Um Estudo exploratório sobre ingestão excessiva de alimentos numa amostra de mulheres adultas
Eliana Guedes;
Fátima Aparecida Miglioli Fernandez Tomé (orientadora)
Faculdade de psicologia da UNISA
A presente pesquisa teve como objetivo o de estudar numa amostra aleatória de 40 mulheres de 20 a 45 anos e IMC (Índice de Massa Corporal) entre 17,57 e 36,02, a incidência de compulsão alimentar (segundo o DSM - Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 1995) e apresentação de características e variáveis psicológicos como o estado de ansiedade (segundo inventário IDATE), os itens do QEWP-R (Questionário sobre Padrões de Alimentação e Peso - Revisado, de SPITZER e cols., 1992, traduzido por BORGES, 1998) e do questionário por nós elaborado com base na literatura especializada. A hipótese é a de quem numa amostra aleatória é possível a identificação em número significante de sujeitos com compulsão alimentar e de que nesses sujeitos, há um nível de ansiedade-estado e traço acima da média. Os instrumentos utilizados foram o Inventário da Ansiedade - IDATE de SPILLBERG (1976), o QEWP-R (Questionário sobre Padrões de Alimentação e Peso- revisado) traduzido por BORGES (1998) e um questionário elaborado com base na literatura consultada, composto por quatro questões. Os resultados foram analisados em termos de frequencias absolutas (f) e relativas (fr) para posterior cálculo do Qui-quadrado. Os resultados que apresentaram diferenças significantes são apresentados a seguir; com mais frequencia, a ansiedade-estado está num nível abaixo da média para amostra total; com mais frequência, a ansiedade-traço está abaixo da média para amostra total; com mais frequência, os sujeitos pesquisados não apresentam compulsão alimentar (80%); com mais frequência, a maioria da amostra acredita ser ansiosa (75%) e atribuem a dificuldade de resolução de problemas o motivo da ansiedade sentida (74%). Dos 40 sujeitos pesquisados, 8 apresentam compulsão alimentar (20% da amostra) e na sua maioria (80%) não apresentam. Dos individuos que apresentaram a compulsão alimentar, os resultados obtidos são descritos a seguir: 1)50% indicaram ser a insatisfação o principal motivo da compulsão alimentar e 38% atribuem a ansiedade ;2)62% responderam que houve uma grande ingestão de alimentos num curto espaço de tempo, com perda de controle; 3)38% ingeriram grande quantidade de alimentos mais que 2 ou 3 vezes por dia: 4)50% atribuiram que há sintoma de comer até sentirem-se mal; e 5)50% indicaram comer em excesso, sem fome. A hipótese de que haveria um número significante de mulheres com compulsão alimentar numa amostra aleatória não foi confirmada. Quanto a avaliação quantitativa do nível de ansiedade pelo Inventário IDATE nestes sujeitos em particular, não foi possível uma conclusão pelo número de sujeitos identificados, o que impossibilitou a análise estatística. Sugere-se que em estudos posteriores possa ser de fato utilizada uma amostra de sujeitos com compulsão alimentar como grupo experimental e sem compulsão alimentar; como grupo controle. Mesmo que os resultados obtidos com o grupo que podiam ter compulsão alimentar não permitirem conclusões generalizadas e definitivas, ratificamos a indicação de BARROS e colab. (1990) de que é necessário que o profissional de saúde fique atento aos aspectos psicológicos presentes no quadro de compulsão alimentar.
3º Congresso
Inicialização Científica da UNISA
São Paulo - 2000
Editora Unisa
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