra há uns cinco meses atrás sobre um ufólogo que é um especialista e existe um grupo de pessoas que tem contato com extraterrestres. E eles estavam falando daquele programa que tem na Rede Record, “Arquivo X” é uma forma dos americanos estarem utilizando ficção científica, mas informando a população sobre o que acontece. Como se fosse um preparo. Existem vários grupos no Brasil que fazem pesquisas, que tem contatos, que conhecem portais de travessia de energias.
Carla: O que você sente a respeito disso?
Roseli: Uma curiosidade muito grande, eu sou muito curiosa! Eu sempre tive paixão por isso, leio ficção científica, leio toda parte, vamos dizer que a espiritual em si, tudo que é espiritual, tudo que é de crescimento do indivíduo.
Eu acredito sim, que tenha outros planetas desenvolvidos. Porque para onde eu vou? De onde eu vim? Conforme a Márcia já disse para você, existe na religião espírita, a Capela, e nós somos exilados da Capela, como existe Capela, existem outros planetas também, muito mais desenvolvidos do que Capela. Então é desenvolvimento espiritual e tecnológico, também. Então realmente na minha visão eles estão até entre nós, isto se você for falar com estudiosos e se você avaliar, existem coisas que você nem sabe que acontecem. Tudo desconhecido e ao mesmo tempo é muito curioso. Tem grupos que eu conheço que tem contato com naves. Também tenho muita vontade de ir com eles no sentido de conhecer, que eu Roseli, de certa forma, sinto que não estou preparada energicamente. Então é todo um preparo realmente.
Carla: Você acha que o mundo acaba em 2.000?
Roseli: Não. Eu acho que o mundo nunca vai acabar. O que é o seguinte: você tem uma transição, uma passagem que você pode transitar quando morre. Vamos supor, acaba para você aqui na Terra, é o começo de uma nova fase em sua vida. É um desenvolvimento que você tem então aqui o que você já fez, já cumpriu sua missão e então vai para outra. Então tudo o que você tinha que aprender aqui na Terra, você já aprendeu.
Carla: Tudo isso é coordenado por um ser superior único? Você acredita nisso?
Roseli: Acredito.
Carla: E quem é?
Roseli: Tem um nome, “Deus”. Que é Universo, é um Deus que nós acreditamos que existe uma força maior que a nossa, essa força é infinita.
Carla: Você acha que essa consciência, em busca pelo desconhecido, tem a ver com algum processo interno? Acredita que o homem ultimamente está se voltando para si mesmo, que está percebendo que a vida vale muito mais do que o carro do ano? O que você pensa a respeito disso, essa coisa do materialismo e da solidariedade, da humildade? Você acha que está havendo uma mudança?
Roseli: Acredito que sim, pois estamos na era de Aquário, a própria era de Aquário é a era do futuro, é a era espiritual. Você está tendo um crescimento e uma grande preocupação pelo próprio desenvolvimento do indivíduo espiritual. As pessoas realmente estão procurando mais se conhecer, se respeitar, e ultrapassar os limites, é uma busca interior realmente. Porque o externo não está mais satisfeito então vem em busca interna, existencialista, quem sou eu, como indivíduo, como ser, como pessoa. O respeito que eu tenho que ter por mim, e o conhecimento das minhas capacidades que são infinitas.
Transcrição da Entrevista com Márcia; trabalha com Neurolinguística, na divulgação de cursos
Carla: Márcia, eu quero saber se você acredita em vida extraterrestre, e o que te faz acreditar na existência destes seres e até mesmo com inteligência superior a nossa, a do homem?
Márcia: Bom, eu acredito que sim, sou espírita e acreditamos em uma teoria, a doutrina codificada tem uma teoria de que nós, habitantes da Terra, somos exilados de um outro planeta que se chamava Capela e diante disso eu acredito que nós somos os únicos habitantes deste Cosmo, deste Universo. E quanto a inteligência ser maior ou superior a nossa, eu diria, eu acredito que realmente pode ser superior a nossa, inclusive porque nós começamos a habitar a Terra descobrindo o fogo, enfim daquela forma pré-histórica e que de algum lugar viemos e portanto pode existir sim outras formas de vida superiores. Acredito principalmente nisso. E além do que, tenho uma crença um pouco antiga, desde adolescência, de ler, de Erich Von Däniken, o livro “Eram os Deuses Astronautas”, e coisas tipo, e tem ainda muitos fatos que não foram cientificamente explicados, como os Moais na Ilha de Páscoa as Pirâmides do Egito... Eu realmente acredito que pode ser trabalho de extraterrestres.
Carla: E qual a tua expectativa em relação a esses seres?
Márcia: Aí que é engraçado, embora eu creia nisso, eu não crio expectativa, eu não fico por aí buscando OVNIS, nada disso. Eu acho que um dia estas várias pessoas já fizeram este contato, acredito nisso também, mas não tenho nenhuma expectativa, acredito que um dia qualquer na Terra pode acontecer como o que aconteceu com Capela e os evoluídos daqui vão sair para outro lugar, aquele que não evoluiu, irá enfim, habitar um outro planeta também começando de uma forma primitiva e quem sabe aí nesse momento de transição a gente cruze com estas outras vidas inteligentes. Mas expectativas mesmo, não têm nenhuma em relação a isso. Eu acho que o Caminho do Cosmo é que vai mostrar. E não penso muito a respeito disso.
Carla: Independentemente da crença que possa existir você percebe que existe uma busca incessante e constante do homem, ele parece buscar algo mais. O que leva o ser humano a esta busca? Porque ele não está satisfeito?
Márcia: Aí... Eu acho que é aquela velha história: de quem sou eu? Aquilo que de vez em quando a gente brinca? De ser ou não ser, de Hamlet e tudo mais. Eu acho que é a busca do porque a gente tá aqui. A busca do porquê da essência da vida humana e é por isso que o ser humano está sempre em busca da normalidade, de experiências, na verdade, é por isso que existem tantas crenças.
Resultados das Entrevistas
Entrevistamos cinco pessoas (Professora Rita, Professor Miguel, Robson “Xixa”, psicólogas Roseli e Márcia).
As Entrevistas foram super interessantes e importantes, porque nos faz pensar a respeito da vida num sentido maior, mais profundo.
A professora Rita abordou o lado heróico, precisamos de alguém de fora, superior, que possa salvar, “necessitamos que os mitos precisam de um lugar desconhecido, um herói que vai a algum lugar, tem uma realização, além da capacidade de todo mundo, e volta...”.
É certo que o homem já sabe que não é o Centro do Universo e que há nas possibilidades, novas formas de vida.
O professor Miguel explicou os dois caminhos que essa busca representa: o científico e o religioso. Reforçou que a necessidade do ser humano acreditar em inteligências superiores é a necessidade da salvação, existe a forte presença da busca religiosa.
Já o Robson afirma o lado científico, de que extraterrestre existe de fato e caminharemos em busca da verdade, que um dia tudo se esclarecerá. O lado religioso existe para confundir e conformar as pessoas (tudo que não tem explicação é de Deus, é milagre... e ninguém contesta isso, ninguém quer enfrentar a realidade, temos muitos mistérios para desvendar).
Roseli tem uma visão de crescimento espiritual, na qual esse assunto se encaixa. Trata-se de uma evolução espiritual. Existe uma transformação e uma ordem que a Terra se encaixa. Ela acredita e até conhece pessoas que foram contatadas (abduzidas).
Márcia também denomina essa busca como um crescimento espiritual, que caminhamos para outras etapas a fim de entender muitos mistérios. Faltam respostas e queremos saber, e a busca é fundamentalmente essa, a verdade.
As entrevistas nos comprovaram que realmente o homem busca algo...
Foi muito proveitoso, certificou-se que até num “bate Papo” há aprendizado. Ficou a certeza que estamos constantemente aprendendo. E aprendemos muito com essas entrevistas, mostrou-nos, por exemplo, que a vida é algo maior do que aquilo que vivemos... A vida envolve termos complexos que não nos permitimos questionar e esse trabalho nos deu essa oportunidade.
Foi uma oportunidade de ampliar o raciocínio.
Foi gratificante.
Análise
Precisamos ainda de explicação sobre o ser humano, entender a mente humana, desvendar o que ninguém conseguiu atingir, pôr em uso toda capacidade mental. Aliás, usar toda capacidade mental vai além do nosso entendimento. Precisamos de seres que vão além da capacidade Humana, para nos explicar e nos ensinar “nós mesmos”.
Se “eles” forem mais evoluídos talvez nos decifrem.
Precisamos de professores que vão além do humano, para nos mostrar como é ser humano (a nossa inteligência, a nossa capacidade, o nosso poder), não sabemos utiliza-los. Por quê?
A capacidade mental é complexa, inexplicável e ainda não utilizada totalmente, mas que sabe se usarmos o inconsciente conscientemente, ou melhor, tornar tudo o que captamos, percebemos em consciência.
Essa divisão consciente e inconsciente serve para nos proteger contra nós mesmos... Afinal, se não fosse assim, seríamos bombardeados com muitas informações e também outro detalhe, a repressão, os mecanismos de defesa, como ficariam? É, pensando bem, não temos ainda moral, estrutura para agüentar isso. Talvez seja por isso que a genialidade está a um passo da loucura e o amor a um passo do ódio.
É complicado... Evolução, seleção natural, palavras que não saem da minha mente. A evolução e a seleção natural são necessárias, é a transformação para que possamos passar para outro estágio.
Tudo se transforma, tudo é movimento, tudo deve ser aproveitado, porque agora não volta mais, já é passado, cada momento é único.
“Toda criança deseja explorar o Universo porque há um reconhecimento inconsciente de que o Universo é nossa fonte e que pertencemos a algo maior além do nosso mundo físico e ambiente imediato”. Todo ser humano olha para as estrelas a noite e se pergunta se existe algo lá que possa ser contatado, que nos ajude a entender o mistério da vida e o sentido de nossa existência.
A consciência é ilimitada. Temos muitos níveis de consciência, por exemplo, podemos pensar. Isso é um tipo de consciência. Podemos sentir emocionalmente, e esse é outro. Existe ainda a consciência que ultrapassa o corpo físico. Nossa consciência, nossa centelha de vida que levamos durante a existência, não acaba quando o corpo morre, nem está presa ao corpo. Por exemplo, quando se dá conta, sua consciência transcendeu. Quando ama, quando está ligado a pessoas da família ou a pessoas do outro lado do mundo sua consciência se estende além do reino físico e discerne melhor. Temos um sistema chamado reticular ativador do cérebro e quando passamos por algo novo, ele grava isso.
Não sabemos por que conhecemos algo, mas o cérebro está gravando o que está acessando em mundos invisíveis. Essa é a parte poderosa do potencial humano. Pertence a cada um de nós. “Toda criança tem, se pensar nisso, saberá que às vezes sente e reconhece coisas que estão além dos limites do corpo físico e essa sua consciência universal, que viaja com você mesmo além da morte do seu veículo humano”.
O que será do nosso futuro? É o que aconteceu no passado? O que é o ser humano? O que ele quer? O que precisa? Em que acredita?
Algumas pessoas acreditam firmemente em vidas em outros planetas e que seres de outros planetas já estejam por aqui, nos visitando e quem sabe vivendo entre nós. Outras pessoas não acreditam. Não tomamos partido se esses seres existem ou não, se acreditamos ou não. Tentamos entender a necessidade humana de expandir sua consciência nessa busca incessante de algo mais.
Há pouco tempo atrás, o homem nem imaginava o que vivenciamos hoje, a alta tecnologia, microcomputadores avançadíssimos, máquinas potentes, carros velozes, satélites, aviões supersônicos.
Aconteceu tanta coisa e tão rápido, como explicar isso? O homem começou a pensar que não há barreiras entre o Universo, nada é impossível. Os extraterrestres são só a ponta do iceberg.
O que significa o ano de 2.000? Para algumas pessoas é a esperança, alegria, para outras a incerteza, o medo, quem sabe o fim do mundo?
São dois caminhos distintos, como tudo na vida, os dois lados existem e são distintos sempre. Os extraterrestres também, para algumas pessoas, a salvação, mudança para melhor, proteção. Para outras a destruição. A história pessoal e social de cada um é que vai definir o que a pessoa espera.
O certo é que é mais fácil falar do outro do que de si próprio. É mais fácil alucinar sobre o externo, no caso extraterrestre, do que encarar, desvendar, nós mesmos.
Depois dizem que tememos o desconhecido...
...o curioso é que o desconhecido somos nós mesmos.
Sabemos que não somos completos, há espaços em branco, lacunas que não foram preenchidas e cada um procura preencher de acordo com suas necessidades, materiais ou espirituais, é certo que existe uma busca, nós aqui buscamos conhecimento para tentar saciar essa sede de curiosidade.
Conclusão
Ideologia e Realidade
Alguns fatos mudaram a vida da humanidade como, por exemplo, a chegada da era atômica. O século XX ruma notadamente para uma transição, mudanças visíveis como revoluções, guerras, bombas, alta tecnologia, com falso progresso ou pseudo progresso (o verdadeiro progresso é aliar o homem à natureza e não destruí-la. A harmonia é primordial).
A chegada da destruição é vista claramente.
O século XX tem sido altamente explorado. Muitas descobertas, mas há muito mais para se saber. O processo, o caminho é justamente a expansão da consciência para se entender muito mais. Permitir-se quebrar ou penetrar na verdadeira razão de estarmos vivos.
A ideologia determina que sejamos os únicos no Universo. Somos o soberano, o ser mais inteligente, o único capaz, o centro de todas as atenções.
Quem sai fora dessa ideologia dominante é taxado de Louco, sonhador... Somos obrigados a pensar como a maioria pensa, ou seja, ao contrário do que queremos, ao invés de sermos “superiores” acabamos sendo “medíocres”.
Por que fechar os olhos e fingir que nada acontece? “Acontecem sim” As pessoas estão buscando um ideal, algo que as conforte, elas só acreditam e só buscam o que querem muita coisa que parecia impossível já aconteceu ou está acontecendo, como exemplo vemos as pessoas se comunicarem por telefone, fax, computador (com o mundo todo ao mesmo tempo, instantaneamente. A nossa realidade é muito confortável,o presente se torna passado cada vez mais rápido e o futuro chega numa velocidade absurda. Por que não dar asas à imaginação e se ver num futuro, não muito distante, se comunicando (por meios de comunicação ou telepaticamente) com outros planetas? Por que não se ver no futuro viajando (de férias) para a Lua ou Marte ? No Epcot Center, Disney World, já tem toda história a respeito disso (viagens espaciais, comunicações com outros seres) como sendo parte das nossas vidas.
O uso da tecnologia nos impulsiona para o futuro mais rapidamente, mas nos traz algumas sugestões no sentido do caminho que o homem se dirige (sabendo ou não) pela autodestruição.
Por quê? Se tivermos tudo para sermos felizes... Se buscarmos satisfação, alegria, entendimento e, no entanto, o próprio entendimento traz dor e sofrimento, é contraditório, o próprio organismo luta pela sobrevivência, cheio de intenções positivas, e o que percebemos é um mundo que está caminhando para o caos: ganância, poder, luta, corrupção, guerra, fome, destruição da criação de Deus (o meio ambiente, a natureza, os animais).
Aí as boas intenções organísticas vão por água abaixo diante de tanta tristeza... É inevitável citar essa realidade contrastante, porque afinal o homem busca alguma coisa melhor do que ele oferece? A verdade é: quase sempre ele busca e não oferece nada. Por que será que o homem quer explorar outros planetas?
As super potências tem planos de habitar outros planetas porque não sabem até quando a Terra vai agüentar... parece loucura isto, não é?!. Mas é a pura realidade. A busca de outros planetas é extremamente importante para os países avançados, exige até uma competição para saber quem pode mais, enfim, esta busca é o interesse de habitar outro planeta, porque aqui no nosso planeta, todo mundo faz o que quer e vai chegar uma hora que terá um resultado, toda ação provoca uma reação, é a lei de causa e efeito.
Até quando a Terra agüenta? Depois de “acabarmos” com tudo aqui teremos outro planeta para explorar (esse comentário não é de revolta, é uma suposição da realidade).
“O espaço oferece crescimento ilimitado”. Não se pode impedir uma forma viva de crescer. As pessoas precisam crescer e ter espaços, novas fronteiras e abertura de espaço oferecem isso. A Lua e Marte como novos ambientes de vida oferecerão esperança para gerações futuras por muitas décadas, para continuarem a crescer. Do contrário a Terra ficará restrita e teremos de parar totalmente de crescer, senão nos destruiremos junto com o meio ambiente. “E não acho que o propósito de parar de crescer seja aceito por uma forma viva, inclusive os humanos”.
Podemos dizer que a busca científica se refere à compreensão da complexidade do ser humano. Se realmente existem seres superiores a nós, talvez não superiores, mas capazes de usar totalmente a inteligência, então queremos saber como fazer isso. Com o poder da mente podemos extrair energia do Cosmos, pensamentos é energia e esta energia influencia a matéria. Sayed Baba é capaz de materializar e desmaterializar objetos a mão, é difícil de aceitar algumas realidades como levitação, telepatia, materialização, mas são fatos e não questionados pelas pessoas porque a nossa compreensão disso tudo é muito limitada, também não interesse no “sistema” de sabermos muita coisa como, por exemplo, curam de doenças (câncer, AIDS), fenômenos com extraterrestres, outro tipo de energia elétrica que não custaria nada a população e por ai vai... Apenas seguimos a ideologia. Há grandes cientistas que já descobriram e ainda estão descobrindo muitas coisas fantásticas, inimagináveis, mas infelizmente não chega até nós, não há interesse nisso.
Rodamos, rodamos e chegamos sempre no mesmo lugar. A questão é: de onde viemos, para onde vamos, quem somos?
Desde que nascemos, ou melhor, antes disso, nos questionamos. Andamos em círculos sem achar respostas e é exatamente isso que talvez nos deixe incompleto, com espaços em branco. Na ânsia de querer preencher estes espaços, buscamos respostas. Desde a antiguidade, tudo aquilo que acontece que não tem explicações é denominado milagre, ninguém explica, é coisa de Deus.
Nessa busca incessante de “algo” parece ser até inata ao homem. A religião é importante porque ela dá sustentação ao homem, ele se apóia muito nisso, ele precisa acreditar.
A busca do externo é mais fácil do que a interna, tendemos a projetar nossas percepções nos outros, é mais fácil falar do outro do que de si próprio. O tema extraterrestre não foge a regra, tem gente tentando explicar tudo a respeito.
Como?
“A única coisa mais importante que pode nos ser individual e coletivamente é ajudar a curar a ferida humana que é a de estarmos separados de tudo que é poderoso, de tudo que está além do nosso alcance individual”.
Para que nossa espécie evolua, precisamos dissolver a ilusão de separação. Sheldrake nos deu um vocabulário que fala de nossa ressonância inata, além da diferenciação de espécies e que incorpora a consciência cósmica. É algo de que falo muito no meu trabalho, pois descobri que não só temos um DNA físico que oferece a cópia de nosso veículo físico de consciência, mas temos um DNA emocional e um DNA espiritual que nos coloca nesta existência. A ciência ainda luta com o que é invisível, mas quando reconhecemos o que eu chamo de essência e Sheldrake chama de ressonância, começamos a poder articular aquilo que não é percebido e utilizado, porque, se entendêssemos o DNA emocional poderíamos começar a escupi-lo para, selecionarmos com sabedoria e graça apenas impressões que facilitam a evolução de nossa espécie. Ao usarmos as faculdades de ressonância podemos começar a reconhecer conscientemente que comungamos com outras espécies e que as influenciamos porque isso acontece. Sejam elas civilizações que vêm até nós, do espaço, ou seja, de dentro.
Existe até civilização no interior da estrutura do Planeta Terra. Há uma oportunidade infinita para praticar a ressonância. E ressonância significa nos tornar conscientes de nossas vibrações para que sintonizemos uma troca de matéria de DNA, matéria ou material consciente que é algo além do que vemos nos nossos microscópios, atuais aparatos físicos analisam a vida. Afinal, a vida está muito além das partículas que podemos ver com nossa tecnologia.
A questão é...
O que significa estar vivo? Vivemos!
“Vivemos numa realidade maravilhosa que nos possibilita “escolher” caminhos, “buscar” respostas, pensar, crescer, transformar-se.”.
É muito importante concentrar-se no “eu” interior, só assim melhoramos o exterior, ou seja, antes o nosso próprio conhecimento, sentir-se bem, feliz, e em paz e enfrentar as feras dentro de nós também, saber lidar com seu próprio “Ser” e surpreendentemente de dentro pra fora irradiará energia. Essa energia é benéfica para o Cosmos, assim temos o poder de influenciar.
Mos os outros positivamente, temos o poder de influenciar o Universo. As nossas intenções fazem parte da evolução universal. Não somos simplesmente mais um e sim parte de um todo que é o Universo.
Estudei dois anos e meio à noite e, após uma mudança de trabalho, mais dois anos e meio pela manhã.
Matérias no 3º ano: Dinâmica de Grupo e Relações Humanas; Psicologia do Escolar e Problemas de Aprendizagem; Psicologia Experimental II; Psicopatologia Geral e Técnicas de Exame Psicológico.
Matérias no 4º ano: Didática; Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental e Médio; Prática de Ensino de 2o Grau sob forma de Estágio Supervisionado; Psicologia da Indústria; Psicologia do Excepcional; Teorias e Técnicas Psicoterápicas; Pesquisa em Psicologia e Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso). Finalização do Bacharelado - Formatura.
Nessa época, começaram os estágios e as pesquisas para apresentação da Monografia — a parte prática do curso, onde pude, de fato, viver a Psicologia fora dos livros. Consegui conciliar estágio, trabalho e estudo, mas foi um período extremamente puxado. A vida social praticamente desapareceu. Meus dias eram tomados por responsabilidades. Havia uma certa solidão, sim, mas também um sentido profundo: eu estava construindo algo que fazia meu coração vibrar.
Matérias no 5º ano: Ética Profissional; Estágio Supervisionado em Técnica de Aconselhamento PS; Estágio Supervisionado de Psicologia Clínica; Estágio Supervisionado de Psicologia Escolar; Estágio Supervisionado de Psicologia Industrial e Estágio Supervisionado em Orientação Vocacional e Profissional. Finalização da Formação Plena/Clínica - Formatura.
Quando entrei na faculdade, acreditava que seguiria os passos de Freud. No ensino médio, tive aulas de Psicologia e meu professor era apaixonado pela Psicanálise. Aquilo me encantou profundamente: os conceitos do inconsciente, os mecanismos de defesa, os sonhos e, principalmente, a hipnose — tudo parecia mágico e revelador. Mas, com o passar dos semestres, outras abordagens foram se apresentando e mexendo comigo. A Humanista, especialmente a Gestalt e a Abordagem Centrada na Pessoa, tocou algo muito íntimo em mim. Também me senti profundamente impactada pelas ideias de Jung e Reich. Era como se, ao conhecê-los, pedaços de mim fossem se revelando.
Brevíssima síntese das abordagens psicológicas:
Psicanálise
Criada por Sigmund Freud, a Psicanálise é uma abordagem que mergulha nas profundezas do inconsciente humano. Ela entende que muitos dos nossos comportamentos, sentimentos e conflitos têm raízes em experiências passadas — especialmente da infância — que foram reprimidas e esquecidas. Através da escuta atenta e do acolhimento, o terapeuta ajuda o paciente a trazer à consciência esses conteúdos ocultos, permitindo que a pessoa compreenda suas dores, desejos e repetições inconscientes. É um processo que exige tempo, mas que pode promover uma transformação profunda.
"A mente humana é como um iceberg, flutuando com uma pequena parte acima da água e uma grande parte abaixo dela." (Sigmund Freud)
Behaviorismo (ou Comportamental)
Essa abordagem foca nos comportamentos observáveis e nas formas como eles são aprendidos ou condicionados através de estímulos e respostas. Baseada em estudos experimentais, ela procura modificar comportamentos disfuncionais por meio de técnicas específicas, como reforços, punições e dessensibilização. Embora tenha grande valor em muitas áreas, como no tratamento de fobias e transtornos de ansiedade, confesso que me causava desconforto quando envolvia práticas com animais, especialmente quando havia privação de necessidades básicas, como no caso dos ratinhos que estudávamos no laboratório.
Humanista (Gestalt e Abordagem Centrada na Pessoa)
A Psicologia Humanista vê o ser humano como único, íntegro, em constante crescimento e transformação. É uma abordagem que acredita no potencial de auto realização e na capacidade de escolha consciente.
Na Abordagem Centrada na Pessoa, desenvolvida por Carl Rogers, o terapeuta oferece empatia genuína, escuta ativa e aceitação incondicional. É uma relação terapêutica baseada no encontro humano, que permite à pessoa se reconhecer e se fortalecer para tomar as rédeas de sua vida.
Já a Gestalt-terapia foca no "aqui e agora", na tomada de consciência sobre como a pessoa se relaciona com o mundo, com os outros e consigo mesma. Trabalha muito com as emoções, o corpo, as expressões e as experiências do presente, incentivando o autoconhecimento e a responsabilidade pelas próprias escolhas.
Transpessoal
Essa abordagem amplia a visão do ser humano para além do ego e da mente racional. Ela considera também as dimensões espirituais e existenciais da vida. Inspirada por autores como Jung, Maslow e Stanislav Grof, a Psicologia Transpessoal acredita na busca de sentido, na conexão com algo maior, e no despertar da consciência como parte essencial do processo terapêutico. Trabalha com meditações, sonhos, estados ampliados de consciência e práticas integrativas.
Experiência com Ayahuasca
Eu estava na faculdade, entre o quarto e o quinto ano de Psicologia, e, como sempre, buscando experiências para me conhecer mais, numa fase intensa de buscas internas. Sentia uma vontade profunda de me conectar com algo maior, de atravessar as camadas da minha consciência e acessar o que estivesse além do que os olhos podiam ver. Era como se algo dentro de mim chamasse por uma experiência espiritual mais viva, mais visceral. Foi assim que comecei a procurar vivências xamânicas — queria muito participar de uma tenda do suor, o Temazcal, mas infelizmente não encontrei nenhum grupo que realizasse naquele momento.
Foi então que surgiu a oportunidade de participar de um ritual do Santo Daime. Me interessei. Algo naquela proposta me tocou. Antes de tudo, passei por uma entrevista e anamnese, na qual me explicaram como o ritual funcionava, o que eu poderia ou não comer nos dias anteriores, qual roupa deveria usar e a importância de manter um propósito claro e respeitoso diante da força do “chá”.
No dia marcado, fui sozinha até um sítio em São Lourenço da Serra, onde aconteceria a cerimônia. Ao chegar, fui recepcionada pelos “fardados” — como são chamados os integrantes da doutrina que usam trajes específicos, uniformes cerimoniais. Todos me trataram com cordialidade e respeito, mesmo sendo uma iniciante. O ambiente já carregava uma energia mística e sagrada, difícil de explicar em palavras.
Naquela noite participei do ritual chamado “Concentração”. Ficamos sentados, em silêncio, num estado de atenção profunda. Tomamos o chá — a ayahuasca — que tinha um gosto amargo quase insuportável. Enquanto alguns choravam, tremiam, corriam, caíam no chão ou tinham reações visivelmente intensas, eu… não senti nada. Absolutamente nada. Meu corpo e mente permaneceram inalterados, como se eu estivesse apenas observando o que acontecia ao redor, de fora.
Mas minha curiosidade e desejo de vivenciar aquilo de forma mais profunda não cessaram. Decidi voltar para um novo ritual, dessa vez durante a Lua Cheia. E foi aí que tudo começou a mudar. Algo dentro de mim se abriu. Senti como se meus sentidos estivessem mais aguçados, mais vivos. A audição parecia captar sons mais sutis, o olfato distinguia aromas quase imperceptíveis, e a visão se tornava mais nítida, mais ampla. Era como se um véu tivesse sido retirado dos meus olhos. A sensação era boa, quase mágica — uma consciência expandida, um mergulho delicado no invisível.
Encantada com a experiência, resolvi participar de outro ritual, agora no Dia de Reis. Era um ritual muito bonito, com músicas lindas (eles tem hinários específicos para cada ritual) e com muito bailado (falou em dança, é comigo mesmo! rsrs). E, meus amigos… é difícil descrever o que vivi naquela noite. Foi arrebatador. A força do chá me atravessou como uma tempestade. Tudo se intensificou: a audição captava sons que não estavam sendo emitidos ali, a visão parecia enxergar além do físico — formas, presenças, símbolos. Minha intuição explodiu, como se eu tivesse acesso direto a conhecimentos que nunca estudei. Era como adquirir, de repente, uma espécie de “superpoder”.
Mas não era só isso. As emoções também se amplificaram de forma quase insuportável. Se eu sentia medo, era um medo avassalador. Se vinha o amor, era um amor cósmico, imenso, arrebatador. Não havia meio-termo. Era tudo ou tudo. Em determinado momento, comecei a ter vômitos e diarréia — reações comuns nesses rituais, conhecidas como “purga”. Uma fardada ficou ao meu lado durante todo o processo, me amparando com paciência e cuidado. Na primeira vez que vomitei, tive a nítida sensação de estar colocando para fora dores antigas, traumas, emoções mal digeridas. Como se estivesse limpando minha alma.
O ritual durou aproximadamente doze horas. Em um determinado momento houve uma pausa e, como se estivesse tomada por uma força superior, comecei a dizer para a moça ao meu lado algumas coisas que, surpreendentemente, se concretizaram logo depois. Eu não fazia ideia do que aconteceria, mas parecia saber, de alguma forma.
Em meio à força daquela vivência, me vi querendo “voltar ao normal”. A intensidade era tamanha que minha vontade era simplesmente sair dali, fugir daquele estado. Mas não conseguia. O corpo não respondia à minha vontade. Em certo ponto, tentaram me convencer a tomar mais uma dose do chá, dizendo que isso me ajudaria a “fechar o processo”. Relutante, acabei aceitando, mas a sensação de estar sem controle sobre meu corpo continuou, como se eu tivesse mergulhado num oceano profundo sem saber nadar.
Quando o ritual terminou, todos pareciam estar bem, voltando gradualmente ao estado habitual. Eu também fui melhorando, mas ao chegar em casa, meu corpo e minha mente estavam exaustos. Dormi por mais de doze horas seguidas. Era como se meu cérebro tivesse trabalhado em intensidade máxima e agora implorasse por repouso. Até hoje, acredito que a ayahuasca provoca uma espécie de “descarga mental” profunda, que exige do organismo um tempo para se recompor. Não tenho base científica para afirmar isso, mas é a impressão que ficou.
Curiosamente, eu já havia participado de outros rituais antes, mas nada se comparou à força avassaladora dessa última experiência. Foi tão intensa, tão transformadora — e ao mesmo tempo tão desafiadora — que decidi não voltar mais a tomar o chá.
Essa experiência ficou marcada em mim como uma travessia. Não me arrependo, aliás, sou grata por ter tido essa experiência, mas compreendi meus limites. Às vezes, tocar o mistério tão de perto pode ser mais do que estamos preparados para suportar.
A Parábola da Caverna de Platão
Em um mundo subterrâneo, existia uma caverna onde prisioneiros estavam acorrentados desde o nascimento. Suas correntes os mantinham imóveis, obrigando-os a olhar apenas para a parede da caverna. Atrás deles, havia uma fogueira, e entre o fogo e os prisioneiros, pessoas passavam carregando objetos que projetavam sombras na parede. Para os prisioneiros, aquelas sombras eram a única realidade que conheciam.
Um dia, um dos prisioneiros conseguiu se libertar e, com dificuldade, subiu até a saída da caverna. Lá fora, foi ofuscado pela luz do sol e inicialmente sofreu, mas aos poucos seus olhos se adaptaram, e ele viu o mundo verdadeiro: montanhas, rios, árvores e o céu azul. Descobriu que as sombras na parede eram apenas ilusões.
Comovido por sua descoberta, ele retornou à caverna para libertar seus companheiros e contar-lhes a verdade. No entanto, eles zombaram dele e se recusaram a acreditar. Para eles, as sombras eram a única realidade.
Moral da História:
A "Parábola da Caverna" nos ensina que o conhecimento é um processo de iluminação, que exige coragem para abandonar antigas crenças e enfrentar a verdade, mesmo que ela seja desconfortável. Muitos permanecem na escuridão por medo ou resistência, mas o verdadeiro conhecimento é a libertação.
Terminando a faculdade …
No último ano da faculdade, eu já havia amadurecido a decisão de seguir pela linha humanista, ainda que não soubesse com exatidão qual caminho trilhar. Escolhi me aprofundar na Gestalt, e meu estágio final foi justamente nessa abordagem. Me formei e, logo em seguida, comecei a clinicar; aliás, nunca deixei de clinicar, desde a minha formação.
Sobre o Atendimento Psicológico
Há alguns anos atrás, fiz um pequeno vídeo divulgando a Psicoterapia (era uma “portuguesinha” falando dos benefícios da Psicoterapia). Ela diz o seguinte:
“ … É fantástico existir um tratamento cujo remédio são as palavras. Palavras que estão associadas ao pensamento, sentimento, sensação, emoção, ou seja, palavras poderosas. Palavras que traduzem quem somos nós e como está nossa vida. Por falar em palavras, uau! Caberia tantas aqui! Quer saber mais sobre si mesmo, faça psicoterapia.”
Você já parou para pensar no quanto, muitas vezes, silenciamos nossas dores, dúvidas e inquietações por não encontrarmos um espaço onde possamos simplesmente... ser?
O atendimento psicológico é muito mais do que apenas conversar. É a oportunidade rara e preciosa de falar sobre você, sobre seus sentimentos, pensamentos, experiências, medos e desejos — sem julgamentos, sem críticas, sem o peso de estar certo ou errado. É um espaço seguro, acolhedor, onde suas palavras ganham voz e, mais do que isso, sentido.
Na psicoterapia, você é convidado a se ouvir de verdade. Ao colocar para fora aquilo que muitas vezes permanece escondido, você começa a se escutar de um jeito novo, mais atento, mais cuidadoso. E, nesse processo, descobre possibilidades para compreender melhor suas emoções, ressignificar suas experiências e alinhar aquilo que pensa, sente e faz.
É como olhar para sua própria vida com novas lentes — mais nítidas, mais honestas, mais amorosas. Aos poucos, você percebe que aquilo que parecia confuso começa a fazer sentido. Situações que antes geravam angústia passam a ser vistas sob uma nova perspectiva. Você se fortalece, aprende a se posicionar, a se proteger, a se valorizar.
A psicoterapia é, acima de tudo, um convite ao autoconhecimento. E quem se conhece, se cuida melhor. Quem se compreende, desenvolve recursos internos para lidar com os desafios do dia a dia — sejam eles pequenos desconfortos ou grandes crises.
Não é mágica. É um processo. Um caminho com começo, meio e fim, conduzido de forma ética, cuidadosa e profissional. Um tratamento psicológico que, passo a passo, ajuda você a construir uma vida mais leve, mais consciente e mais alinhada com quem você realmente é.
Permita-se viver essa experiência transformadora. Porque cuidar da mente é, também, um ato de amor próprio. Permita-se reconectar-se consigo mesmo! Faça Psicoterapia!
O início da profissão como Psicóloga
Os primeiros casos que recebi foram desafiadores — já haviam sido recusados por outra profissional. Um deles envolvia uma complexa disputa de guarda, um caso que demandava um olhar pericial, com avaliações técnicas e laudos minuciosos. O outro era de um senhor que sofria de ejaculação precoce — uma condição sem causas físicas, segundo o médico, que sugeriu acompanhamento psicológico.
Foram situações que exigiram muito de mim. Pedi supervisão, mergulhei em leituras, estudei cada detalhe. Não queria desistir. Também não queria errar. Eu sabia que estava começando, mas meu compromisso era oferecer o melhor que pudesse.
Preciso fazer um adendo sobre os casos que trago aqui. Meu objetivo não é criar um manual de procedimentos – até porque, como diz uma frase muito sábia entre os psicólogos: “Cada caso é um caso.” O que compartilho são relatos de atendimentos que marcaram meu percurso profissional, situações que tocaram a minha escuta, minha sensibilidade e, muitas vezes, minha própria humanidade.
No caso de disputa de guarda, por exemplo, não se tratava de um processo psicoterapêutico propriamente dito, mas de um acompanhamento voltado para compreender o que seria melhor para uma criança em meio ao doloroso processo de separação dos pais. Em situações assim, quando o diálogo entre os responsáveis se rompe, a justiça é acionada para proteger os direitos e o bem-estar do menor. Meu papel, naquele momento, seria realizar uma avaliação psicológica da criança, incluindo entrevistas com os pais ou responsáveis, observação lúdica e aplicação de testes psicológicos. No entanto, o conflito entre os pais era tão intenso, tão permeado de mágoas e acusações mútuas, que tornou inviável dar continuidade às etapas da avaliação. A tensão se fazia presente em cada encontro, e por mais que eu tenha feito algumas intervenções pontuais para amenizar o impacto emocional daquele ambiente hostil, não foi possível concluir o processo. O que ficou evidente foi o quanto os adultos, tomados por sua dor e frustração, acabavam ofuscando as necessidades emocionais daquela criança, que precisava de acolhimento e segurança em meio ao turbilhão.
Já o segundo caso foi de um senhor que me procurou com um sofrimento íntimo e silencioso: a ejaculação precoce. Ao contrário do primeiro caso, este foi um processo psicoterapêutico completo, com início, desenvolvimento e desfecho. É importante ressaltar que o sofrimento psíquico pode se manifestar de diversas formas, inclusive no corpo – e, nesse caso, a sexualidade foi o canal por onde esse sofrimento se expressou. Felizmente, o médico que o atendeu inicialmente teve a sensibilidade de perceber que a queixa não era apenas física e o encaminhou para o acompanhamento psicológico. E, fica a dica para nós, psicólogos, que possamos ter a sensibilidade e fazer o mesmo; ou seja, encaminhar o paciente/cliente ao médico, para que o mesmo possa realizar exames e ser avaliado, pois corremos o risco de negligenciar conduta. Uma pessoa com deficiência de vitaminas D e B12 podem impactar o sistema nervoso e problemas hormonais também impactam a saúde e o comportamento.
Durante o processo de psicoterapia, esse homem pôde se permitir olhar para si de forma mais profunda. Aos poucos, foi percebendo que a raiz do problema não era apenas fisiológica, mas emocional. A ansiedade, que tomava conta de seus pensamentos e acelerava seu corpo, estava diretamente ligada à sua dificuldade em viver o momento presente e estabelecer uma conexão mais serena consigo e com o outro. Trabalhamos técnicas de respiração e relaxamento, buscando ajudar seu corpo a desacelerar, e também mergulhamos em um processo de autoconhecimento que o levou a entender melhor seus medos, suas inseguranças e sua história. Ele começou a se perceber de forma mais integrada – corpo e mente em sintonia – e, com o tempo, esse novo olhar sobre si mesmo trouxe alívio. Em alguns meses, seu sintoma havia desaparecido. Mas mais do que isso, ele saiu do processo se sentindo mais inteiro, mais seguro e mais livre para viver sua sexualidade com naturalidade e prazer.
Nos primeiros anos de atendimento, fui percebendo que, naturalmente, minha atuação se moldava cada vez mais na abordagem Humanista/Centrada na Pessoa. Essa descoberta me deu uma alegria imensa. Afinal, o que eu mais queria — e ainda quero — é fazer a diferença na vida das pessoas. Independentemente da técnica, da teoria, do nome da abordagem... meu foco sempre foi o ser humano diante de mim. Ajudá-lo a ampliar o que tem de melhor, a perceber sua força, sua luz, e acreditar que é possível transformar sua vida.
Terapia Centrada na Pessoa - Carl Rogers
Rogers foi um terapeuta praticante durante toda sua carreira profissional. Sua teoria da personalidade emerge de seus métodos e ideias sobre terapia e é integrada a eles. A teoria psicoterápica de Rogers passou por diversas fases de desenvolvimento e mudanças de ênfase, e ainda assim há alguns pontos básicos que se mantiveram inalterados. Rogers (1970) faz uma citação de uma palestra de 1940, onde pela primeira vez descreveu suas novas ideia sobre terapia:
“Esta nova abordagem coloca um peso maior sobre o impulso individual em direção ao crescimento, à saúde e ao ajustamento. A terapia é uma questão de libertar o cliente para um crescimento e desenvolvimento normais.”
“Esta terapia dá muito mais ênfase ao aspecto afetivo de uma situação do que aos aspectos intelectuais.”
“Esta nova terapia dá muito mais ênfase à situação imediata do que para o passado do indivíduo.”
“Esta abordagem enfatiza o relacionamento terapêutico em si mesmo como uma experiência de crescimento.”
Rogers usa a palavra “cliente” ao invés do tradicional “paciente”. Um paciente é em geral alguém que está doente, precisa de ajuda e vai ser ajudado por profissionais formados. Um cliente é alguém que deseja um serviço e que pensa não poder realizá-lo sozinho. O cliente, portanto, embora possa ter muitos problemas, é ainda visto como uma pessoa inerentemente capaz de entender sua própria situação. Há uma igualdade implícita no modelo do cliente, que não está presente no relacionamento médico-paciente.
Rogers define a psicoterapia como “a liberação de capacidades já presentes em estado latente. Isto é, implica que o cliente possua, potencialmente, a competência necessária à solução de seus problemas. Tais opiniões se opõem diretamente à concepção da terapia como uma manipulação, por especialista, de um organismo mais ou menos passivo” (Rogers, 1959, p. 192 na ed. bras.). A terapia é apontada como dirigida pelo cliente ou centrada no cliente, uma vez que é quem assume toda direção que for necessária.
(Trecho do livro: Teorias da Personalidade. James Fadiman e Robert Frager. Editora Harbra)
Depois de oito anos de atendimento, senti que precisava de algo mais. Estava acompanhando um adolescente com episódios severos de síndrome do pânico. Ele mal conseguia sair de casa, às vezes chegava às sessões tremendo, pálido, em completo sofrimento. Sua vida havia parado. Não trabalhava mais, não convivia socialmente, não fazia planos.
Sobre a Síndrome do Pânico
A Síndrome do Pânico é um transtorno de ansiedade caracterizado por crises súbitas e intensas de medo ou desespero, geralmente sem uma causa aparente. Durante os ataques de pânico, a pessoa pode sentir falta de ar, sudorese, tremores, dor no peito, sensação de desmaio, medo de enlouquecer ou até de morrer. É um sofrimento imenso, que muitas vezes paralisa a vida da pessoa.
O mais desafiador é que, após as primeiras crises, surge o medo de ter novas crises — o chamado “medo do medo” —, o que pode levar a um isolamento social e à evitação de lugares públicos, trabalho ou situações cotidianas.
No caso do jovem que atendi, tudo isso estava presente. Ele sentia como se sua vida estivesse em suspenso, sem perspectiva. Foi preciso muito cuidado, escuta, acolhimento e a busca de ferramentas complementares — como a acupuntura — para ajudá-lo a retomar a confiança no próprio corpo e na vida. E quando ele começou a retomar sua rotina, aos poucos, foi como ver a vida voltando a florescer onde antes havia apenas medo.
Tentei de tudo: técnicas de respiração, acolhimento, pesquisas e mais pesquisas. Ele estava disposto a tentar qualquer coisa para parar de sofrer. Foi então que senti o chamado para ampliar meu olhar e minhas ferramentas de cuidado. Em 2009, iniciei uma pós-graduação em Acupuntura. Foram dois anos intensos, com 1.315 horas de estudo, práticas em ambulatório e muito aprendizado. A cada nova técnica que aprendia, aplicava com esse jovem. Ele se entregava ao processo com confiança e esperança.
E deu certo.
Ver aquele rapaz, que antes mal conseguia levantar da cama, voltar a ter uma vida, fazer planos, sorrir... foi uma das maiores sensações de vitória que já experimentei. Não apenas por ele — mas por nós dois. Porque ali, mais uma vez, percebi o verdadeiro sentido da minha escolha: estar a serviço da vida, do cuidado, da transformação.
A Parábola Indiana do Elefante e os Cegos
Um dia, um rei decidiu testar a sabedoria de um grupo de homens cegos. Ele trouxe um grande elefante para o palácio e pediu que os cegos tocassem o animal para que pudessem descrevê-lo.
O primeiro homem tocou a tromba e disse: "Um elefante é como uma grande serpente".
O segundo tocou uma perna e afirmou: "Não, é como um tronco de árvore".
O terceiro segurou a orelha e declarou: "É como um grande leque".
O quarto tocou o rabo e disse: "Vocês estão errados! O elefante é como uma corda grossa".
O quinto, que tocou o corpo, insistiu: "Vocês estão todos equivocados. O elefante é como uma grande parede".
Cada um estava certo em sua experiência, mas todos estavam errados sobre o todo.
Moral da História:
Esta parábola revela que, sem autoconhecimento, nossa visão do mundo é limitada e fragmentada. O autoconhecimento nos permite compreender a totalidade de quem somos, reconhecer nossas percepções e limitações e, assim, desenvolver uma visão mais clara e equilibrada da vida.
Pós Graduação em Acupuntura
Realizar essa especialização foi, sem dúvida, um dos momentos mais transformadores da minha trajetória profissional e pessoal. Ela me permitiu unir duas forças potentes — a Psicologia e a Acupuntura — com um propósito muito claro: cuidar do ser humano em sua totalidade. A cada atendimento, sentia que estava oferecendo algo mais completo, mais acolhedor. Comecei a perceber como essas duas abordagens, quando integradas, podiam tocar profundamente quem chegava até mim em sofrimento.
A Psicologia me oferecia as ferramentas para escutar com empatia, compreender os processos mentais e emocionais, ajudar na elaboração de conflitos internos. Já a Acupuntura, com sua sabedoria milenar, atuava nos bloqueios energéticos, nas dores físicas e até mesmo nos desequilíbrios emocionais — tudo de maneira sutil, porém poderosa. Juntas, essas práticas criavam um espaço de cuidado integral: físico, mental, emocional e espiritual.
Foi então que nasceu o tripé que passei a adotar como base dos meus atendimentos: Pensar, Sentir e Agir. Compreendi que só quando acolhemos os pensamentos, damos espaço para os sentimentos e então partimos para a ação, conseguimos promover verdadeiras transformações. Essa especialização foi como atravessar um portal: abriu portas para outros saberes que estavam ali, esperando para serem descobertos — ou talvez, reencontrados.
Anotações que fiz de algumas frases da aula do meu Professor (Dr. Cláudio Lopes):
““Shen” é nossa atividade mental (sistema límbico).”
“Ondas cerebrais: alfa, beta, teta - quando a onda cerebral está só em beta, excessivamente, a pessoa estará estressada.”
“O organismo tem que fluir. Aquilo que não se mexe vai doer! O grande objetivo das agulhas (acupuntura) é dar movimento; proporcionar ao corpo uma nova dinâmica que ele mesmo busca buscar equilíbrio.”
“Movimente-se! Movimento suave e sempre.”
“O Qi (chi) é energia vital.”
“A teoria dos 5 movimentos/elementos sustenta que todos os fenômenos no Universo são constituídos na natureza tanto madeira, fogo, terra, metal e água. E que estão em estado de constante movimento e mudança.”
“A atividade física libera tanta endorfina quanto a acupuntura.”
“Os muitos e os poucos atrapalham a vida do Ser Humano.”
“A vagina está ligada com as emoções.”
Essa última frase é bem interessante né? Vamos entender melhor? A vagina — assim como todo o sistema reprodutor feminino — está profundamente conectada com as emoções, tanto do ponto de vista fisiológico quanto psicológico e simbólico. Essa ligação pode ser compreendida por diferentes abordagens: médica, psicológica e até energética ou simbólica. Em Terapias energéticas (ex: medicina chinesa, bioenergética, tantra): Consideram que a região genital é um centro de energia vital (como o chacra sacral) e está ligada à criatividade, prazer, relações afetivas e expressão emocional. Bloqueios nessa área indicam desequilíbrios emocionais relacionados à sexualidade e aos vínculos interpessoais.
Esses conhecimentos eram muito interessantes e proveitosos para mim e para meus atendimentos; por isso, mergulhei profundamente na Medicina Tradicional Chinesa (MTC), encantada com sua visão holística e sua forma delicada de compreender o ser humano em conexão com a natureza, os ciclos, as emoções e os órgãos internos. Busquei cursos complementares que ampliaram ainda mais minha capacidade de cuidado:
Auriculoterapia Chinesa: uma técnica que estimula pontos específicos na orelha, correspondentes a diferentes partes do corpo, ajudando a aliviar dores, ansiedade, insônia e outros desequilíbrios.
Reflexologia Podal: terapia que atua por meio da pressão em pontos nos pés, ligados energeticamente aos órgãos internos, promovendo relaxamento, alívio de tensões e melhora do funcionamento corporal.
Shiatsu: uma massagem terapêutica de origem japonesa, baseada nos princípios da MTC, que trabalha os meridianos de energia por meio da pressão dos dedos, contribuindo para o equilíbrio físico e emocional.
Dietoterapia Chinesa: um estudo profundo sobre os alimentos não apenas em termos nutricionais, mas em como afetam o equilíbrio energético do corpo, ajudando na prevenção e no tratamento de doenças.
Chás e Ervas: aprendi sobre as propriedades terapêuticas de plantas medicinais, usadas de forma complementar nos atendimentos, respeitando as necessidades e características de cada pessoa.
Movimentos do Chi Kung e do Tai Chi Chuan: práticas corporais meditativas que trabalham a respiração, a energia vital (Chi) e o equilíbrio interno, proporcionando saúde, centramento e bem-estar.
Além das práticas ligadas à Medicina Tradicional Chinesa, também busquei me aprofundar em outras abordagens terapêuticas que trabalham com a energia vital. Foi assim que realizei o curso de Reiki, níveis I e II, uma técnica de origem japonesa que, embora não esteja diretamente vinculada à Medicina Chinesa, compartilha dela um conceito essencial: a energia vital, conhecida como Qi (na China), Chi (em outras culturas asiáticas) ou Ki (no Japão).
O Reiki é uma prática terapêutica que consiste na canalização da energia universal por meio das mãos, com o objetivo de promover equilíbrio físico, mental, emocional e espiritual. Através da imposição das mãos sobre pontos específicos do corpo ou à distância, essa energia flui para quem recebe, ajudando a restabelecer o equilíbrio energético, aliviar tensões e proporcionar uma profunda sensação de bem-estar.
Particularmente, tenho um carinho enorme por essa prática. Sempre que aplico Reiki, percebo com muita nitidez a energia se manifestando fisicamente nas minhas mãos, seja através de sensações de calor, formigamento ou uma espécie de pulsação energética. E não sou só eu que percebo: muitas vezes, quem recebe o Reiki também relata sentir essas sensações, além de experimentar um relaxamento profundo, alívio de desconfortos físicos e emocionais e, em alguns casos, até insights e percepções internas muito significativas.
Para mim, o Reiki se tornou não apenas uma ferramenta terapêutica, mas também uma prática de conexão, cuidado e amor, que transcende o toque físico e atua diretamente nos campos mais sutis do ser.
Reiki: é a energia natural, harmônica e essencial a todo ser vivente. è a dádiva da Luz às criaturas vivas. Reiki é a energia vital (KI), direcionada e mantida pela sabedoria universal (REI). (Trecho da apostila do curso de Reki).
Cada novo curso era como descobrir uma nova linguagem para cuidar. A cada conhecimento que se somava, eu sentia que algo em mim também se curava, se ampliava. E tudo isso passou a fazer parte da forma como vejo a Psicologia: como um campo aberto, que se enriquece quando se encontra com outras tradições, outras formas de escuta e cuidado. Claro que ia adicionando práticas e saberes nos atendimentos.
Relação entre Emoções e Órgãos na MTC
Segundo a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), as emoções estão diretamente ligadas aos órgãos internos, formando uma conexão entre o corpo e a mente. Cada emoção principal está associada a um órgão específico, e o desequilíbrio emocional pode afetar o funcionamento desse órgão e vice-versa.
Coração (Fogo) – Alegria (e excesso de euforia)
Emoção: Alegria, mas em excesso pode se manifestar como agitação, ansiedade ou euforia.
Sintomas de desequilíbrio: Insônia, palpitações, irritabilidade e fala excessiva.
Fígado (Madeira) – Raiva (e frustração)
Emoção: Raiva, irritação, ressentimento e frustração.
Sintomas de desequilíbrio: Tensão muscular, dores de cabeça, vertigem, menstruação irregular.
Baço (Terra) – Preocupação (e ruminação)
Emoção: Preocupação excessiva, ansiedade e pensamento obsessivo.
Sintomas de desequilíbrio: Problemas digestivos, sensação de peso, cansaço e fraqueza nos membros.
Pulmão (Metal) – Tristeza (e melancolia)
Emoção: Tristeza, melancolia e pesar.
Sintomas de desequilíbrio: Problemas respiratórios, pele seca, perda de energia e imunidade baixa.
Rins (Água) – Medo (e pânico)
Emoção: Medo e sensação de insegurança.
Sintomas de desequilíbrio: Problemas urinários, dor lombar, queda de cabelo e fraqueza nos ossos.
Como o Equilíbrio é Mantido?
A MTC busca restaurar o equilíbrio entre as emoções e os órgãos por meio de técnicas como:
Acupuntura
Fitoterapia Chinesa
Massagem (Tui Na)
Exercícios de respiração (Qi Gong e Tai Chi)
Dieta balanceada com base nos cinco elementos
Pontos de acupuntura importantes para questões mentais e emocionais
Na acupuntura/acupressura existem pontos específicos para questões emocionais que podem ser estimulados para promover relaxamento, reduzir ansiedade, aliviar o estresse e melhorar o sono. Alguns pontos interessantes para a parte emocional; no caso, utilizo a acupressura que é pressão suave e contínua no ponto com os dedos. Explico e coloco os pontos aqui, pois o uso destes pontos pode ser feito de maneira segura com acupressão em casa.
Ponto Yintang - "Terceiro Olho"
Localização: Entre as sobrancelhas.
Indicações: Alivia ansiedade, insônia, estresse e dores de cabeça. Promove calma mental.
Ponto C7 - "Porta do Espírito"
Localização: No pulso, no lado interno, na linha do dedo mínimo.
Indicações: Tratamento da ansiedade, insônia, palpitações, e agitação mental.
Ponto PC6 - "Porta Interna"
Localização: Na parte interna do antebraço, cerca de três dedos acima do punho.
Indicações: Alivia náuseas (emocionais ou físicas), reduz ansiedade, estresse e promove equilíbrio emocional.
Ponto VG20 - "Cem Encontros"
Localização: No topo da cabeça.
Indicações: Promove clareza mental, reduz sintomas de depressão e ansiedade.
Ponto Taiyang - "Grande Sol"
Localização: Nas têmporas, em ambos os lados da cabeça.
Indicações: Alivia dores de cabeça, tensão emocional e promove relaxamento
Ponto E36 - "Três Milhas da Perna"
Localização: Cerca de quatro dedos abaixo da rótula, no lado externo da perna.
Indicações: Fortalece a energia vital, alivia a fadiga emocional e promove a estabilidade mental.
Ponto BP6 - "Encontro dos Três Yin"
Localização: Na parte interna da perna, cerca de três dedos acima do maléolo medial.
Indicações: Harmoniza o sistema emocional, alivia sintomas de ansiedade, depressão e problemas relacionados ao ciclo menstrual (que podem ter impacto emocional).
Continuei meus atendimentos …
Durante mais de seis anos da minha trajetória profissional, atendi em duas clínicas localizadas na zona sul de São Paulo: a Vital Med, na Avenida Atlântica, e a ASPRIW, na Rua Conde de Itú; nessas clínicas pude realizar atendimento psicológico e atendimento com as outras terapias complementares: acupuntura, auriculoterapia, shiatsu, etc. Como Psicóloga, esse período marcou profundamente minha caminhada, pois tive a oportunidade de acompanhar inúmeras histórias, cada uma com suas dores, desafios e esperanças. Foi um tempo de intenso aprendizado humano e técnico — um verdadeiro laboratório da alma, onde pude crescer junto com aqueles que me procuravam. Como “terapeuta holística” também foi muito importante, tive oportunidade de ajudar muitas pessoas, principalmente através da auriculoterapia que era minha prática mais utilizada.
Lá vem um “causo” …
Em uma das clínicas onde eu atendia, localizada na Rua Conde de Itú, eu atuava tanto como psicóloga quanto como terapeuta em práticas integrativas, oferecendo atendimentos que variavam entre psicoterapia e técnicas corporais, como shiatsu, quick massage e reflexologia podal. Era uma rotina que eu dominava bem, e cada modalidade tinha seu espaço próprio: as sessões de psicoterapia aconteciam em uma sala mais reservada, no andar superior, enquanto as práticas corporais eram realizadas em uma sala próxima à recepção, equipada com uma maca.
Lembro de um dia específico que ficou marcado em minha memória. Ao chegar para o primeiro atendimento, soube que seria uma sessão de shiatsu, realizada na sala térrea. Assim que entrei, encontrei meu cliente já esperando: um homem jovem, muito alto, musculoso e com uma aparência que certamente chamava atenção. Como de costume, iniciei uma breve conversa com ele, explicando o procedimento e preenchendo uma pequena ficha de anamnese, um momento em que eu buscava compreender melhor as necessidades do cliente.
Ele me contou que era praticante de musculação e artes marciais, atividades que demandavam bastante do seu corpo e que, por isso, sentia a necessidade de relaxar. No entanto, logo após essa breve troca de palavras, ele começou a tirar a camisa, afirmando que gostaria de uma "massagem relaxante". Respirei fundo e, mantendo a calma, esclareci que o shiatsu não era uma técnica de massagem relaxante e que, inclusive, era realizada por cima da roupa. Perguntei se ele preferia experimentar a reflexologia podal, uma prática que poderia proporcionar maior sensação de relaxamento.
Mas ele recusou, insistindo na "massagem relaxante" e, para meu desconforto, começou a tirar as calças. Senti o sangue subir ao rosto, uma mistura de surpresa e indignação. Controlando minha voz, pedi com firmeza que ele se vestisse imediatamente, deixando claro que eu não o atenderia daquela maneira. O clima ficou tenso. Ele se irritou, resmungando algo enquanto saía abruptamente da sala.
Essa situação me fez refletir … Imaginem: Um homem jovem, bonito, sarado, querendo tirar a roupa … Hoje brinco e dou risada com esse episódio, mas ali, na hora, foi estranho e tenso. A partir daquele dia, decidi interromper os atendimentos de terapias corporais na clínica. O desejo de proporcionar alívio e bem-estar aos clientes nunca deveria se transformar em uma situação de constrangimento ou desrespeito.
Lições a cada atendimento
Ao longo dos anos, tive e ainda tenho o privilégio de cruzar o caminho de seres humanos incríveis. Pessoas que chegam até mim carregando histórias únicas, dores profundas e sonhos escondidos. Cada atendimento é como abrir um livro novo, repleto de capítulos ainda não lidos, e eu, na posição de ouvinte/participante, muitas vezes me vejo encantada, emocionada e, sobretudo, aprendendo.
Algumas frases que ouvi durante esses encontros ficaram gravadas em minha memória, como pequenos tesouros. São palavras que revelam a essência humana, que me fazem refletir e que, em muitos momentos, me enchem de admiração. Cada pessoa que passa pela minha escuta é como um espelho que me mostra algo novo, um aprendizado que carrego comigo.
Gostaria de compartilhar apenas uma pequena amostra dessas experiências. E, acreditem, já atendi muitas pessoas, de diferentes idades, histórias e contextos. Já ouvi confidências que transbordavam dor e outras que revelavam superação. Tudo isso, sempre envolvido em uma atmosfera de respeito, empatia e absoluto sigilo. Desde o primeiro contato, faço questão de deixar claro: na terapia não existe certo ou errado; há apenas o acolhimento, a confiança e a proteção do que é compartilhado.
Uma das questões mais frequentes que chegam ao meu consultório são os dilemas afetivos. O amor, com sua complexidade, é capaz de tocar profundamente a alma humana. Quando alguém chega com o coração ferido, percebo o quanto essas dores afetam não apenas o emocional, mas o ser como um todo. Nessas situações, o acolhimento não é apenas importante, é essencial. É como cuidar de uma ferida aberta: primeiro, tratamos com delicadeza, oferecendo espaço para que a dor seja expressa. Depois, lentamente, vamos fortalecendo o amor próprio, reconstruindo a autoestima fragmentada.
Busco sempre orientar cada pessoa a encontrar o equilíbrio entre o pensar, o sentir e o agir. Pois, como uma balança delicada, qualquer excesso ou falta pode gerar desequilíbrio. O caminho é sempre individual, e eu, como terapeuta, apenas acompanho, iluminando os pontos que, muitas vezes, ficam escondidos nas sombras da dor.
Outro tema recorrente em meus atendimentos é a luta contra a depressão e a ansiedade. Nesses casos, é fundamental que eu reforce a importância de investigar também a saúde física, pois o corpo e a mente estão profundamente conectados. Muitas vezes, o que parece ser apenas uma questão emocional é, na verdade, um reflexo de desequilíbrios hormonais, deficiências vitamínicas ou outros fatores físicos. E compreender essa conexão é um passo essencial para uma abordagem completa e eficaz.
Cada atendimento é um mergulho no universo do outro, e eu, com humildade e carinho, sigo aprendendo, acolhendo e crescendo a cada história que me é confiada.
Esquizofrenia
Entre os muitos casos que atendi, como Psicóloga Clínica, alguns me tocaram de forma especial: eram pessoas diagnosticadas com esquizofrenia (atendi algumas pessoas com esquizofrenia). Para muitos, (me incluo nessa afirmação, pois confesso que no início, tive um certo receio em atendê-los) essa palavra ainda carrega estigmas e até “medo”. Mas, na prática clínica, o que encontrei foram seres humanos em profunda luta interna, tentando manter-se conectados à realidade, ao próprio corpo, às emoções — muitas vezes, com imenso esforço.
A esquizofrenia é um transtorno mental grave e crônico, que afeta a forma como a pessoa pensa, sente e se comporta. Pode incluir sintomas como delírios (crenças irreais), alucinações (como ouvir vozes que não existem), alterações no discurso, isolamento social e dificuldades na organização do pensamento. Mas mais do que definições técnicas, o que mais me marcou foi a experiência de estar com essas pessoas: seus medos, suas dúvidas, a angústia de não saber o que é real, o desejo de serem compreendidas, o medo do julgamento, o esforço em manter vínculos.
Muitos já estavam em tratamento medicamentoso, com acompanhamento psiquiátrico regular, e encontravam na psicoterapia um espaço de escuta, acolhimento e construção de sentido. Em alguns momentos, diante da alta demanda e do formato dos convênios médicos — que muitas vezes só autorizavam atendimentos em grupo —, organizei grupos terapêuticos. Foi um desafio e, ao mesmo tempo, uma oportunidade rica. Os encontros em grupo se tornaram espaços potentes de troca, onde o sofrimento deixava de ser vivido em silêncio e começava a ser compartilhado e ressignificado. Ali, vínculos se formavam, e mesmo nas fragilidades, surgiam momentos de afeto, empatia e esperança.
Essas experiências me ajudaram a enxergar cada vez mais o ser humano além do diagnóstico, e a importância do olhar integral e respeitoso sobre cada história.
Nova Especialização em 2015:
Em 2015, senti um chamado interior — algo sutil, mas insistente — que me dizia que era hora de retomar os estudos. Não se tratava apenas de acumular mais conhecimento, mas de buscar sentido, aprofundamento, algo que tocasse minha alma. Foi então que decidi me dedicar a algo que já me fascinava há muito tempo: a Psicologia Transpessoal, conhecida como a "quarta força" da Psicologia.
Escolhi o Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa – IJEP, em parceria com a Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo – FACIS, o mesmo espaço onde anos antes eu havia me formado em Acupuntura. Voltar àquele ambiente foi como retornar a um lugar seguro e fértil, onde o conhecimento brota do encontro entre a razão e o sagrado.
Desde o início, o curso superou todas as minhas expectativas. Era como se cada aula despertasse em mim memórias esquecidas, intuições adormecidas, fragmentos de mim mesma que estavam esperando por esse reencontro. Foi uma experiência profundamente prazerosa e transformadora. Eu não apenas estudava — eu vivia o conteúdo, sentia cada tema ressoar dentro de mim.
E, como em todo verdadeiro caminho de autoconhecimento, me permiti vivenciar experiências que iam além do racional. Uma delas foi a Respiração Holotrópica, desenvolvida por Stanislav Grof. Não há palavras exatas que descrevam o que vivi naquele mergulho profundo na minha própria consciência. Foi um encontro com emoções intensas, imagens simbólicas, sensações corporais, memórias talvez não lineares, mas extremamente vivas. Um estado ampliado de consciência que me revelou camadas ocultas de mim mesma, trazendo à tona tanto dores quanto compreensões libertadoras.
Essa vivência foi tão marcante que decidi dedicar meu trabalho de conclusão de curso justamente a ela — à Respiração Holotrópica — dentro da perspectiva da Psicologia Integrativa Transpessoal. Escrever sobre isso foi como rever toda a minha jornada, conectando ciência, espiritualidade e vivência pessoal de forma profunda e integrada. Queria, inclusive, trabalhar com a Respiração Holotrópica, mas é necessário uma certificação específica para tal.
Psicologia Integrativa Transpessoal
A Psicologia Integrativa Transpessoal busca responder às necessidades culturais e científicas de um novo paradigma fundamentado em uma visão holística e integradora do homem, do Universo e da realidade desta relação. Dentro desta visão, o ser humano é um sistema ou totalidade cuja estrutura específica emerge da interação dos vários níveis de consciência, interligados e interdependentes: biológico, emocional, mental, cultural, social, existencial e espiritual. Além disso, representa a união, a integração e a harmonização dos conhecimentos históricos da Psicologia, com os avanços trazidos pela moderna pesquisa científica da consciência e com a tradição esotérica do mundo ocidental e oriental.
A começar pelo nome Psicologia Integrativa Transpessoal, importa lembrar que o termo grego “PSIQUE”, de onde derivam palavras como Psicologia, Psiquiatria, Psicanálise, Psicossomática e outras, significa “ALMA”. Portanto, etimologicamente por Psicologia se entende o “Estudo da Alma”. É Integrativa porque apresenta uma perspectiva holística e dinâmica, que considera o ser humano um todo integrado, que envolve padrões físicos e psicológicos interrelacionados e interdependentes, constituindo assim a psique humana como um sistema dinâmico, que envolve uma variedade de funções. E este homem-sistema, com suas múltiplas dimensionalidades habita, coabita, troca, realiza, cresce e transcende dentro de um Universo também dinâmico, inter-relacional e integrado. Integrativa ainda, porque busca uma convergência de saberes entre as concepções defendidas por todas as correntes psicológicas que a precederam, especialmente a Psicologia Analítica de C.G. Jung, com as maiores tradições espirituais da humanidade e com os modernos conhecimentos científicos trazidos pela Neonatologia, Neurociências, Física Quântica, Psico-Oncologia, Filosofia perene, Psicoendocrinologia, Biologia Molecular, Bioquímica etc.
Em resumo, para Vera Saldanha (1999), a Transpessoal:
“É o estudo e a aplicação dos diferentes níveis de consciência em direção à Unidade Fundamental do Ser.”
“Favorece ao indivíduo a vivência da Plena Luz, de onde emerge o ser integral: biopsicossocial, espiritual e cósmico.”
“O processo psicoterapêutico visa resgatar esta unidade fundamental.”
“Na visão transpessoal o mundo é um todo integrado, em harmonia, onde tudo é energia, formando uma rede de interrelações de todos os sistemas existentes no Universo.”
Acredita na sabedoria e na capacidade de autotransformação e de transcender de cada ser.” (Trecho da apostila do curso de Psicologia Integrativa Transpessoal. Rita de Cássia Macieira).
“Causo”
Durante o período em que fazia essa especialização, mais uma vez me vi mergulhada em um universo de estudos, vivências e práticas ligadas à espiritualidade. Era como se uma força interior me impulsionasse a buscar algo além do que os olhos podiam ver — algo que tocasse a alma. Busquei caminhos diversos, mas com o mesmo propósito: compreender melhor a mim mesma e os mistérios que sempre senti ao meu redor.
Foi nesse contexto que participei de alguns cursos na Casa do Consolador, um espaço que me acolheu com sua energia forte e, ao mesmo tempo, serena. Fiz a minha iniciação ao Xamanismo foi uma jornada de muitos ensinamentos. Durante um ano inteiro, participei de encontros mensais guiados pela sensível, intensa e poderosa Shirlene Moura — uma mulher cuja presença por si só já era um portal de conexão com o sagrado. Cada encontro era uma imersão em sabedorias ancestrais, onde teoria e prática se entrelaçavam de maneira harmoniosa e viva.
Recebíamos ensinamentos xamânicos que nos levavam a refletir sobre a vida, a natureza, os ciclos da existência e a nossa própria essência espiritual. A cada roda, mergulhávamos em práticas de cura, verdadeiros rituais de reconexão com o corpo, a alma e os elementos da Terra. Essas rodas de cura eram espaços sagrados de entrega e acolhimento, onde a energia fluía livremente e onde emoções, dores e alegrias se manifestavam com verdade e potência. Ali, sentia-me parte de algo maior, como se minha alma finalmente recordasse de onde veio.
Foi uma vivência intensa, amorosa e reveladora. A cada encontro, sentia-me renascer um pouco mais, desvendando camadas de mim mesma que até então permaneciam adormecidas. O xamanismo me ensinou a escutar o silêncio da alma e a confiar na sabedoria da natureza como grande mestra e curadora.
Paralelamente, aprofundei-me nos estudos da Geometria Sagrada com Mônica de Medeiros. Seu olhar sereno e sua fala cheia de verdade me transmitiam não apenas conhecimento, mas uma profunda conexão com dimensões sutis da existência. Com ela, aprendi a ver além do visível, a compreender que tudo no universo tem uma ordem, um padrão, uma linguagem divina expressa em formas e símbolos que carregam a essência da criação.
Essas experiências abriram portais dentro e fora de mim, despertando memórias antigas, intuições esquecidas e uma sede sincera de continuar trilhando um caminho de autoconhecimento, espiritualidade e cura. Foram momentos que marcaram minha alma e deixaram raízes profundas no meu coração.
A Mônica também conduzia encontros com contactados e abduzidos, dos quais participei com o coração curioso e a mente aberta, tentando entender as experiências extraordinárias que algumas pessoas relatavam com tanta verdade nos olhos. Em meio a esse campo tão vasto e, por vezes, inexplicável, acabei vivendo algo que me marcou profundamente.
Respiração Holotrópica
“A Respiração Holotrópica é um método poderoso de autoexploração e terapia que utiliza uma combinação de técnicas aparentemente simples - respiração acelerada, música evocativa e um trabalho corporal específico que ajuda a liberar bloqueios emocionais e bioenergéticos. As sessões são geralmente realizadas em grupos: os participantes em pares e se alternam nos papéis de respirantes e “acompanhantes” (sitters). Esse processo é supervisionado por facilitadores treinados, que ajudam os participantes sempre que se faz necessária uma intervenção especial. Depois das sessões de respiração, os participantes expressam suas experiências pintando mandalas e partilham os relatos de suas viagens internas em pequenos grupos. Entrevistas de acompanhamento e diversos métodos complementares são utilizados, se preciso, para facilitar a conclusão e a integração da experiência de respiração.
Em sua teoria e prática, a Respiração Holotrópica combina e integra diversos elementos da psicologia profunda, da pesquisa moderna da consciência, da psicologia transpessoal, das filosofias espirituais do Oriente e das práticas nativas de cura. Difere-se muito de formas tradicionais de psicoterapia que utilizam essencialmente meios verbais, como a psicanálise e outras escolas da psicologia profunda que dela originaram. Compartilha certas características com as terapias experienciais da psicologia humanista, como a Gestalt-terapia e as abordagens neorreichianas, que também enfatizam a expressão emocional direta e o trabalho corporal. No entanto, a Respiração Holotrópica se destaca dessas abordagens ao utilizar o potencial intrínseco de cura de estados incomuns de consciência.” (Trecho do livro: Respiração Holotrópica Uma nova abordagem de autoexploração e terapia. Stanislav Grof e Christina Grof. Editora Numina).
A Respiração Holotrópica surgiu na década de 1970, desenvolvida pelo psiquiatra tcheco Stanislav Grof e sua esposa Christina Grof, como uma alternativa terapêutica após a proibição do uso do LSD em pesquisas científicas e tratamentos psicológicos.
Stanislav Grof foi um dos pioneiros da pesquisa dos estados não ordinários de consciência induzidos por substâncias psicodélicas, especialmente o LSD, nas décadas de 1950 e 1960. Seus estudos mostravam que esses estados poderiam promover curas emocionais profundas, expansão da consciência e acesso a conteúdos do inconsciente.
Quando, no final dos anos 1960, o uso do LSD foi proibido em quase todo o mundo, Grof buscou uma técnica que pudesse induzir estados ampliados de consciência de forma natural, segura e legal, sem o uso de substâncias.
A partir desse desafio, Grof e sua esposa desenvolveram a respiração holotrópica, combinando três elementos principais:
Respiração acelerada e profunda — hiperventilação controlada que altera o estado de consciência.
Música evocativa — trilhas cuidadosamente selecionadas que conduzem o processo emocional e simbólico.
Trabalho corporal de integração — toque e apoio físico (se necessário) para ajudar na liberação de tensões ou bloqueios.
Significado de "Holotrópica"
O termo "holotrópica" vem do grego:
"Holos" = inteiro, totalidade
"Trepein" = mover-se em direção a
Portanto, significa “movimento em direção à totalidade”, refletindo a proposta de integrar corpo, mente, emoções e espírito.
A técnica se fundamenta na psicologia transpessoal, criada por Grof e outros estudiosos, que reconhece a existência de dimensões da experiência humana além do ego — incluindo experiências espirituais, místicas, perinatais (relacionadas ao nascimento) e transpessoais (que transcendem a individualidade).
Objetivo terapêutico
A respiração holotrópica permite que a pessoa acesse conteúdos inconscientes profundos, promova liberações emocionais, autoconhecimento e, muitas vezes, vivências de cura psicológica, espiritual e física.
Minha Experiência com a Respiração Holotrópica
Movida pela minha eterna curiosidade e pela busca incessante pela expansão da consciência, decidi me permitir viver uma nova experiência: participar de uma sessão de Respiração Holotrópica. Eu estava estudando tal tema para meu trabalho de conclusão de curso da especialização em Psicologia Integrativa Transpessoal; então, já tinha lido e ouvido falar sobre os potenciais transformadores dessa técnica, mas senti que precisava vivenciar por mim mesma, sentir na pele, na alma…
A jornada começou antes mesmo da prática. No dia anterior, participamos de uma entrevista detalhada e de uma palestra introdutória, onde recebemos todas as orientações necessárias. Fomos acolhidos de forma muito respeitosa e cuidadosa, com explicações claras sobre o que poderíamos experienciar, além de informações sobre os cuidados físicos e emocionais que o processo exige. Tudo isso me trouxe mais segurança, embora, confesso, também despertasse uma certa ansiedade diante do desconhecido.
A sessão, que se estenderia por cerca de seis horas, aconteceria em grupo, mas organizada em duplas. Cada dupla se revezaria nos papéis de “respirante”, aquele que mergulha na experiência, e “acompanhante”, cuja função é oferecer apoio, cuidado e presença amorosa durante todo o processo.
Iniciei minha participação como acompanhante. Sentada bem próxima da minha dupla, pude observar atentamente não só as manifestações dela, mas também de todo o ambiente. O espaço era cuidadosamente preparado, acolhedor, com colchonetes no chão, mantas, almofadas e uma energia que, apesar da tensão inicial, logo se mostrava carregada de respeito, entrega e cura. Era como se todos ali, mesmo desconhecidos, partilhassem um pacto silencioso de amor e cuidado mútuo.
O processo começava com um relaxamento guiado, trazendo os participantes para um estado de entrega e conexão. Logo em seguida, éramos convidados a acelerar a respiração — de forma intensa, circular, sem pausas entre a inspiração e a expiração. Nesse momento, a música entrava de forma poderosa, conduzindo, provocando, evocando emoções e sensações profundas. As músicas não eram simples trilhas de fundo; elas pareciam falar diretamente com a alma, despertando memórias, emoções, imagens e conteúdos do inconsciente.
Assim como havia visto em experiências com ayahuasca, as manifestações emocionais surgiam de maneira intensa e absolutamente legítima: havia choro profundo, gargalhadas espontâneas, gritos, gemidos, movimentos corporais involuntários, tremores, espasmos… Alguns respirantes pediam, entre uma respiração e outra, que os acompanhantes tocassem partes específicas do corpo — ombros, mãos, pés — na tentativa de aliviar dores, desconfortos ou formigamentos que surgiam ao longo da experiência. Era, sem dúvida, um mergulho visceral na própria existência.
E então chegou a minha vez de deitar no colchonete e assumir meu papel de respirante. No início, percebi claramente meu mecanismo de defesa entrando em ação: minha mente racional tentava controlar, entender, organizar aquilo que, na verdade, não podia ser entendido pela lógica. Eu me sentia tensa, com receio de perder o controle sobre meu corpo, sobre mim mesma.
Mas, em um dado momento, respirei fundo — talvez pela última vez de maneira consciente — e disse internamente para mim mesma:
"Já que estou aqui, não faz sentido lutar. Eu escolho me entregar. Que seja o que tiver que ser."
E foi exatamente o que aconteceu… Me entreguei. E então “viajei”, no mais profundo sentido dessa palavra. Senti meu corpo se dissolver, minhas referências de espaço e tempo simplesmente desapareceram. Era como se eu estivesse flutuando no cosmos, além da Terra, além da matéria… Me vi no espaço, em um vazio silencioso, mas paradoxalmente pleno, cheio de sentido, de paz.
Logo depois, algo ainda mais surpreendente aconteceu: acessei, de forma vívida, a memória do meu próprio nascimento. Revivi esse momento primordial, e para minha surpresa, percebi que havia sido um nascimento tranquilo, suave, amoroso — muito diferente do que, por vezes, se imagina sobre esse evento.
E então, numa sequência quase mágica, fui banhada por uma sensação que até hoje, ao relembrar, me emociona profundamente: uma onda intensa, avassaladora, de amor incondicional. Um amor pleno, absoluto, que não cobra, não julga, não exige. Apenas é. Um acolhimento amoroso do universo, da vida, de algo maior que eu nem sei nomear, mas que senti profundamente em cada célula do meu ser.
Quando a experiência foi chegando ao fim, a sensação que tive é que tudo havia passado muito rápido, como um piscar de olhos — embora tenha certeza de que, no tempo real, vivi ali um mergulho longo, profundo e transformador.
Saí daquela sessão com a certeza de que tinha valido cada segundo. Uma vivência que não se explica totalmente com palavras, mas que se sente, se guarda na alma, e que, de alguma forma, me transformou para sempre.
Sonhos “reais” - Viagem Astral?
Certa noite, tive o que chamei de "um sonho" — mas, na verdade, foi muito mais do que isso. A sensação era vívida, intensa, quase palpável. Eu me via em um lugar de beleza indescritível, repleto de montanhas altas e antigas envoltas por uma névoa suave e iluminadas por uma luz que não parecia vir do sol. Era um local que me era familiar, como se eu já tivesse estado ali muitas vezes. Na verdade, já tinha “sonhado” várias vezes com esse mesmo lugar, parecia um lugar que ninguém conhecia, eu ficava maravilhada quando chegava lá; eu tinha consciência que não era fácil chegar lá e parecia que esse lugar era meio secreto. Um lugar sagrado, mágico, onde sentia uma paz profunda, como se o tempo não existisse ali.
Mas naquele sonho específico, algo diferente aconteceu. Ao chegar nesse espaço tão especial, fui surpreendida por uma presença estranha e ameaçadora: um Reptiliano. A figura era imponente, assustadora, com olhos penetrantes e um olhar que parecia atravessar minha alma. Senti medo. Muito medo. Comecei a correr por entre as montanhas, o coração disparado, tentando escapar daquilo que me perseguia. A cada passo, a sensação de urgência aumentava, e mesmo dentro do sonho, meu corpo reagia como se estivesse vivendo tudo aquilo de verdade.
Acordei assustada, com o coração aos pulos, suando frio. Levei alguns instantes para entender que estava em casa, segura, mas a sensação daquele encontro ficou comigo por dias. Até hoje, me pergunto o que significava aquela experiência. Teria sido apenas um sonho? Ou uma lembrança de algo que minha mente racional ainda não é capaz de explicar?
Tive inúmeros sonhos lúcidos ao longo da vida — desses que não se parecem apenas com sonhos, mas experiências tão vívidas e intensas que, ao despertar, a linha entre o real e o imaginado se desfaz por alguns instantes. Acordava confusa, com o coração acelerado e a sensação de que algo importante havia acontecido… em algum lugar entre o sono e a vigília.
“O sonho com as montanhas” se repetia com frequência: um lugar de beleza quase sagrada, silencioso e acolhedor, onde sentia uma paz difícil de descrever. Era como se aquele cenário me pertencesse, como se eu o conhecesse desde sempre — mesmo sem jamais tê-lo visto na realidade. Mas depois “da perseguição” esse sonho cessou. Depois disso, nunca mais consegui voltar àquelas montanhas. Era como se uma porta tivesse sido fechada, como se aquele refúgio tivesse deixado de me receber.
Outro tipo de sonho que me marcava profundamente eram aqueles em que eu voava. E não era apenas um voo simbólico ou imaginado — eu realmente sentia o vento tocando meu corpo, o frio na pele, a liberdade arrebatadora de flutuar sobre tudo, como se eu tivesse finalmente me libertado das amarras do chão e da gravidade. Era tão intenso que, por diversas vezes, ao acordar, eu tinha plena certeza de que sabia voar. Não era só uma lembrança de sonho, era um conhecimento no corpo, uma convicção que persistia por minutos — às vezes horas — depois do despertar. Algo dentro de mim gritava: “Eu posso fazer isso. Eu sei como fazer.”
Essas experiências sempre me deixaram reflexiva. Seriam apenas criações da minha mente? Ou seriam acessos a outras realidades, memórias de algo além do que posso compreender com a lógica? Até hoje, guardo essas sensações com carinho, como se fossem lembranças de uma outra vida… ou talvez, de um outro nível de existência.
Exercícios de relaxamento e meditação guiada
Desde o início da minha trajetória como psicóloga, senti que era fundamental oferecer aos meus pacientes não apenas um espaço de escuta e acolhimento, mas também momentos que lhes permitissem mergulhar em si mesmos, explorar suas emoções de forma segura e encontrar calma em meio ao turbilhão da vida cotidiana. Por isso, desde os primeiros atendimentos, comecei a integrar exercícios de relaxamento e meditação guiada nas sessões.
Inicialmente, eram práticas simples, destinadas a acalmar a mente, aliviar a tensão e proporcionar uma breve pausa. No entanto, ao me aprofundar na especialização em Psicologia Transpessoal, esse horizonte se expandiu. Passei a conhecer e dominar uma variedade de técnicas que iam além do simples relaxamento. Entre elas, a imaginação ativa se destacou — uma forma mais profunda de meditação guiada, onde o paciente é convidado a acessar imagens e símbolos que emergem de seu próprio inconsciente, permitindo uma conexão mais íntima com aspectos internos muitas vezes desconhecidos.
Cada sessão se tornou uma jornada única. Ao conduzir esses exercícios, percebo como os rostos tensos relaxam, os ombros se desfazem da rigidez e as respirações se tornam mais suaves. E quando a sessão se aproxima do fim, gosto de encerrar com uma história ou uma mensagem significativa. São palavras que escolho com carinho, buscando trazer não apenas reflexão, mas também um toque de esperança e conforto. É um momento em que os pacientes podem levar consigo não apenas o alívio emocional, mas também uma semente de inspiração, algo que os acompanhe além do espaço terapêutico.
Esses momentos não são apenas técnicas — são convites para que cada pessoa redescubra a si mesma, encontre força em sua própria interioridade e perceba que, mesmo em meio aos desafios, há sempre um espaço de paz a ser acessado.
Outro “Causo”
Atendi uma senhora durante cerca de dois anos. Ela era uma mulher reservada, com um olhar profundo, daqueles que parecem carregar muitas histórias que ainda não foram contadas. Ao longo do tempo, construímos uma relação de confiança, e foi só depois de muito vínculo estabelecido que, em uma ou duas sessões, ela compartilhou algo que me marcou profundamente.
Com uma voz baixa, quase como se tivesse medo de ser ouvida por alguém além de mim, ela começou a relatar visões que tinha — mas não eram sonhos, nem lembranças comuns. Eram encontros com seres que, segundo ela, não eram humanos. Havia algo na forma como ela descrevia essas experiências que fugia do delírio ou da fantasia; ela falava com tanta convicção e emoção que era impossível não se impactar.
O mais assustador, porém, não foi o conteúdo do que ela dizia, mas o que aconteceu comigo enquanto ela narrava. À medida que ela descrevia esses seres, uma imagem extremamente nítida surgiu na minha mente. Era como se eu estivesse vendo exatamente o que ela via. E junto com essa imagem, veio uma sensação estranha, quase física — um calafrio, um aperto no peito, algo difícil de explicar racionalmente.
Foi um momento desconcertante, que me tirou do chão por alguns instantes. Mas também me fez lembrar de algo muito particular da psicoterapia: essa conexão profunda que, por vezes, se estabelece entre terapeuta e paciente. Não é incomum compartilharmos sentimentos, sensações e até imagens internas. É como se, em determinados momentos, a alma do outro tocasse a nossa de forma tão intensa que fosse impossível não sentir também.
Essa experiência me fez refletir sobre o quanto há de mistério nesse campo que escolhi trilhar — e o quanto precisamos estar abertos, com o coração atento, para acolher o que não se explica só com palavras.
"Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas, ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana" (Carl Gustav Jung)
“Saudades sim, tristeza não”
Ao longo da minha trajetória como psicóloga, vivi inúmeras histórias que tocaram profundamente meu coração. Cada pessoa que confia em mim para compartilhar suas dores, alegrias, medos e esperanças é um verdadeiro privilégio. A cada novo encontro, eu tenho a honra de entrar em contato com universos únicos, repletos de significados, e isso é algo que jamais considero banal.
Entre tantas histórias que carreguei comigo, uma em especial se tornou inesquecível. Era uma jovem trazida pela mãe, uma figura preocupada e angustiada. A moça estava emocionalmente despedaçada, sua vida havia sido abalada por um relacionamento abusivo que deixou cicatrizes profundas. As marcas não eram apenas emocionais; havia o peso do desespero, da tristeza esmagadora e, em meio a isso, a sombra escura das ideias suicidas e até mesmo uma tentativa.
O acompanhamento foi intenso. Cada sessão era um mergulho em suas dores, mas também uma busca incessante por resgatar sua força. Pouco a pouco, ela começou a se reconstruir. A cada encontro, seus olhos ganhavam mais brilho, sua voz mais firmeza, e o sorriso, antes tímido, se tornava mais frequente. Ela não apenas superou aquele relacionamento destrutivo, mas floresceu. Retornou outras duas vezes para terapia, não mais para lidar com feridas abertas, mas para se ouvir, refletir e se reconectar consigo mesma.
Na terceira vez em que a vi, ela estava radiante. Contou-me com entusiasmo sobre seus planos, a pós-graduação que cursava, os sonhos que cultivava e a felicidade que irradiava. Ela havia transformado a dor em força, e seu futuro parecia promissor.
Mas o destino, em sua imprevisibilidade, tinha outros planos. Pouco tempo depois, a notícia chegou como um golpe: ela havia enfrentado uma emergência médica, passado por uma cirurgia e, em meio a complicações, perdeu a vida. Ela tinha apenas 33 anos. Jovem, cheia de vida, plena. Meu coração se partiu.
Fui ao velório, e ao abraçar sua mãe, uma mulher forte apesar da dor, senti uma energia que jamais esquecerei. Com os olhos marejados, mas o semblante sereno, ela me disse: "Saudades sim, mas tristeza não!". Aquela frase ecoou em mim. Era uma declaração de amor e aceitação, uma homenagem à filha que vivera intensamente.
Levei comigo essa lição. A vida é breve, imprevisível, mas também é repleta de significado. Cada atendimento, cada história, cada pessoa que me permite entrar em sua vida é um tesouro que guardo com carinho em minha memória e em meu coração.
Meu primeiro atendimento domiciliar
Há experiências que deixam marcas profundas em nossa trajetória, e uma delas foi meu primeiro atendimento domiciliar. Era uma senhora idosa, frágil e com o semblante carregado por episódios depressivos. Quando fui chamada para acompanhá-la, senti o peso da responsabilidade e a delicadeza que o momento exigia. Mas, ao mesmo tempo, senti um chamado, um desejo genuíno de estar ali, de acolhê-la.
Após cada dia de trabalho na clínica, eu avisava sua filha que já estava a caminho. O percurso até a casa dela tornou-se quase um ritual para mim, uma transição entre o ritmo acelerado da clínica e a serenidade necessária para aquele encontro. Ao chegar, era recebida por aquele olhar inicialmente tímido, mas que, sessão após sessão, foi ganhando brilho e confiança. O vínculo se formou de maneira natural, quase como um reencontro de almas que já se conheciam.
Ela adorava a terapia. Contar sua história era como abrir as páginas de um livro precioso. Em suas palavras, eu viajava junto, acompanhando suas memórias com riqueza de detalhes. Seus olhos brilhavam quando descrevia sua juventude, os amores, os desafios superados, e até os momentos de dor eram narrados com uma sabedoria serena. Havia vida em cada lembrança. Aos poucos, seus episódios depressivos foram se dissipando, dando lugar a uma alegria suave e uma leveza que transformavam o ambiente.
Mas, como a vida tem seus ciclos imprevisíveis, vieram os primeiros sinais de Alzheimer. No início, eram esquecimentos sutis, lapsos que tentávamos contornar. Mas, com o tempo, a doença avançou de forma implacável. Foi doloroso perceber que aquela mente tão rica em histórias começava a se perder em suas próprias lembranças. Precisamos suspender a terapia, uma decisão difícil, pois eu sabia o quanto aqueles encontros eram preciosos para ela.
No entanto, em um gesto que jamais esquecerei, foi ela, e não sua filha, quem me procurou novamente. Em meio à névoa do Alzheimer, ela ainda se lembrava de mim e da terapia que tanto amava. Voltei a atendê-la, mesmo que por um curto período. Agora, seu corpo estava mais frágil, suas palavras mais espaçadas, mas seu olhar ainda carregava a doçura de quem reconhecia uma amiga.
Algum tempo depois, ela se despediu deste mundo. E eu fiquei com o coração apertado, mas grata por ter feito parte da sua jornada. Foi tão marcante para mim que, anos depois, decidi me aprofundar em Saúde Mental e Gerontologia. Queria entender melhor o Alzheimer e tantas outras condições que afetam a pessoa idosa. Porque, em cada um desses atendimentos, eu não via apenas uma doença, mas histórias, vidas, pessoas que merecem ser ouvidas e acolhidas.
“Passando a vida a limpo”
Eu ainda me lembro do primeiro encontro. Fui chamada para atender um senhor que enfrentava uma grave batalha pela vida. Seu coração, enfraquecido por uma condição crítica, o colocava em risco constante. Por recomendação médica, ele decidiu iniciar a terapia, seguindo à risca cada orientação que pudesse lhe oferecer uma chance a mais.
Quando cheguei à casa dele pela primeira vez, a imagem que encontrei foi impactante. Ele estava traqueostomizado, com a respiração marcada por aquele som leve e constante, e cada palavra que ele tentava pronunciar era um esforço visível. Seus olhos, porém, falavam mais do que qualquer frase incompleta. Eram olhos de quem já havia visto muito, olhos que agora refletiam a consciência de sua fragilidade. Tinha estado em coma e sabia que sua situação era delicada. Não havia ilusões. Havia uma aceitação silenciosa, mas também uma inquietação.
Os primeiros atendimentos foram desafiadores, quase um jogo de paciência e sensibilidade. Ele precisava de tempo para respirar entre as frases, e eu precisava aprender a ouvir não apenas suas palavras, mas também seus silêncios. Mas, pouco a pouco, seu estado físico foi melhorando, e o homem que antes lutava para falar começou a se revelar em toda a sua profundidade.
Era um homem de inteligência afiada, culto, com uma trajetória impressionante. Um ex-executivo de uma multinacional, carregava consigo histórias de sucesso e glória, mas também de quedas dolorosas, desilusões e perdas. A vida havia lhe dado muito, mas também havia lhe cobrado seu preço. Com o tempo, nossas sessões se tornaram um espaço onde ele “passava sua vida a limpo”. Contava-me tudo, sem censura, sem medo. Compartilhava seus erros e acertos como quem folheia as páginas de um livro que conhece de cor.
Ele me falava dos sonhos que ainda cultivava, dos planos que fazia questão de manter vivos, como pequenas tochas em meio à escuridão. Mas também não escondia sua revolta com Deus. "Por que eu?" — perguntava ele, sem esperar resposta. E eu estava lá, não para responder, mas para acolher.
Durante cerca de três anos, ele mergulhou em si mesmo, revisitando memórias, perdoando outras, tentando se perdoar. A mágoa era seu maior peso, uma carga que parecia sempre presente, mesmo nos dias mais leves. Mas, com o tempo, algo mudou. Ele começou a enxergar suas histórias com novos olhos, e um dia, simplesmente disse que tinha chegado ao fim do que precisava na terapia. Havia se libertado de muitos fardos, principalmente daquele que mais o oprimia.
Até que, certo dia, ele me ligou. A voz estava baixa, fraca, quase um sussurro. “Estou no hospital... estou com medo.” Fiquei com ele ao telefone, tentando oferecer o pouco que podia naquele momento: minha presença. Dois dias depois, recebi a notícia de sua partida.
Eu o admirava profundamente. Não apenas pelo que ele foi em sua vida profissional, mas pela coragem de se desnudar emocionalmente, de olhar para si mesmo com honestidade. Ele me ensinou que a verdadeira grandeza está em ter a coragem de revisitar a própria história, com todas as suas luzes e sombras.”
Sábio e o Rio
Em uma aldeia distante, vivia um sábio conhecido por sua sabedoria e serenidade. Certa manhã, um jovem aflito foi ao seu encontro, carregando um peso em seu coração.
— Mestre, eu não consigo aceitar quem sou. Sou cheio de falhas, frustrações e medos. Sinto vergonha de mim mesmo.
O sábio sorriu e levou o jovem até a margem de um rio tranquilo. Apontando para a água cristalina, disse:
— Olhe para o rio. Ele aceita tudo o que nele cai — folhas secas, flores, galhos quebrados, até mesmo a lama. Mas nunca deixa de ser um rio. Não tenta ser mais claro ou mais limpo. Ele apenas é.
— Mas e se ele ficar sujo demais? — perguntou o jovem.
— O rio não teme a sujeira, pois sabe que a correnteza o renovará. Do mesmo modo, você não é apenas suas falhas. É também sua capacidade de aprender, mudar e seguir em frente. Aceitar-se é como o rio aceitar suas águas — com calma e confiança.
O jovem ficou em silêncio, observando o rio. Pela primeira vez, sentiu o peso em seu peito se aliviar, e um leve sorriso surgiu em seu rosto.
Moral da História:
Aceitação não é ignorar nossas falhas, mas reconhecê-las como parte de quem somos, permitindo que a correnteza da vida nos transforme sem perder nossa essência.
Início dos atendimentos online
Em 2016, sentindo a necessidade de ampliar meu alcance como psicóloga e acompanhando as mudanças que já começavam a despontar na prática clínica, decidi incorporar uma nova modalidade de atendimento: o atendimento psicológico online. Com a devida autorização do Conselho Federal de Psicologia, iniciei essa jornada com a mente aberta e o coração disposto a explorar novas formas de cuidado.
Além dos atendimentos presenciais que eu já realizava com dedicação, passei a me dedicar também ao ambiente virtual, me cadastrando em duas plataformas especializadas para atendimentos online. Essa escolha me trouxe uma experiência surpreendentemente positiva e enriquecedora. Através da tela, pude alcançar pessoas que, de outra forma, talvez não conseguissem acessar o acompanhamento psicológico – como brasileiros que viviam fora do país, enfrentando os desafios da adaptação cultural, da distância da família, da solidão, ou mesmo da necessidade de continuar seus processos terapêuticos iniciados no Brasil.
Foi emocionante perceber como, mesmo à distância, era possível criar vínculos significativos, oferecer acolhimento, escuta e suporte emocional de forma ética e eficaz. Essa nova forma de estar presente, mesmo longe fisicamente, ampliou meu olhar sobre a prática clínica e me permitiu perceber o quanto a psicologia pode ser flexível e sensível às necessidades do tempo.
Com a chegada da pandemia de COVID-19, em 2020, essa modalidade se consolidou de vez. O atendimento online deixou de ser uma alternativa e passou a ser uma necessidade urgente para muitas pessoas que buscavam apoio em um momento de extrema vulnerabilidade. Estar disponível e preparada para atender nesse contexto foi não apenas um desafio profissional, mas também um compromisso humano com o cuidado e a escuta ativa.
Desde então, continuei me dedicando integralmente ao atendimento online, que se mostrou não apenas eficaz, mas também acolhedor e adaptável à realidade de cada paciente. Naturalmente, fui encerrando os atendimentos presenciais, sem pressa, respeitando meu ritmo e o dos meus pacientes. Hoje, olho para essa trajetória com gratidão. A transição para o atendimento online não apenas ampliou minhas possibilidades profissionais, como também reafirmou o propósito maior da minha escolha pela psicologia: estar presente para o outro, onde quer que ele esteja.
Ampliando e Despertando a consciência
Em 2016, vivi um daqueles encontros transformadores que a vida, generosamente, coloca em nosso caminho. Fui convidada por uma amiga muito querida — daquelas que a gente sente que são irmãs de alma — a integrar um grupo de estudos voltado para terapias holísticas. Desde o primeiro momento, algo dentro de mim dizia que aquilo não era apenas mais uma experiência, mas o início de uma verdadeira jornada de expansão e despertar. E foi exatamente isso.
O grupo se formou com uma energia única, quase mágica. Cada encontro era permeado por uma sensação profunda de conexão, acolhimento e descoberta. Estudávamos práticas integrativas que iam muito além da técnica — tocavam nossa essência, despertavam lembranças adormecidas, resgatavam saberes antigos. A cada partilha, sentia como se pedaços de mim fossem sendo reconhecidos, iluminados. Foi nesse ambiente, tão nutridor e seguro, que minha intuição floresceu de maneira intensa e surpreendente. Comecei a ouvir com mais clareza a minha voz interior, a confiar nos sinais sutis que antes eu ignorava, a perceber a vida com olhos mais sensíveis e espirituais.
O ponto alto dessa vivência foi uma viagem que fizemos juntos ao Vale do Capão, na Chapada Diamantina, na Bahia. Foi uma jornada espiritual poderosa, dessas que marcam a alma para sempre. O cenário por si só já era encantador — montanhas imponentes, cachoeiras cristalinas, trilhas que pareciam nos conduzir não apenas por paisagens físicas, mas por caminhos internos, repletos de significado. Mas foi a vivência coletiva que tornou tudo ainda mais especial: rituais ao redor do fogo, meditações sob o céu estrelado, danças circulares, trocas de olhares sinceros e silêncios que diziam tanto...
Ali, naquele pedacinho sagrado de mundo, mergulhei profundamente em mim mesma. Senti-me parte do Todo. Compreendi melhor minha conexão com a natureza, com o universo, com os outros e, sobretudo, comigo mesma. Voltei transformada, com o coração pleno e a alma mais desperta — grata por ter vivido algo tão raro, tão verdadeiro e tão profundamente tocante.
Cachoeira da Fumaça, com uma queda livre de 340 metros, Vale do Capão, Chapada Diamantina, Bahia.
Foi nesse ano que iniciei o curso de Apometria no NEUTRA – Núcleo de Estudos Universalista da Terapia Apométrica, um espaço acolhedor e profundamente conectado com dimensões sutis do ser. Desde o primeiro dia de aula, senti que havia encontrado algo muito especial, algo que ressoava com minha essência mais profunda.
A cada encontro, mergulhava mais nesse universo fascinante, aprendendo técnicas que iam além do corpo físico e tocavam as camadas mais sutis da alma. E o mais surpreendente é que, antes mesmo de concluir o curso, já fui convidada a integrar a equipe de voluntários. Foi um chamado ao qual respondi com o coração aberto. Comecei então a aplicar as técnicas que estava aprendendo, vivenciando, na prática, os efeitos curadores e libertadores da Apometria – não apenas nos outros, mas também em mim mesma.
Permaneci no NEUTRA por sete anos. Sete anos de aprendizados intensos, de trocas profundas, de vivências que deixaram marcas muito positivas em minha caminhada. A atmosfera daquele lugar, a dedicação dos colegas, os atendimentos espirituais, tudo contribuía para que eu me sentisse profundamente conectada com algo maior. Foi ali que minha intuição floresceu com mais força que até então eu desconhecia. Sentia-me guiada, inspirada e em sintonia com dimensões mais elevadas da consciência.
Hoje, ao lembrar desse tempo, meu coração se enche de saudade. Sinto falta daquele espaço sagrado, da energia acolhedora, da missão compartilhada com pessoas comprometidas com o bem. O NEUTRA foi, sem dúvida, um dos lugares onde mais me senti viva, inteira e conectada com minha essência.
Psicologia Social
Em 2017, dei um passo importante na minha jornada profissional ao ingressar na Ouvidoria da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania. Foi ali que começou, de forma mais concreta, a minha trajetória na Psicologia Social. Até então, minha atuação estava mais voltada ao âmbito individual, ao atendimento direto e personalizado. Mas esse novo caminho abriu as portas para algo muito maior: o olhar coletivo, o entendimento profundo das dinâmicas sociais, das desigualdades, das vozes silenciadas e das urgências humanas que ecoam nas margens da sociedade.
Trabalhar na Ouvidoria foi uma experiência transformadora. Era um espaço onde as pessoas buscavam ser ouvidas, muitas vezes após longos períodos de negligência institucional. Ali, aprendi o valor de escutar com o coração e acolher com empatia, mesmo quando a dor se apresentava em formas diversas: denúncias de violação de direitos, pedidos de socorro, revoltas silenciosas. Era mais do que um trabalho técnico — era um exercício diário de humanidade.
Com o tempo, fui convidada a integrar os Núcleos de Direitos Humanos nos Descomplicas SP, onde fiquei por 6 anos; localizados em praças públicas das Subprefeituras. Essa mudança ampliou ainda mais meu campo de atuação. Passei a circular por diferentes territórios da cidade, cada um com suas especificidades, histórias, carências e potências. Estive presente em São Miguel Paulista, Butantã, Campo Limpo e, por fim, no Jabaquara, mergulhada nas vivências locais, no cotidiano das pessoas, construindo vínculos e realizando intervenções com base no respeito, na escuta qualificada e no compromisso com a dignidade humana.
Cada local por onde passei me ensinou algo único. Nos encontros com moradores, lideranças comunitárias, colegas de trabalho e usuários dos serviços, fui moldando uma escuta mais ampla, compreendendo a psicologia como uma ferramenta de transformação social. Essa etapa da minha vida não apenas fortaleceu minha atuação profissional, mas também me transformou profundamente como ser humano.
Especializações
Após as duas especializações que fiz: Acupuntura (de 2009 à 2011) e Psicologia Integrativa Transpessoal (de 2015 à 2017); as outras quatro que fiz foram EAD; são elas:
Saúde Mental e Gerontologia - em 2019
O interesse por este tema surgiu de maneira orgânica, a partir da experiência direta no atendimento a pessoas idosas. A convivência com esse público, carregado de histórias, saberes, vivências e também de desafios, despertou em mim uma inquietação genuína e, ao mesmo tempo, uma necessidade profunda de ampliar meu olhar e meu conhecimento sobre esse universo tão complexo e singular que é o envelhecer humano.
O contato com as demandas emocionais, físicas, sociais e existenciais das pessoas idosas trouxe à tona uma série de reflexões, questionamentos e, sobretudo, um desejo legítimo de compreender, de forma mais ampla, os múltiplos aspectos que envolvem essa etapa da vida. Afinal, o que significa, de fato, envelhecer? Quais são os impactos do envelhecimento sobre a saúde mental, emocional e física? E, sobretudo, como é possível, a partir da atuação profissional, contribuir efetivamente para a promoção da qualidade de vida na velhice?
Essa busca não se limitou ao campo teórico, mas foi permeada por uma escuta atenta, sensível e empática, que permitiu acessar as reais necessidades, angústias, medos, desejos e potencialidades desse público. Cada relato, cada partilha, cada história carregava consigo não apenas marcas do tempo, mas também de resiliência, superação e, muitas vezes, de invisibilização social, de preconceitos e de desafios próprios do processo de envelhecimento.
Diante desse cenário, tornou-se evidente que não seria possível atuar de forma ética e responsável sem aprofundar o entendimento sobre os processos biopsicossociais que envolvem o envelhecer. Isso significa compreender que o envelhecimento não é um fenômeno apenas biológico — embora as mudanças físicas sejam inegáveis —, mas, sobretudo, um processo subjetivo, construído socialmente, culturalmente e emocionalmente ao longo da vida.
Surge, então, a reflexão central que norteou minha busca: como posso, enquanto profissional, colaborar para que as pessoas idosas possam viver essa etapa com mais dignidade, bem-estar, autonomia e qualidade de vida?
Essa inquietação me levou a aprofundar estudos sobre temas como saúde integral, envelhecimento ativo, promoção de autonomia, fortalecimento de vínculos sociais, enfrentamento do luto, elaboração de perdas e adaptações frente às limitações que podem surgir nessa fase. Ao mesmo tempo, foi necessário compreender os fatores psicossociais que impactam diretamente na saúde mental da pessoa idosa, como o isolamento social, o preconceito etário (idadismo), a desvalorização social e as mudanças no papel social que o envelhecimento muitas vezes impõe.
Portanto, mais do que uma simples busca por conhecimento, essa trajetória se consolidou como um compromisso ético e humano: o compromisso de olhar para a velhice não como um fim, mas como uma etapa da vida que pode — e deve — ser vivida com sentido, plenitude, afetividade e cuidado.
Em síntese, a pergunta que inicialmente surgiu — "Como melhorar a qualidade de vida das pessoas idosas?" — tornou-se não apenas uma questão acadêmica ou técnica, mas uma missão profissional e, sobretudo, um compromisso pessoal com a promoção de uma velhice mais humanizada, mais respeitada e mais valorizada.
A vida é uma jornada contínua, com diversas fases, etapas, períodos. O Ser Humano vive um constante processo de desenvolvimento. Tal desenvolvimento é pessoal e se dá de forma diferente de pessoa para pessoa. Por isso, cabe a cada um buscar a melhor forma de viver e, consequentemente, de envelhecer. Para a grande maioria das pessoas, é possível fazer escolhas e decidir qual caminho tomar; também é importante ter consciência que, muitas vezes pode precisar de ajuda, seja em qualquer fase, idade e, seja de: amigo; familiar; profissional da saúde ou de todos!
Envelhecer não é, e, não pode ser um castigo e sim, uma jornada cumprida completamente, com todas as fases, etapas, períodos ... Tudo completo e preenchido! Viver em sua plenitude.
Durante essa jornada, que é a vida, se faz necessário ir adquirindo “ferramentas” para que se possa ter um envelhecimento com qualidade, vitalidade, serenidade. Enfim, que possa ter saúde e bem estar.
Psicologia Hospitalar - em 2021
O interesse por esse tema surgiu de forma natural, movido por uma inquietação interna e pela busca constante de aprofundamento no campo da Psicologia, especialmente na interface entre saúde e subjetividade. Mais especificamente, foi através do desejo de compreender, de forma mais ampla e aprofundada, os fundamentos da Psicologia da Saúde e da Psicologia Hospitalar, que se acendeu em mim a vontade de trilhar esse caminho de conhecimento. Afinal, o que, de fato, é a Psicologia da Saúde? E em que consiste a atuação da Psicologia Hospitalar? Quais são suas características, seus princípios norteadores, suas áreas de interseção e, sobretudo, suas distinções?
Esses questionamentos não surgiram por acaso. Eles foram resultado do entendimento de que, para além da prática clínica tradicional — geralmente associada ao setting terapêutico, em consultórios e ambientes ambulatoriais —, existe um campo vasto e essencial, onde a atuação do psicólogo se faz presente de maneira integrada aos contextos de cuidado em saúde.
Foi nesse processo reflexivo que começaram a surgir indagações mais específicas: será que a Psicologia Hospitalar é, de fato, uma ramificação da Psicologia da Saúde? Ou seriam áreas complementares, porém distintas, dentro de um mesmo campo de atuação? E onde se situa, nesse cenário, a Psicologia Clínica? Quais são as diferenças conceituais, metodológicas e práticas entre a atuação clínica tradicional e aquela desenvolvida no contexto hospitalar?
Outro questionamento fundamental que se apresentou foi: qual, afinal, é o papel do psicólogo dentro de uma instituição hospitalar? Seu trabalho se limita ao atendimento dos pacientes internados? Ou abrange também o acolhimento dos familiares, o suporte às equipes multiprofissionais, a mediação dos impactos emocionais provocados pelo adoecimento e até a atuação nos processos institucionais de humanização do cuidado?
Compreender essas nuances se tornou uma necessidade e, ao mesmo tempo, um desafio. Foi assim que a busca pelo entendimento desse universo me conduziu a uma jornada de estudos, leituras, pesquisas e reflexões. Mergulhei nos referenciais teóricos que sustentam essas práticas, explorei as construções históricas dessas áreas dentro da Psicologia, analisei suas interfaces com outros saberes da saúde e procurei compreender de que maneira esses conhecimentos se articulam na prática profissional cotidiana.
Perceber que a Psicologia da Saúde se dedica ao estudo dos processos psicológicos relacionados à saúde, à prevenção de doenças, à promoção do bem-estar e à compreensão dos fatores biopsicossociais, ampliou minha visão sobre o papel do psicólogo como agente de cuidado integral. Por outro lado, entender que a Psicologia Hospitalar se configura como uma aplicação prática e específica desse olhar, voltada ao contexto hospitalar, às demandas do adoecimento físico, da hospitalização, do sofrimento psíquico e da reabilitação, trouxe clareza sobre suas especificidades.
Nesse percurso de aprofundamento, tornou-se evidente que, embora interligadas, as práticas clínicas, hospitalares e de saúde possuem contornos próprios, objetivos distintos e, ao mesmo tempo, complementares. Todas elas, no entanto, compartilham um mesmo princípio: o compromisso ético com a promoção da saúde, do bem-estar e da dignidade humana, reconhecendo o sujeito em sua totalidade — corpo, mente, emoções e relações.
Em síntese, essa busca por respostas não apenas ampliou meu repertório teórico e prático, mas também fortaleceu minha convicção sobre a importância de um olhar mais integral, mais humano e mais sensível no cuidado em saúde.
Gestão Pública em 2022
A realização desse curso também teve sua relevância no meu percurso profissional, embora eu precise admitir que não se trata exatamente de uma área pela qual eu nutro grande afinidade ou identificação. Meu interesse surgiu, sobretudo, em função das demandas específicas do contexto em que eu estava inserida na época, atuando no serviço público. Diante disso, senti a necessidade de compreender, de forma mais aprofundada, os trâmites e os processos que regem a administração pública, especialmente no que se refere à elaboração de editais, processos licitatórios, contratos e outras questões burocráticas que fazem parte da rotina institucional. Minha intenção era, portanto, adquirir conhecimentos que me permitissem não apenas entender a lógica por trás dessas práticas, mas também me posicionar de maneira mais segura, consciente e assertiva no desempenho das minhas funções dentro desse contexto.
Gestão Pública é a administração dos recursos, serviços e bens do governo, feita para atender as necessidades da população. Ela envolve planejar, organizar, executar e controlar ações que melhorem a vida das pessoas, como saúde, educação, segurança, transporte e outros serviços públicos.
O gestor público é o profissional que trabalha nessa área, podendo ser um servidor, um político eleito ou um técnico. Seu papel é garantir que os recursos públicos sejam bem aplicados, com transparência, responsabilidade e foco no bem coletivo.
Como funciona?
A Gestão Pública acontece em três níveis de governo:
Municipal – prefeitura (atua nos bairros e cidades);
Estadual – governo do estado (atua nas demandas do estado);
Federal – governo do país (atua em questões nacionais).
Ela também precisa seguir leis, regras e princípios como:
Legalidade – tudo deve estar de acordo com a lei;
Impessoalidade – os serviços são para todos, sem favorecimento;
Moralidade – deve haver ética e honestidade;
Publicidade – as ações e gastos devem ser transparentes;
Eficiência – uso correto dos recursos, buscando sempre os melhores resultados.
Para que serve?
A Gestão Pública serve para organizar e oferecer serviços que garantam os direitos dos cidadãos, promovendo desenvolvimento social, econômico e melhoria na qualidade de vida da população.
Neuropsicologia em 2025
O interesse por este assunto surgiu através da busca de conhecimento nessa área: Neuropsicologia e Avaliação Neuropsicológica e da vontade de se aprofundar já que a procura por tal avaliação tem sido crescente. Afinal, o que é Neuropsicologia? E Avaliação Neuropsicológica? Como é feita? Quais circunstâncias? Tais questionamentos foram sanados através da revisão bibliográfica e de artigos disponibilizados pela internet. Este trabalho aborda, de forma sucinta, as questões acima apontadas; pois tal tema é bastante complexo e rico em detalhes e informações.
A Neuropsicologia é uma área da Psicologia que investiga a relação entre o funcionamento do cérebro e o comportamento humano. Por meio da multidisciplinaridade, a neuropsicologia se estabeleceu como uma disciplina intimamente relacionada à compreensão do comportamento humano e, como apontaram Kristensen et al. (2001 apud MELO D; et al., 2019), grandes teorias psicológicas da psicologia perderam parte de seu poder explicativo à medida que o progresso científico foram conduzidos e, por sua vez, levou a uma enorme especialização do conhecimento que despertou o interesse de muitos pesquisadores, de neurocientistas, neurologistas a educadores, tentando entender como o cérebro funciona através do comportamento humano.
A Avaliação Neuropsicológica, por sua vez, constitui um conjunto de procedimentos que permite identificar padrões cognitivos, emocionais e comportamentais, auxiliando no diagnóstico de transtornos neurológicos e psiquiátricos, bem como na formulação de estratégias de intervenção.
Tenho que confessar que, na época da faculdade, não gostei nenhum um pouco de aplicar testes e fazer avaliação com testes, mas fui obrigada a me render a tal técnica diante da crescente demanda por avaliações mais precisas e individualizadas, fui buscar compreender o papel da Avaliação Neuropsicológica na prática clínica, discutindo seus principais instrumentos, aplicações e limitações.
Vivência em SAICA
Em 2024, iniciei uma nova etapa da minha trajetória profissional ao ingressar no SAICA – Serviço de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes. Desde o primeiro dia, percebi que ali eu não seria apenas uma psicóloga a serviço de uma instituição. Eu seria, muitas vezes, colo, escuta, referência, presença. Estava diante de um universo intenso e profundamente humano, onde cada olhar, cada gesto e cada silêncio carregavam histórias marcadas por abandono, negligência e maus-tratos.
Foi, sem dúvida, uma experiência valiosa – daquelas que transformam a gente por dentro. Mas também foi profundamente dolorosa por duas razões: lidar diariamente com feridas emocionais tão profundas em crianças e adolescentes, muitas vezes tão pequenos e já tão marcados pela vida, exigiu de mim uma entrega imensa. Cada história que eu conhecia, cada vínculo que se formava, cada choro contido ou desabafo partilhado trazia à tona a dura realidade da infância violada e da adolescência interrompida pela ausência de cuidado, afeto e proteção. E, a pressão externa é violenta e, simplesmente, fica muito difícil permanecer no ambiente assim.
Embora eu já tivesse tido contato com essas temáticas durante minha atuação como conselheira tutelar em Santo Amaro, entre abril de 2002 e janeiro de 2007, a vivência no SAICA foi muito diferente. No Conselho Tutelar, eu intervinha em situações, orientava, encaminhava, mas havia uma certa distância. Não havia o convívio diário, a partilha constante, o laço que se constrói no cotidiano. No SAICA, não era possível manter essa distância. Ali, estávamos juntos – eu e eles – dividindo a mesma realidade, o mesmo tempo, a mesma esperança.
Foi justamente esse vínculo mais próximo, essa convivência intensa e contínua, que tornou a experiência tão desafiadora. Mas também foi isso que me fez crescer, amadurecer e repensar muitas coisas dentro de mim. Senti na pele o quanto o cuidado emocional, o respeito à história de vida e a presença afetiva fazem diferença no processo de reconstrução interna desses pequenos seres humanos.
Trabalhar no SAICA me partiu em muitos pedaços, mas também me reconstruiu em outros. Foi um mergulho profundo na dor do outro — e, ao mesmo tempo, uma oportunidade única de oferecer um pouco de luz, mesmo nos dias mais escuros. Uma experiência difícil, sim. Mas profundamente transformadora.
Trabalhando com Mulheres Vítimas de Violência Doméstica
Atualmente, em 2025, venho me dedicando a um trabalho profundamente desafiador e, ao mesmo tempo, transformador: o acolhimento e o acompanhamento de mulheres vítimas de violência doméstica. É uma experiência que exige não apenas preparo técnico, mas, sobretudo, entrega emocional, escuta sensível e um coração aberto para acolher a dor do outro.
Não é fácil. Todos os dias me deparo com histórias marcadas por dor, medo, silenciamento e injustiça. Relatos tão tristes, tão intensos, que por vezes me tiram o fôlego e despertam em mim sentimentos de indignação, impotência e, ao mesmo tempo, uma imensa vontade de continuar lutando. Cada mulher que chega até mim carrega consigo cicatrizes invisíveis, e é preciso muito cuidado para ajudar a reconstruir o que foi quebrado — a autoestima, a confiança, o direito de existir com dignidade.
É um trabalho árduo, sem dúvida. Mas também é profundamente gratificante. Ver a transformação acontecendo, mesmo que aos poucos — o brilho voltando aos olhos, a voz ganhando força, a coragem renascendo — é algo que não tem preço. Esse caminho me transforma a cada dia, me ensina a olhar para as relações humanas com mais profundidade, mais respeito e mais empatia.
Diante dessas vivências tão intensas, percebo o quanto sou grata pelas pessoas que passaram — e ainda passam — pela minha vida. Comparando tantas realidades tão duras com a minha trajetória, só posso reconhecer o quanto fui afortunada, o quanto sou abençoada.
Acredito também que, quando somos tocados por experiências tão profundas e dolorosas, não é por acaso. Sempre que algo nos abala profundamente, é sinal de que há algo importante sendo trabalhado dentro de nós. São oportunidades — ainda que dolorosas — de crescimento, amadurecimento e expansão da consciência.
Esse trabalho, mais do que uma profissão, tem se revelado uma missão. E por mais difícil que seja, é nele que descubro diariamente o verdadeiro sentido da empatia, da escuta e da presença.
Reflexões acerca da vida
"Nem tudo que pesa é seu. Solte o que não te pertence."
(Autor desconhecido)"A vida é curta demais para ser pequena." — Benjamin Disraeli
"Tudo o que você resiste, persiste. Tudo o que você aceita, se transforma." — Carl Jung
"A maior aventura que você pode viver é viver a vida dos seus sonhos." — Oprah Winfrey
"Se você quer paz, pare de lutar com sua própria vida." — Eckhart Tolle
"Não somos responsáveis pelo que fizeram conosco, mas somos responsáveis por aquilo que fazemos com o que fizeram de nós." — Jean-Paul Sartre
"O sofrimento é inevitável, mas permanecer no sofrimento é uma escolha." — (Sabedoria budista)
"Não se apresse. Tudo vem no tempo certo. Enquanto isso, viva, sonhe, aprenda e agradeça." — (Reflexão popular)
Sinceramente… acho que não tenho do que reclamar, não é? Quem me acompanhou até aqui, quem leu cada pedaço dessa caminhada, deve ter percebido quantas experiências incríveis, surpreendentes e, por vezes, quase inacreditáveis, aconteceram comigo ao longo da vida. E não, isso não é apenas sorte... é benção, é presente, é vida pulsando em cada detalhe. Me sinto verdadeiramente afortunada.
Sabe, eu costumo refletir muito sobre o quanto viver é um presente — desses que a gente desembrulha aos poucos, com cuidado, com curiosidade, com amor. E, por isso, acredito que precisamos, de verdade, aproveitar cada instante, cada pessoa que cruza nosso caminho, cada encontro, cada troca. Porque o tempo… ah, ele é ligeiro, escorre pelos dedos, e quando nos damos conta, muitas coisas já se foram, ficaram para trás, guardadas apenas na memória e no coração.
Carrego comigo uma crença profunda, que me acompanha desde sempre: acredito na força imensurável dos nossos pensamentos e dos nossos sentimentos. Eles são como sementes lançadas ao vento… e, cedo ou tarde, florescem. Por isso, sempre que puder — e, principalmente, quando não puder — escolha pensar e sentir coisas boas. Alimente sua mente com esperança, com amor, com gratidão.
E, olha… eu sei, nem sempre é fácil. Às vezes, surgem, quase que no piloto automático, pensamentos ou sensações que pesam, que entristecem, que desequilibram. Mas é justamente aí que mora o nosso poder: o de transformar. O de ressignificar. O de olhar para aquilo que incomoda e escolher, conscientemente, não se deixar dominar.
Pegue, sem medo, as rédeas da sua vida nas suas mãos. Você é, sim, muito mais forte e capaz do que talvez acredite ser. E nunca se esqueça… somos todos criadores da nossa própria realidade.
Cuide dos seus pensamentos. — Eles se tornam palavras. Cuide das palavras, pois elas se tornam ações. Cuide das ações, pois elas se tornam hábitos. Cuide dos hábitos, pois eles formam seu caráter. E o seu caráter define seu destino.
(Sabedoria antiga)
Como gosto muito de falar sobre o tripé: mantenha o Pensar, Sentir e Agir em Equilíbrio!
Ame, Brinque, Sorria, Cante, Dance! Dançar para mim é um capítulo à parte … Como Amo dançar! Como diz o Maravilhoso Professor Gustavo: “Dançar é bom demais!”
Não desperdice energia tentando mudar os outros. — Concentre-se em mudar a si mesmo. O mundo ao seu redor muda quando você muda.
Aprenda a escolher suas batalhas. — Nem tudo merece sua energia, seu tempo ou sua paz.
Aceite o que não pode ser mudado, transforme o que estiver ao seu alcance e tenha sabedoria para perceber a diferença.
(Princípio da Serenidade)
O tempo é seu bem mais precioso. — Cuide de como e com quem você o investe.
Seja gentil. — Todo mundo está enfrentando uma batalha que você não vê.
Não tenha medo de recomeçar. — Muitas vezes, recomeçar não é sinal de fracasso, mas de coragem.
Cultive o silêncio interior. — É nele que você escuta sua própria essência e a vida fala mais alto. Por outro lado, não deixe de se expressar!
Não se compare. — A única comparação justa é com quem você foi ontem.
Permita-se sentir. — Dor, alegria, medo, amor... Todas as emoções são mensageiras. Ignorá-las é perder a chance de crescer.
Seja leve, a vida é breve!
Deixo aqui Meu Amor, Minha Gratidão e o Desejo que todos tenham uma Vida Plena!
Agradecimentos
Primeiramente, a DEUS; força maior, origem de tudo, fonte da vida e da inspiração.
Às Forças que me acompanham, visíveis e invisíveis … São tantas que seria impossível nomeá-las todas aqui. E vai que eu esqueça de alguma! (rsrs)
Aos meus Pais, que me ofereceram a base, os valores, o amor e a estrutura que me sustentam. E, sobretudo, pela dádiva da vida.
Aos meus irmãos, Elaine (Lana), João e Sérgio, que estão comigo desde sempre, partilhando amor, histórias e aprendizados.
À minha filha Fernanda, luz dos meus olhos, meu amor maior, meu coração pulsando fora do corpo.
Fernando Sobrinho, que, generosamente, plantou em mim a semente deste livro e não deixou de regá-la com incentivo e apoio.
Aos meus Mestres e Professores, que me conduziram pelos caminhos do saber, da reflexão e do crescimento.
Aos meus Pacientes/Clientes/Atendidos, minha profunda gratidão por confiarem em mim e permitirem que eu adentre suas histórias. Saibam que sempre fiz e faço isso com absoluto respeito, ética e amorosidade.
E a Todos que cruzaram meu caminho, de alguma forma, minha sincera gratidão. Afinal, acredito que ninguém surge em nossa vida por acaso. Cada encontro traz em si um propósito, um aprendizado, uma troca.
Bibliografia
ALMEIDA, Maria Aparecida. Manual de Treinamento Reki nivel I e II (apostila). 2015.
BOCK Ana M. Bahia, Odair FURTADO, Maria de Lourdes T. TEIXEIRA. Psicologias. 1995. Editora Saraiva.
FOCKS, Claudia e ULRICH, März. Guia Prático de Acupuntura. 2008. Editora Manole.
FRADIMAN, James e Robert FRAGER. Teorias da Personalidade. 1986. Editora Harbra.
GROF, Stanislav e Christina. Respiração Holotrópica. 2010. Editora Numina.
GUEDES, Eliana, Cristiane IAZZETTA, Roberta LOPES e Carla C. SANTOS. Extraterrestre, para Além da Identidade Humana (apostila). 1997.
MACIEIRA, Rita de Cássia. Psicologia Integrativa Transpessoal - Conceito, Histórico e Desenvolvimento (apostila). 2015.
MACIOCIA, Giovanni. Os Fundamentos da Medicina Chinesa. 2007. Editora Roca.
Este livro foi construído a partir de experiências profissionais, estudos pessoais, participação em cursos, oficinas, workshops e vivências ao longo de mais de 20 anos de atuação na área. Muitas das reflexões e conceitos aqui apresentados derivam de anotações de aulas e materiais não publicados.
Se desejar adquirir esse livro físico, ele está à venda no site da UICLAP: